Flor do dia: Helicônia

Aproveitei o sabadão de sol para dar um pulo na feira e afiar minhas tesouras de poda. No que estou chegando naquela deliciosa Índia – barraquinhas coloridas, vendedores entoando seus preços, aquele mar de pernas e sacolas e carrinhos e pedintes –, passo em frente ao minijardim mais tropical que já vi.
Acompanhando uma parede de uns 5 metros de comprimento, fileiras de helicônias (Heliconia rostrata) envergavam sob o peso das flores. Os cachos, que podem ultrapassar um metro (!), tinham aquele desenho tão simétrico de gomos vermelhos e amarelos que mais parecem esculpidos em madeira. E eram tantos!
Todas as portas e portões estavam abertos, como que convidando a conhecer o jardim. Fui entrando, máquina em punho, pronta pra ser expulsa por algum dono ressabiado. Que nada! Em cinco minutos o Eduardo apareceu e me contou que o lugar é, na verdade, um estúdio, o Ravenna Mosaicos. E que as helicônias estão tão espaçosas que derrubam sementes pelo chão gerando outras na mesma rapidez das anteriores. E que o lugar fica assim, um tweet de Burle Marx, durante seis meses, quando então as moças recolhem suas graças e vão cuidar das crias.
E ainda me deu uma muda e uma semente, que eu já tratei de plantar num vasinho de mosaico, pra mó di elas se sentirem mais em casa. Não é um tudo?
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