Um dia de cada vez

Oi, meu nome é Carol e há três dias eu não pego uma caixa. Nem mesmo de fósforo. Ontem chegou um sedex numa caixinha de papelão, daquelas com a tampa presa de um lado. Eu quis ficar com ela. Quis muito. Era da altura exata da minha gaveta de meias e ficaria linda depois que eu a forrasse com um tecido bonito. Mas eu respirei fundo e agora estou aqui.
Meu histórico familiar não ajuda na minha recuperação. Minha mãe deve ter até hoje algumas caixas de presentes que ganhei quando era pequena. Toda vez que vai a um aniversário, ela pergunta se pode ficar com a caixa do presente. Às vezes, pega até a fita. Nem celofane amassado ela nega. Sei de uma caixa que já foi usa 8 vezes. Oito.
Passados trinta anos, o mantra de minha mãe — "Nunca se sabe quando a gente vai precisar" — virou o meu. Só que eu tenho acesso a muito mais caixas do que ela jamais teve em toda a vida. Recebo caixas de assessorias de imprensa para divulgar toda a sorte de roupa, livro, objeto para casa e badulaque que possa ser acondicionado entre as seis faces de um papelão ondulado. Nunca foi tão fácil alimentar meu vício.
Quando minha casa já estava tomada por tantas caixas que tinha de guardá-las desmontadas, mudei de vício. Passei a juntar as lindas fitas de cetim que envolvem os embrulhos. Hoje, tenho mais de uma centena delas, de cores, larguras e tamanhos variados. Eu simplesmente não consigo jogá-las fora. O vício ficou tão fora de controle que causou uma recaída: arranjei uma caixa para colocar todas as fitas. Uma caixa. Mal consigo dizer isso sem me emocionar.
Não sei quando estarei curada. Espero que meu relato possa ajudar outros ecodependentes a aceitarem que têm um vício que pode influenciar outras pessoas.
Obrigada por me ouvirem.
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Pegou o espírito da coisa, Emilio.
Meu vício já é de jogar tudo fora: papel, caixa, fita... não me convida pra sua casa sem esconder sua coleção, hein?
O engraçado é que eu sou totalmente desapegada de outras coisas, Ma: passo pra frente roupa, livro, CD, sapato, até mesmo planta. Mas caixa e fita...
Beijos.
Putz, pergunta difícil, Garfield. Mas acho que consigo responder em duas palavras: tudo amontoado!
No começo do ano, fiz um rapa nas minhas caixas e só ficaram umas duas ou três sem uso, porque não sou de juntar tralha sem motivo, hahahahaha. Há um mês, personalizei uma caixinha de sandália que ficou tão linda, mas tããããão linda que você nem acreditaria que não era forrada! Essa está na minha gaveta de meias. Ultimamente, venho notando uma quedinha por sacolas de papel. Estou tentando resistir, mas acho que o vício já me pegou: tenho uma dezena delas em casa. Não tenho cura, né?
Nhé. Falou a capricorniana mais virginiana que eu conheço...








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