Aqui tem um bando de louco
Tentei chamá-lo de Google. É que depois de 15 dias em minha casa, ele achou várias tralhas que eu dava por perdidas: três grampos, dois clipes, um botão que caiu de uma camisa querida e um elastiquinho de cabelo que quase virou lanchinho. Embaixo do sofá, atrás da geladeira, na lateral do fogão – não tem um vão que já não tenha sido visitado pela fera da pata engessada.
Quando ele sumiu, arrisquei o nome novo. "Google? Google? Gúúúúúúgol!" Silêncio. "Ai, Ronaldo, cadê você? Não some que eu fico preocupada..." Debaixo do armário da cozinha, desponta a criaturinha que é só pernas (uma com tala), rabo e olhos, os bigodes cheios de poeira. "Tá bom, Rô, não mudo mais seu nome." Ele vem se enroscar entre as minhas pernas.

E eu ainda tenho que me segurar para não me apaixonar pelo gatinho que precisa, urgentemente, de um novo lar... Quem se habilita a treinar o craque? Entrego vacinado, vermifugado, castrado – e com torcida fiel.
3 maneiras de conseguir um tempo só para você*
O mundo hoje anda tão corrido que já existe uma moeda que vale mais do que qualquer cartão de crédito: o tempo. Ele é necessário para você se concentrar no trabalho, dar atenção aos filhos, se dedicar ao marido, cuidar da casa e até mesmo estudar. O problema é que, com tantos afazeres, nunca sobra tempo para... você! Aí, fica difícil fazer tudo isso de alto astral, né? Aqui vão três jeitinhos espertos de conseguir um precioso tempinho só para você:
- Conte com a força da família
Deixe que seu marido e filhos lhe dêem uma mãozinha. Eles podem se responsabilizar por pequenos afazeres, como colocar os pratos na mesa ou tirar as roupas do varal. Isso é muito educativo para as crianças.
- Cozinhe em grandes quantidades
Tire um dia da semana para fazer aquelas receitas práticas que rendem bastante. Congele os pratos em porções para uma refeição e vá usando aos poucos. Assim, você não precisa cozinhar todos os dias.
- Crie o Dia do Mimo
Que tal tirar umas férias de 24 horas?Uma vez por mês, você tem o direito de ficar de papo pro ar: é o Dia do Mimo. Combine a data em família para que cada um tenha seu próprio dia para ser mimado.
*Texto originalmente publicado na revista AnaMaria.
Gente estranha
Não é que eu seja pararraio de gente estranha, mas foi só pisar na doceria para dois garotos trocarem risadinhas. Chequei meu reflexo na vitrine para ver se o vento não tinha me deixado com o topete da Amy Winehouse. Nada. Respirei fundo e pedi meu brigadeiro com morango.
As pessoas sentem um misto de pena e desdém por quem almoça sozinho. Já estou acostumada a ser vista como alguém que só pode ser insuportável, carente ou uma chata de galocha para não ter nenhuma companhia durante as refeições. Mesmo assim, adoro comer sozinha. Faço isso sempre que ando sem inspiração para escrever. É meu segredinho para ter ideias de textos.
Fui para o caixa e um rapaz em outra mesa ficou me olhando. Eu devia estar com alface no dente. Ou aquelas rodelonas monstras de suor. Vai ver, esqueci o zíper da blusa aberto – como já aconteceu e só descobri ao ser avisada pelo porteiro, saindo de casa.
O que podia ser tão chamativo que faria as pessoas me olharem estranho? Feijão no dente? Meleca de nariz? Calça branca manchada de vermelho? Molho de tomate na camisa?
O rapaz levantou e foi direto para o caixa. Já estava saindo quando ele me segurou pelo braço, me encarou e disse: "Você acredita em amor à primeira vista?".
Ah, sim, claro. Eu sou mesmo pararraio de gente estranha.
Mãe, eu quero brócolis!*
O aviãozinho decola cheio de nutrientes, mas seu filho não abre o aeroporto nem pra rir? É, fazer a criançada comer direito não é tarefa simples... Se você está cansada de jogar no lixo a comida gostosa que colocou no prato do seu filho, não se desespere. Três em cada 10 crianças de 4 a 5 anos comem mal e ingerem mais calorias no lanche do que nas refeições. Aqui vão algumas dicas para fazer a molecada engolir o aviãozinho:
- Faça uma pausa antes de comer
Descansar por 15 minutos antes de sentar à mesa melhora o paladar.
- Evite líquido durante a refeição
Sucos e refrigerantes enchem o estômago e deixam a digestão lenta.
- Desista da chantagem
Nada de punições ou chantagens: comer tem de ser uma coisa agradável.
- Não carregue no tempero
Nem ofereça alimentos muito quentes, frios demais ou de difícil mastigação.
- Coma no mesmo horário
E não sirva porções grandes: um pouquinho por ver funciona melhor.
- Não insista nos rejeitados
Se ele provou algum alimento que não gostou, troque por um similar.
*Texto originalmente publicado na revista AnaMaria.
O craque de cinco vidas
Se gato tem mesmo sete vidas eu não sei, mas que o Ronaldo já gastou duas, isso eu posso provar. Aos três meses, teve a cabeça prensada por uma porta de madeira de 100 kg. Aos cinco, levou um pisão de cavalo e quebrou a pata. Achei melhor impedi-lo de usar mais vidas e levei-o ao veterinário antes que ele pulasse de uma janela ou se atirasse na frente de um carro.
Durante os 11 km que separam a hípica do hospital veterinário, Fenômeno foi ronronando na caixinha de transporte: brincou com meu cabelo, mordeu o próprio rabo e deixou a perna quebrada em várias posições medonhas e impossíveis para ossos em seus devidos lugares.
Na clínica, passei aquela vergonha quando a atendente perguntou o nome do paciente. “É Ronaldo, moça. Mas eu juro que não tenho nada com isso. Foram os tratadores da hípica que deram esse nome para ele...” Ela se inclinou para olhar dentro da caixinha. “Ele é gordo?” A noite prometia.
Uma hora depois, Ronaldo ensaiava seus dribles em casa, a perna ruim presa numa tala desproporcional que deixou o vira-lata alvinegro mais pra Garrincha. “Fica quietinho que mamãe já vem”, e fechei a porta. Enquanto buscava capacete, corda, luvas de boxe e checava se é possível alugar escafandros para dar remédio a um gato, meus outros bichanos montaram guarda em frente à porta da lavanderia. Hipnotizados de ciúmes, nem se mexiam.
Reuni a maior quantidade de apetrechos anti-mordidas e arranhões que eu tinha em casa e levei para a lavanderia. Assim que abri a porta, Ronaldo veio manquetolando alegremente, arrastando a pata quebrada e um monte de esparadrapos subitamente imundos, babados e mordidos. Não precisou nem de dez minutos para arrancar a tala que o veterinário levou outra meia hora para refazer, agora envolvendo todo o corpo do pestinha.
Enquanto dirigia de volta para casa, ia pensando em todos os impropérios que falaria antes de dar cartão amarelo para o mocinho. Mas assim que abri a caixinha, mudei de ideia. Enrodilhado em seu corpinho famélico, Ronaldo dormia o sono dos craques. É, foi gol.

PS: Este post é uma homenagem à jornalista "coração de pudim" Bia Levischi e suas deliciosas crônicas de bigodes do Gatoca.
A arte de fazer pazes*
Sabe aquele dia em que você acorda com a pá virada, sai da cama do lado errado e pisa no chão com os dois pés esquerdos? É só uma questão de tempo para brigar com o primeiro que aparecer na frente... O pior de tudo é que, depois que a irritação passa, é tão difícil fazer as pazes, né? Para voltar a viver em paz com quem você ama, confira o passo-a-passo de como acertar as contas e não deixar nenhuma mágoa:
1º passo – Descubra a hora certa
Deixe passar o tempo necessário para as duas partes esfriarem a cabeça. Lembre-se que para tentar uma reaproximação é preciso tranqüilidade.
2º passo – Comece com carinho
Um carinho na mão, um abraço ou um beijo no rosto quebram qualquer clima chato e podem dar início a um diálogo com mais sensibilidade.
3º passo – Ceda um pouquinho
Não repita o discurso de antes e não tente ver quem tem razão. Não precisa concordar com tudo: você cede daqui, o outro cede de lá, e vocês se entendem.
*Textos originalmente publicado na revista AnaMaria.








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