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Flor do dia: Léia

Leea rubra

Essas bolotinhas do tamanho de cabeças de fósforos estouram qual pipoca, abrindo essa minusculeza de florzinha. A autora da façanha é a Leea rubra (lê-se "Leía"), uma linda folhagem avermelhada oriunda da Índia e da Nova Guiné, que há dois anos resguarda o vitrô de meu banheiro de olhares curiosos.

Quando cheguei neste apartamento de onde agora posto, Princesa Léia já morava por aqui. Mas estava tomada pelo Lado Negro da Força: cada galho, folha e broto sumia debaixo de montanhas de percevejos — e não estou sendo hiperbólica aqui. A praga, que muita gente conhece por Maria-fedida, quando dá pra infestar, não mede esforços. Mal se via a planta por baixo dos insetos. Soube que o antigo morador tinha dado a planta por perdida depois de tentar, em vão, combater a praga.

Precisei pegar uma dessas coisinhas fedorentas e colocá-la em um potinho, que levava comigo em tudo que é loja de jardinagem, na tentativa de encontrar um veneno específico. Aqui cabe um parênteses pra dizer que A) como fazem falta os jardineiros velhinhos, que já viram de um, tudo; e B) fui em três lojas de jardinagem e nenhum vendedor soube identificar os percevejos; pior, em todas elas, me recomendaram remédios bem mais fortes do que o necessário. Fim das divagações.

Munida de coragem e um spray carregado de óleo de Neem, arrisquei a santa receitinha que costuma dar conta da maioria das pestes de jardim: um litro de água, 10 gotas de óleo de eucalipto (ou de citronela ou de cravo) e 5 ml de óleo de Neem, encharcando as duas faces das folhas, além de caules, brotos e o que mais aparecesse na frente. Em menos de um minuto, os percevejos começaram a espernear. Tive de sair de perto, porque foi me dando uma agonia de ver tantos bichinhos morrendo... Nessas horas, preciso lembrar o mantra que me ensinou meu professor de orquídeas, "escolha que espécie você vai cultivar e foque nela". Fiz isso e, hoje, nem sombra de percevejos na Leea rubra, que, em agradecimento, se enche de flores-bolinhas, todo ano.


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Comentário de: Juliana Email
eu sinto um PRAZER ENORME em ver essas pragas das minhas orquídeas morrerem envenenadas aos montes. Adoro esmagar besouro e caracois comedores de flores e brotos...

Que medo de você, Juliana...
PermalinkPermalink 19.03.12 @ 01:37


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