Flor do dia: Orquídea-bambu

Toda vez que encontro a síndica do meu prédio, ela está no jardim, as duas mãos na cintura, olhando incrédula para um dos canteiros e balançando a cabeça negativamente como quem vê o Brasil tomar um coro numa final de Copa do Mundo.
– O que foi, dona Zíbia?
– Não entendo essa tal de orquídea...
É sempre o mesmo diálogo: dona Zíbia não se conforma com o fato de a orquídea-bambu (Arundina bambusifolia) do nosso prédio ter tendências emo. Diz que num outro prédio, por onde ela passa todo dia, há um canteiro de orquídeas-bambu lindas, eretas, mais pra bambu que pra orquídea. Não consigo fazer a mulher entender que nosso prédio faz sombra sobre o canteiro e as pobres plantas se inclinam para alcançar um pouquinho mais de sol.
– Eu já amarrei, Carol, mas ela fica torta de novo.
– É a sombra do prédio, dona Zíbia.
– Mas no outro prédio também tem sombra...
Eu penso em como ela insiste em transformar nossa Garrincha em uma ikebana gigante. E fico torcendo para a orquídea-bambu não dar o braço a torcer e seguir fazendo golaços como esse aí da foto.
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"Plantinhas antropomorfizadas"? Caramba, estou pensando até agora no que seria isso exatamente... Falando sério, quando a plantinha é amarrada com material natural, logo os fios se desintegram e a bichinha fica livre, presa com as próprias raízes. Agora, já vi muita chuva-de-ouro esmagada contra uma árvore, com as raízes sufocadas por rolos e mais rolos de ráfia. Pô, ela vai levar séculos pra se livrar daquele plástico todo!








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