Como braços de equilibrista

Ano novo tem cheiro de caderno em branco, borracha sem uso, lápis apontado. É como se a gente estivesse de volta à estaca zero, prontos para começar a fazer cagada. Ainda que em poucas semanas o caderno fique cheio de rasuras, a borracha, emporcalhada, e o lápis vire um toco, eu adoro essa sensação de frescor que só as novidades têm.
A novidade para a garota da foto foi mergulhar sem tampar o nariz. Enquanto eu almoçava num restaurante de Búzios (RJ), um grupo de oito animadas crianças se divertia no deck. O desafio era ver quem dava o salto mais diferente – os dois meninos mais velhos sempre ganhavam. Essa garota, já entrando na adolescência, era a única da turma que pulava tampando o nariz. As outras crianças não pareciam se incomodar com isso. Aliás, nem ela, que mergulhou e escalou o deck dezenas de vezes sem cansar.
Eu já tinha saído do restaurante e feito um monte de fotos da molecada quando vi que a garota se preparava para pular de novo. Preparei a câmera para uma foto de um ângulo diferente, nada mais. Mas o clique revelou o exato momento da novidade. Uma supresa para nós duas.
Posto essa foto para me inspirar na coragem da menina se 2010 resolver mostrar os dentes. Quando eu estiver à beira de arrancar uma folha do caderno ou tiver ganas de quebrar o lápis, poderei dar uma passadinha por aqui. E fazer de conta que tudo é possível.

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Dá um ar de liberdade, neh.
Wow, o logo deles é beeeem legal, né?
Beijo, um 2010 cheio de luz!
Para você também, moça!
Hehe, ótimo 2010 procê também, Renivaldo!
"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente…"
Outro poema que eu gosto bastante é "Esperança", do Mário Quintana (esse eu tenho certeza da autoria):
"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA..."
Ps: Sou mais um seguidor do Guindaste no Twitter. Eu uso muito pouco, entrei só por causa de um site que informa descontos em passagens aéreas pelo Twitter. Mesmo com o meu pouco uso, pelo menos saberei com mais rapidez dos textos novos aqui no Guindaste.
Puxa, que bacana esse comentário! Também não ligo para a autoria, desde que seja bom. Feliz 2010, Junior!
"Sobre o ano novo e essa idéia de recomeço tão comum a todos..."
Sussa, também costu engol frases ou palav...
Uêba!








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