A paz dos sapos
Entrei na piscina natural, apoiei meu livro na borda e fiquei lendo, a água fresca batendo na cintura. Em Pindamonhangaba (SP), o calor era tão abrasador que a única forma de sobreviver aos dias era se manter molhado. Não precisei nem de dois minutos para sentir uma coceirinha nas pernas. Olhei para baixo e vi que milhares de minúsculos peixinhos pretos me mordiscavam. Deviam estar entediados. Ou achando que eu era algo como uma minhoca gigante. Voltei ao livro e os deixei em paz.
Meu sossego durou até que uma das companheiras de viagem desse um berro enquanto apontava para minhas pernas: "Girinos!". Minha primeira reação foi pensar éca. Girinos viram sapos. Sapos são gosmentos. E comem moscas. Nem precisa ser craque em sofisma para ver aonde isso vai dar: girinos são nojentos. Asquerosos. Morféticos e piolhentos. Pra dizer o mínimo. Eca.
Mas girinos são os peixinhos dos sapos. São pequenos demais para dar medo, molhados demais para parecerem gosmentos e ainda não foram iniciados na estimulante dieta dos pais, de modo que não comem nada muito diferente do que qualquer peixinho. Voltei ao livro torcendo para a menina nos deixar em paz.
Isso foi há cinco anos. Depois de nadar com girinos, nunca mais tive nojo de sapo. Rãs costumam ser mais carismáticas, é claro, mas os sapos também têm seu valor. Lembro da música do sapo que não lava o pé. Gosto quando a letra reforça que ele "não lava o pé porque não quer". Esperto esse sapo. Decidido. Sabe o que quer e hoje, definitivamente, ele não vai lavar o pé. Não mesmo. Fim de conversa. Deixe o sapo em paz.

PS: O sapo da foto sofreu um retoque tabajara no Photoshop porque o flash da máquina o deixou com os olhos vermelhos. E ele evidentemente não permitiu um segundo clique, desaparecendo no meio do laguinho. Não pegaria bem fazer uma ode à saparia e postar um sapo demoníaco por aqui, certo?
PS do PS: Atendendo a pedidos, a versão demo.

E a leitura endemoniada do Michel: o "sapo de amoníaco"!

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Olha, Emilio, apesar de todo o meu discurso em defesa dos sapos, preciso concordar com você que a piscininha cheirava peixe, sim.
Eu sabia que não devia ter usado esse adjetivo! Eu sabia...
Beijos.
Coloquei o original no post, mas a versão do Michel ficou muito, muito melhor.
Sério que você preferiu sem os olhos energizados?
Ou uma coisa meio Storm, não? Ela fica bem bizarra quando se transforma.
http://www.arkade.com.br/wp-content/uploads/2009/12/bigdaddy.jpg
Beijos.
Aaaaaaafe...
Parece o monstrengo da Caverna do Dragão, não?
Hahahahaha, sensacional! Em Pinda não sei, mas posso escrever sobre como pousar tigres em Piracicaba!








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