Por um jornalismo popular
Quando comecei a trabalhar em AnaMaria, depois de dez anos escrevendo para as classes A e B, senti um baque. Não só porque eu passaria a abordar os temas mulherzinhas dos quais eu tanto fugia – moda, dieta, beleza, novelas, celebridades –, nem por ter de me acostumar à explosão de cores e exclamações das capas. Descobri, já no primeiro texto, que seria preciso mudar até palavras e expressões que eu usava normalmente.
Hoje, quase dois anos depois do choque de realidade, escrevo matérias de moda sem vergonha nenhuma de orientar mulheres que não vestem 36 como as modelos das revistas. Sei decor as calorias de dezenas de alimentos, acordo dois minutinhos mais cedo para passar corretivo e blush e já nem confundo mais o Rodrigo Lombardi com o Marcos Pasquim. E, para felicidade das gráficas, a revista passou por uma brilhante reforma visual que extinguiu a profusão de cores e exclamações e deixou as páginas muito mais simples e bonitas.
Quanto ao texto, soube que nove em cada dez leitoras da revista não têm ensino superior (driblar as porcentagens também foi um aprendizado). A maioria malemá completou o médio e, embora tenha acesso a computador com internet, sua inclusão é feita aus trankos e barankus como eh d si sperah. Então, para que quase um milhão de mulheres possam ler e entender minhas matérias, "baixa auto-estima" vira "insegurança", "torta doce gelada" faz as vezes de "cheesecake" e o sempre detestável "disponibilizar" se transforma em "por" ou "colocar".
É sobre esse público generoso, acolhedor e carente de informações de qualidade que falei aos alunos de comunicação da Metodista. Na companhia de dois colegas de redação – Gustavo Curcio, editor de arte, e Alexandra Gonsalez, editora contribuinte –, pude compartilhar um pouco da minha mais nova paixão: o jornalismo popular. O vídeo da palestra está aqui.
PS: Como bem lembrou @renatofelix, agora você lerá o Guindaste "ouvindo" minha voz. PioR paRa você, que descobRiRá que ninguém nasce em PiRacicaba impunemente...
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Palavra de quem trabalhou cinco anos na Contigo!
beijão!
Ah, mexe não! Aqui tá tão bão...
Eu nem sei como fui ficar assim, sô: morei tão pouco tempo no interior...
2) ODEIO "disponibilizar", odeio palavra grande cheia de "i's". E não consigo falar "perspectiva", juro. Sempre finjo que estou espirrando na hora.
3) Imagina, seu "r" é fofinho. Já ouviu "r" de descendente de alemão? Horror. Aliás, deixa a palavra "horror" ainda mais assustadora. "Perspectiva" também.
Você devia fazer um post só de comentários absurdos deixados aqui. Eu ajudo a selecionar!
Confesso e assumo alguns dos preconceitos que você manifestava, e reconheço que há muito a aprender.
Belo post! =)
Beijos.
Eu também reconheço isso, Renato. Só o tempo consegue derrubar esse monte de ideias preconcebidas que a gente tem acerca de tudo, né?
Sei exatamente o que vc está falando...
Aqui no consultório (sou psicóloga) atendo desde as classes mais altas, que chegam por indicação e são pacientes particulares até aquelas pessoas que são indicadas pelos médicos e vem pelo convênio... estas pessoas se eu falar o psicologuês sairão daqui pior do que entraram... rs
Mas é muito gratificante poder fazer com que estas pessoas tenham acesso a um tratamento dígno, que de outra forma jamais cnseguiriam.
As vezes tenho que falar em metáforas para eles entenderem.. rs
Bjs
Acho isso brilhante, Nana. De verdade. Qualquer profissional que faça um esforço real para se aproximar de seu interlocutor merece aplausos. Já demos mais de uma vez matéria na revista explicando para a leitora que ela tem de entender o que o médico diz numa consulta, que não precisa ficar com medo de fazer perguntas e que o "dotô" não é deus. Muitos médicos falam jargões sem querer, pela simples ingenuidade de que os termos técnicos instruem. Mas se esquecem de que é preciso pular muitos degraus para que um paciente com baixa escolaridade entenda um nome técnico ou um procedimento elaborado. Sem falar que muita gente fala difícil só para mostrar que tem conhecimento, quando na verdade não comunica nada efetivamente. A Academia está cheia de gente assim. É uma pena...
ChaRmoso? Tem ceRteza?
Onde anda o Guindaste? Não acesso + pelo IG.
Não sou assinante da Revista, mas acesso pelo site e é leitura agradável, matérias interessantes e bem escritas. O que existe é um certo preconceito do pessoal + graduado em assumirem que também gostam da leitura.
Abs.
Direto ao ponto, Ana Maria! Parabéns!
Registradíssimo, moço!
Então somos quase colegas de profissão, é? Se bem que, agora, você não precisa de diploma para exercer.
Hehe, obrigada, Nine!
Valeu, Ricardo! Depois dessa, quase me animo a fazer mais videozinhos...
Visitem meu blog quentinhadanet.blogspot.com =X
Valeu, Hugo. Blog visitado.









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