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A terapia verde

Eu, transplantando um Oncidium

Já li em vários lugares pesquisas que atestam que mexer com plantas é uma ótima terapia, mas não levava isso a sério. Se eu não falo com elas nem elas comigo, comquipode? Como uma bromélia me ajudaria a combater o estresse? Quando um lírio da paz proporcionaria um insight para eu resolver algum conflito familiar? Para mim, essas pesquisas só podiam ser patrocinadas por floriculturas. Ou fabricantes de adubos.

Isso era o que eu pensava 11 anos atrás, quando comecei a me interessar por plantas. Garota do interior que veio para São Paulo fazer faculdade, encontrei na jardinagem uma forma de ter por perto o cheirinho da casa de minha mãe.

De lá para cá, plantei feijãozinho em algodão pela nostalgia da infância. Cultivei sementes de tomate só para descobrir, atônita, que elas brotam sem muito esforço (mas dão muito trabalho depois!). Reguei um girassol que os passarinhos plantaram. Decorei um vaso com cacos de azulejo. Encardi as unhas de terra. E matei muita, muita planta — tantas que já perdi a conta.

Aprendi a respeitar o tempo da natureza, que não acelera a abertura de um botão só porque você precisa fotografá-lo hoje. Faço semanalmente a lição do desapego, doando aquele vaso que parece infeliz em casa. Dia após dia, me alfabetizo um pouco mais no plantês, idioma falado por flores, arbustos, árvores e outros seres clorofilados cheios de raízes.

Ainda sofro com as plantas que morrem. Muito. Quando minha Ornithophora radicans secou, duas semanas atrás, meus olhos marejaram ao ver fracassar todas as tentativas de recuperar minha primeira e mais valente orquídea. Em momentos assim, eu espero a tristeza passar para compreender o que os erros podem me ensinar. Quem sabe assim consigo cuidar melhor das plantas que ainda estão vivas – e garantir minha terapia por mais alguns anos.


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