Flor do dia: Oncidium twinkle “Red Fantasy”
Eu matei. Torturei, asfixiei e envenenei tantas plantas que já perdi a conta. Tenho uma gavetinha só com plaquinhas de orquídeas mortas, meu cemitério particular, minha homenagem póstuma a plantinhas que tiveram o azar de cair em minhas descuidadas mãos. Pronto, você tem aqui minha confissão.
Mas se é verdade que tantas feneceram sob meus cuidados (!), também é certo que algumas dessas alminhas vão pro karma de outrem:
— Essa plantinha tá feia, né, Carol?
— Tá, sim. Melhor deixar ela quietinha.
— Vou colocar mais água pra ver se ela se anima.
— Nãoooo, Val, não molha mais!
— Ih, já tô fazendo isso faz um tempão.
— Bom, agora descobrimos porque ela está feia, né? Maneira nas regas, Val.
— Tá bom, tá bom!
Passam-se uns três meses, vou ver o Oncidium twinkle “Red Fantasy” enfermo e, em vez que apodrecer, ele agora está é murchando. Secura total. O substrato secou de um jeito que virou um torrão.
— Val, você regou essa orquídea hoje?
— Não.
— E na semana passada?
— Não.
— Quando foi a última vez que você molhou ela?
— Ah, faz uns três meses que eu não ponho uma gota de água nela, Carol. Você que mandou!
É isso assassinato premeditado, não é?
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Ter orquídeas é como dirigir, Marluce: na tentativa e erro, a gente vai acertando a mão.








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