Flor do dia: Onze-horas

Quando eu era criança e meus pais me levavam a um restaurante, chique era esperar o prato fazendo uma pocinha de vinagre e azeite para esfregar o pão francês. Vinagre era vinagre mesmo, não aceto balsâmico, e pão italiano talvez só existisse no Bixiga. A fina-flor da salada era o tomate caqui – àquela época, se eu encontrasse um tomate seco no meio do alface, ele teria como destino a borda do prato, na certeza de que estaria estragado. E, por mais que minha mãe insistisse, eu nunca comia toda comida que era pra sobrar lugar pro mousse de chocolate, sobremesa que dividia o podium das mais pedidas com o onipresente creme de cassis. Petit gateau? Não existia nem nos sonhos dos cozinheiros mais apressados.
Assim como as modinhas de alimentos (e de roupas, cachorros, carros e tudo o mais), também as plantas passam por modismos que propagam algumas espécies em detrimento de outras. É o caso das belezinhas aí da foto, Portucala grandiflora, que sua mãe ou avó com certeza conhece pelo adorável nome de onze-horas.
Esse tipo de suculenta é do tempo das violetas e das avencas, quando qualquer floricultura que se prezasse fazia buquês de boca-de-leão e orquídeas eram coisa de quem morava no meio do mato. É claro que essas plantas continuam à venda, mas saíram de moda e, hoje, ficou mais fácil encontrar jardineiro que saiba trançar o caule de um ficus miniatura do que um capaz de identificar uma simples onze-horas.
E eu, que sempre tive uma alma velha, adoro esse coloridinho retrô, tão cara de vó. Tão vintage.
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E alma velha é bom, é mais sábia. Ou não.
Provavelmente era ela sim, Emilio. Agora, sobre seu comentário final, lembrei de uma frase que uma colega vive dizendo: "O tempo não faz sábios, faz velhos". Obrigada por não desistir do leranjinha mesmo com tantos posts de plantas!
Sabe que adoro estas florezinhas. Na casa da minha avó, tinha todas elas e mais algumas: buquê de noiva, cravina, cravo. Flores que coloriram minha infância...
E por falar nisto, vc já viu um ninho de
Ah, que pena, cortou o texto, Anny! Com certeza não vi esse ninho, hehe.
Como vc conseguiu estas beldades????
Amei, bjs milll!!!!
Cláudia Helena, essas da foto foram fotografadas numa casa do interior, onde elas ainda não muito comuns. Mas você pode encontrá-las com facilidade no Ceagesp, na feira de flores, às terças e sextas, a partir das 4h (eu prefiro ir na véspera, na feira que é chamada informalmente de Corujão, às segundas e quintas, a partir das 22h).








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