Adivinhe onde está Vilmar
Que eu gosto de fotografar coisas estranhas, você provavelmente já sabe. Tenho uma coleção de fotos de portas e janelas e não posso ver um matinho se infiltrando por um vão no muro que já corro buscar a máquina. Ultimamente, tenho tido uma quedinha por pedras. Pedriscos caídos ao longo do asfalto. Pedras em formatos estranhos. E, claro, plantas nascendo sobre rochas, mas aí já incorro no vício antigo. Num passeio espetacular de barco em Arraial do Cabo (RJ), fotografei alguns rochedos esplêndidos, como este da foto abaixo.

Agora, imagine a minha surpresa ao abrir a foto no computador e descobrir que ela veio com um brinde – um biguá e seu felpudo filhote (que eu apelidei de Vilmar)! Os biguás (Phalacrocorax brasilianus) são aves insulares que realizam uma proeza de deixar muita gaivota de bico caído: eles conseguem submergir no mar atrás de peixes, o que explica seu outro nome popular, mergulhão.
Durante a viagem, vi muitos biguás nas praias, mas nenhum filhote. Depois, soube que eles fazem ninhos em rochas escarpadas, bem longe de olhos curiosos. São aves resistentes, que aguentam ficar quase um minuto embaixo da água sem respirar. Tanto virtuosismo cobra seu preço: com o tempo, o excesso de sal do mar deixa os biguás cegos, privando-os do sentido mais importante para a pesca. Depois de velhos, eles precisam disputar os restos deixados por pescadores. Nessas brigas, as gaivotas não metem o bico.
Não achou o Vilmar? Aqui está ele! Parece de pelúcia, não?

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Eles estão esperando ser colocados em um livro...
Parabèns!
Seja lá qual for a sua profissão descreve muito bem sobre animais: gatinhos cut, cut, formigas, pásssaros...
Feliz Ano novo!
Que em 2010 seus ojetivos e metas sejam alcançados.
Beijos.
Anny.
Hehe, difícil uma editora se interessar por algum desses rascunhos caóticos... Mas obrigada pela força de sempre, Anny!
Xí, acho que reduzi demais para colocar no blog...
Adorei o post.
Beijos.
Eu não vi quando fotografei, foi mesmo uma surpresa!
Fiquei entre Vilmar e Valdir. Ele não tinha a menor cara de Wally, né?
Acho que eles morrem bem antes disso, Mauricéia, de briga, falta de comida, dificuldade de procriação ou comidos por predadores – sem citar o fator H, claro, porque os seres humanos detonam o ecossistema deles, acabam com a comida e ainda constróem nas áreas de ninho. A natureza definitivamente não é fofinha...
Súplica do Rio
Ajoelhado
Na barranca do meu rio,
Hoje triste lavo roupa
Pra vestir a solidão.
O caniço de alfinete
Que eu pescava lambari...
São retalhos da infância
Transformados em saudade,
Que juntando fiz uns versos
Pra compor esta canção
Não deixem morrer meu rio,
Me ajudem por favor!!!
O biguá que mergulhava, já morreu
Água pé não dá flor.
Em momentos de angústia
Ao pensar estando só,
Vejo o rio da minha infância
A correr buscando o mar;
Sinto sede de água pura
Quando a “natureza” chora
No silêncio das barrancas
Me pedindo pra cantar
Não deixem morrer meu rio,
Me ajudem por favor!!!
O biguá que mergulhava, já morreu
Água pé não dá flor.
Vendo as águas poluídas,
Do meu canto faço reza,
A viola na cantiga
É meu templo de oração;
Quero-quero está morrendo
Pelas várzeas do meu campo,
O seu grito é um lamento
Suplicando neste chão
Não deixem morrer meu rio,
Me ajudem por favor!!!
O biguá que mergulhava, já morreu
Água pé não dá flor.
Que letra mais triste, né?








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