O tempo das coisas vivas

Faça um favor a si mesmo: se dê 5 minutos. Ah, vai cronometrar? Tudo bem, mas ainda não dispare o contador. Tem uma janela perto de você? Dê uma olhadinha nela – se puder, vá até ela. Eu espero.
Dê uma espiada no céu: ele está lá todos os dias, mas nunca é o mesmo. Mudam as cores, as nuvens, a textura. O mesmo acontece com as árvores, em lenta, silenciosa e contínua mutação. A gente passa tão correndo que nem se dá conta de que surgiu um broto, abriu um botão, caiu uma flor.
A paisagem toda pulsa, como se a natureza murmurasse ao nosso redor. Há sempre uma novidade para quem abre os olhos à contemplação. Para quem se permite uma paradinha. Nem que sejam cinco minutos. Ok, pode começar a cronometrar.
PS: A imagem que ilustra este texto é da exposição Expedição Extinção, do artista plástico colombiano Edwin Monsalve. Para representar plantas em extinção, ele usou clorofila em vez da tinta tradicional. Ao mesmo tempo em que alerta para a degradação dos habitats naturais dessas espécies, ele nos lembra como a natureza é efêmera: cada pintura ficará visível por no máximo 15 anos, quando, então, a clorofila terá desbotado completamente do papel.
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