O craque de cinco vidas
Se gato tem mesmo sete vidas eu não sei, mas que o Ronaldo já gastou duas, isso eu posso provar. Aos três meses, teve a cabeça prensada por uma porta de madeira de 100 kg. Aos cinco, levou um pisão de cavalo e quebrou a pata. Achei melhor impedi-lo de usar mais vidas e levei-o ao veterinário antes que ele pulasse de uma janela ou se atirasse na frente de um carro.
Durante os 11 km que separam a hípica do hospital veterinário, Fenômeno foi ronronando na caixinha de transporte: brincou com meu cabelo, mordeu o próprio rabo e deixou a perna quebrada em várias posições medonhas e impossíveis para ossos em seus devidos lugares.
Na clínica, passei aquela vergonha quando a atendente perguntou o nome do paciente. “É Ronaldo, moça. Mas eu juro que não tenho nada com isso. Foram os tratadores da hípica que deram esse nome para ele...” Ela se inclinou para olhar dentro da caixinha. “Ele é gordo?” A noite prometia.
Uma hora depois, Ronaldo ensaiava seus dribles em casa, a perna ruim presa numa tala desproporcional que deixou o vira-lata alvinegro mais pra Garrincha. “Fica quietinho que mamãe já vem”, e fechei a porta. Enquanto buscava capacete, corda, luvas de boxe e checava se é possível alugar escafandros para dar remédio a um gato, meus outros bichanos montaram guarda em frente à porta da lavanderia. Hipnotizados de ciúmes, nem se mexiam.
Reuni a maior quantidade de apetrechos anti-mordidas e arranhões que eu tinha em casa e levei para a lavanderia. Assim que abri a porta, Ronaldo veio manquetolando alegremente, arrastando a pata quebrada e um monte de esparadrapos subitamente imundos, babados e mordidos. Não precisou nem de dez minutos para arrancar a tala que o veterinário levou outra meia hora para refazer, agora envolvendo todo o corpo do pestinha.
Enquanto dirigia de volta para casa, ia pensando em todos os impropérios que falaria antes de dar cartão amarelo para o mocinho. Mas assim que abri a caixinha, mudei de ideia. Enrodilhado em seu corpinho famélico, Ronaldo dormia o sono dos craques. É, foi gol.

PS: Este post é uma homenagem à jornalista "coração de pudim" Bia Levischi e suas deliciosas crônicas de bigodes do Gatoca.
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E um viva também para os Pepsis, que agitam a vida da gente!
E sabia que em outros lugares o número de vidas do gato são 9?
Nove? Santodeus! Se o demônio já pinta e borda só com uma, imagina do que não seria capaz se tivesse nove vidas? Afe!
Não estou preparada para ser mãe, né?
Mas toma conta mesmo pra ele não gastar as outras cinco vidas!!
Ai, Má, nem me fale... Não poderei ficar com o danadinho, por mais insuportavelmente fofo que ele seja: Omblogsman, que não gosta de bicho em casa, já dá a luz com os meus três. Quase infartou quando eu falei em quatro...
Mago, o Ronaldo foi abandonado no muro da Hípica, onde faço aula de equitação. A despeito do nome que deram pro coitado, os tratadores cuidaram do gatinho o melhor que puderam, mas eu sempre soube que a Hípica não é um bom lugar para um filhote: são trezentos cavalos zanzando diariamente por lá, mil e duzentas pernas poderosas para dar um coice, isso sem contar nos fatores humanos. Com três meses, o gatinho estava brincando perto de uma das baias e um dos cavalos puxou a porta quando o bichinho passava pela fresta. A porta é super pesada, de madeira maciça, feita para aguentar o impacto de um coice. Imagina o estrago. Por pouco Ronaldo não perdeu a visão, ficou sem os movimentos das pernas ou teve alguma sequela neurológica. Aí, dois meses depois, ele resolveu escalar uma certa "árvore" branca e peluda que estava dando sopa. Assim que sentiu as unhas, o cavalo deu um chega-pra-lá no fedelho, que caiu todo torto e quebrou um dos ossos do antebraço (o rádio, justo o que é mais forte). Os tratadores achavam que o cavalo pisou no Ronaldo, mas eu duvido muito, porque isso teria realmente esmigalhado os dois ossos juntos. Enfim, trouxe o mocinho para minha casa enquanto ele é obrigado a usar tala, mas, daqui a uma semana, preciso de um lar novo para ele, senão, ele terá de voltar para a Hípica. Só Deus sabe quantas vidas ele ainda pode gastar... Se puder, por favor, divulgue que ele está para adoção, para alguém de São Paulo que tenha tela nas janelas. Entrego vacinado, vermifugado e castrado (e engolindo o choro, porque ele é uma coisa de fofo).
O outro tem que agüentar o Galvão Bueno, hghjjklkl.
Hahahahaha, genial!
Qto a Beatriz, fui visitá-la no post e gostei muito das histórias. Justa homenagem.
Abs.
Ah, quando eu crescer, quero ser a Bia.
Mas eu juro que não fui eu quem deu o nome!!! E, ultimamente, ele está muito mais para Demônio das Tazmânia do que para Ronaldo...
Isso é muito injusto, de fato; os gatos já vêm equipados pela natureza para inspirar simpatia automática.
Acho que é uma válvula que nasce com todos os filhotinhos, Michel. Até bebês-orangotangos ficam fofinhos.
Eu amo o blog da Bia! Eita coraçãozão de pudim aquele, né?
Eu também amo o blog da Bia. O pudinzinho escreve bem demais, né?
Bjs
Nossa, sou tão desligada de futebol que, naprimeira lida, achei que você estava falando de algum remédio... Afe!








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