Gente estranha
Não é que eu seja pararraio de gente estranha, mas foi só pisar na doceria para dois garotos trocarem risadinhas. Chequei meu reflexo na vitrine para ver se o vento não tinha me deixado com o topete da Amy Winehouse. Nada. Respirei fundo e pedi meu brigadeiro com morango.
As pessoas sentem um misto de pena e desdém por quem almoça sozinho. Já estou acostumada a ser vista como alguém que só pode ser insuportável, carente ou uma chata de galocha para não ter nenhuma companhia durante as refeições. Mesmo assim, adoro comer sozinha. Faço isso sempre que ando sem inspiração para escrever. É meu segredinho para ter ideias de textos.
Fui para o caixa e um rapaz em outra mesa ficou me olhando. Eu devia estar com alface no dente. Ou aquelas rodelonas monstras de suor. Vai ver, esqueci o zíper da blusa aberto – como já aconteceu e só descobri ao ser avisada pelo porteiro, saindo de casa.
O que podia ser tão chamativo que faria as pessoas me olharem estranho? Feijão no dente? Meleca de nariz? Calça branca manchada de vermelho? Molho de tomate na camisa?
O rapaz levantou e foi direto para o caixa. Já estava saindo quando ele me segurou pelo braço, me encarou e disse: "Você acredita em amor à primeira vista?".
Ah, sim, claro. Eu sou mesmo pararraio de gente estranha.
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Mas não é melhor descobrir que vc inspira amores malucos do que descobrir que tinha um feijão no dente e estava sorrindo toda faceira?
Amores malucos ou feijão no dente? Decisão difícil, hein? Posso pedir ajuda dos universitários?
Boa essa, hein.
Também não acredito nesses amores não.
Bj
Eu sempre achei que esse tipo de gente só existia na literatura!
Era ou ele ou um feijão no dente, beibe.
Se ele não tivesse segurado no meu braço, eu teria certeza de que não era comigo... Afe, Garfield!
Essa é boa!!!
Também não vejo problemas em almoçar sozinha.
Precisamos almoçar sozinhas no mesmo lugar dia desses, hein?
Bonitinho? Meu pavor não me permitiu registrar, Nine. Ei, precisamos mesmo marcar nosso encontro, né?
Huahuahuahuahuahua, adorei o sentimento de classe, Junior!
(Competição de cantadas cretinas, mais alguém?)
(Não achei uma carinha de espanto boa o bastante para colocar aqui...)
Na verdade, ele é fruto de conjunturas unilaterais que redimensionam a relação espaço-tempo na linearidade do ser.
Você já sabe que adoro seus textos.
Eles são sempre uma fonte de ispiração para mim.
Beijos.
Anny
*Tem Carol no Twitter?
@Annyllinha
Xí, Anny, então você não faz ideia de como está andando com más influências, hehehe... Já te sigo no Twitter, menina!
Mas que elogio mais chique, Luis Antonio! E justo pra essa plebeia aqui, tsk, tsk...
Ô, se anima! (Que os homens não nos ouçam!)
bjinho!
Ahh, e uma cantada, por mais ordinária que seja, dá uma amaciada no ego, né..
Oba, leitora nova!!! Cinthia, entra, senta, fica à vontade. Vou ali passar um cafezinho e já volto. Açúcar ou adoçante?
Eu adoro almoçar só, pois assim consigo devorar os meus livros ou minhas revistinhas de palavras cruzadas. Sei q tem gente olhando, mas (como diz a música da lavagem cerebral) tô nem aí!
Ser pararraio de gente estranha as vezes pode ser fofo ou dar de cara com um psicopata, mas depois rende um texto e não deixa de ser engraçado =)
Puxa, eu preciso urgentemente de um psicopata (mas tem que ser fofo)!
Hahahahahaha, mas tem razão, Morandini, fica muito bizarro. Estou tentando absorver aos poucos a nova ortografia, porque eu fujo o quanto posso de escrever heroico ou ideia.
E eu dos seus comentários!
Eu dou sorte de encontrar com loucos do bem, Felipe. Eles sempre me rendem boas histórias.
Opa, valeu. Essa mudança ortográfica ainda vai me obrigar a fazer muita revisão nos posts, já vi tudo...
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