Flor do dia: Ipoméia

"Pode levar que vai encher sua casa de beija-flor." Foi com esse vaticínio que levei para casa uma muda meio esmulambenta da tal da Ipoméia (Ipomoea horsfalliae), a trepadeira que faria da minha varanda um verdadeiro Facebook dos beija-flores. Mal a bicha ganhou vaso com terra bem adubada, se pôs a lançar ramos para tudo que é lado, qual afogado em alto mar. Numa dessas, se agarrou à jabuticabeira e toca eu desenganchar a cadela no cio. No que solto de um lado, o polvo se gruda de outro, tão ferinamente, que acabei deixando que ela e a russelia se entendessem.
Acontece que de beija-flor, nem pena. A ipoméia não para de soltar flores, e é um tal de botão pra cá e ramo pra lá, mas nada dos bicudos pintarem na área. De volta à loja onde tinha comprado a muda, seis meses antes, interpelei outro vendedor. "É certo que a ipoméia atrai beija-flor?" Ele me olhou mudo, deu aquela coçadinha é-cada-uma-que-ouço e me saiu com essa: "Ói, atrair, não atrai, mas eles tão no ar, não tão?"
Pegou?
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