Flor do dia: Rabo-de-galo

O que eu mais gosto na Celosia argentea é a felicidade instantânea que ela empresta a qualquer cantinho onde esteja, nem que seja a micro jardineira de uma quitinete, como aconteceu comigo, logo que vim para São Paulo. Durante alguns meses, eram rabos de galo como os da foto, bem coloridos, que me faziam companhia no meu apê de 27 metros quadrados. Lembro da alegria que eu sentia ao abrir a porta e deparar com elas, em todas as cores Pantone, me acenando da única janela que havia, dez passos adiante.
Minhas flores eram tão meninas quanto eu, mas elas, na sapiência das raízes, tinham paciência com meu aprendizado claudicante. Um dia eu me esquecia de regá-las, no outro, encharcava demais e fomos convivendo assim, em carinhosos atropelos. À época eu pouco tinha sob minha responsabilidade além de dois vasos de tomate, dois gatos e uma jardineira de rabos de galo. Quando ventava, as pluminhas balançavam levemente, qual galo se pavoneando.
Estavam lindas em um dia e, no outro, começaram a cacarejar tristonhas até que, seis meses depois, viraram guizado. E eu, menina que era, chorei lamentando aquele dia em que ficaram sem água, aquele outro em que molhei demais, os adubos todos que devia ter colocado, mas a preguiça não deixou.
Só hoje sei que nem mesmo os melhores cuidados e adubos teriam feito meu rabo de galo durar mais que doze meses, justamente porque essa espécie é chamada de anual. Ao contrário das plantas perenes, as anuais têm um ciclo de vida curtinho, que não atinge mais que doze, quinze meses. Essa é a programação genética das células delas: nascer, crescer, se reproduzir e morrer, tudo em um ano. Por isso, aproveite essas coloridas pluminhas enquanto eles ainda não foram pra panela.
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