Flor do dia: Alpínia

Num passeio ao Parque Burle Marx, em São Paulo, pra qualquer lado onde você olhe há plantas tropicais como essa espetacular alpínia (Alpinia purpurata). Maior paisagista do país, Roberto Burle Marx (1909-1994) nasceu em São Paulo, foi criado no Rio de Janeiro, mas precisou viajar até a Alemanha para enfim se interessar pelas plantas brasileiras. Isso foi aos 19 anos, quando o jovem também se versou nas artes plásticas, formação que deu noções de cores, planos, formas e composição, tão úteis a um bom paisagista.
De volta ao Brasil, em 1930, Burle Marx passou a projetar jardins como quem pinta quadros. Fugindo da rigidez do paisagismo clássico, desenhava lugares sinuosos, abertos ao pleno crescimento das plantas, sempre com um uso muito grande de folhagens. Arbustos podados em formato de bolinha? Nem pensar. Para ele, a arquitetura e o paisagismo estão integrados.
Se a parceria com Oscar Niemeyer tivesse ido mais além (trabalharam juntos na construção do Colégio Cataguases, da residência de Chico Peixoto e do Ministério da Educação), talvez o Memorial da América Latina tivesse um sombreado jardim tropical — e não aquele cimentão ressequido que tem hoje. À sombra da mão sangrando, um ramo de alpínias.
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