Flor do dia: Sarracenia flava

Sempre gostei de carnívoras, mas só depois de ter essa Sarracenia flava é que me dei conta de como elas são de outro planeta. Todas as plantas que tenho em casa imploram por adubações periódicas, por isso, achei que com essa não seria diferente. Ledo engano.
Acontece que a Sarracenia ficava perto demais de umas orquídeas e, toda vez que eu ia adubá-las, acabava espirrando um pouco na carnívora. Com o tempo fui reparando que rarearam as armadilhas — simpáticos tubinhos cujo interior é tão escorregadio que impede o inseto de fugir. A folhagem ficou vistosa, mas cheia de folhas comuns, nenhuma capaz de digerir uma formiga em poucos minutos.
Assim que a haste dessa estranha flor começou a despontar, entrei na internet só para confirmar meu palpite: a flor é o fim de minha Sarracenia. É que as plantas carnívoras costumam viver sobre musgos e restos de folhas, em locais de contínuo encharcamento, onde a água leva consigo os poucos nutrientes que existem no substrato. Com isso, a planta está acostumada a buscar seus nutrientes nos insetos que captura. Se você aduba a monstrinha, ela fica mimada e para de se dar ao trabalho de lutar por comida.
Além disso, os produtores recomendam, só agora soube, que você impeça a planta de florir, cortando a haste tão logo ela apareça. Não entendo direito como a coisa se dá, mas a questão é que a planta morre assim que acaba a floração. Como é tarde demais para impedir minha Sarracenia, só me resta admirar esse estranho rebento que é seu réquiem. Que plantinha mais dramática, sô!
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