O Carandiru dos bichos
Cachorros atropelados, gatos procriando loucamente, animais revirando o lixo e espalhando doenças – todo mundo sabe que lugar de bicho não é nas ruas e sim numa casa quentinha, com uma família carinhosa, responsável e dedicada. Apesar disso, milhares de cães, gatos (até coelhos, cavalos, lagartos e tartarugas) são abandonados, aumentando a população de animais indigentes. A solução é a carrocinha, certo?
Bem, não do jeito que as coisas estão. No Centro de Controle de Zoonoses, a popular carrocinha, os bichos recolhidos acabam morrendo de fome, feridas, vermes ou puro descaso, mesmo. O volume de animais abrigados costuma ser muito maior do que a capacidade do lugar, resultando em uma cena de prisão como nos piores momentos do Carandiru. Será que nascer cão ou gato é crime?
Para mudar essa triste situação, voluntários e ONGs de proteção aos animais – Instituto Nina Rosa, Adote um Gatinho, Quintal de São Francisco, Gatoca, entre outros – estão organizando uma manifestação em frente à carrocinha de São Paulo. O encontro será nesta quarta-feira, dia 29, às 13 horas, na rua Santa Eulália, 86, Santana, São Paulo.
Será por coincidência que o lugar fica justamente em frente ao metrô Carandiru?
A era dos pensamentinhos micros
"Tem gente que pensa que está no armário, mas está numa cristaleira: tá todo mundo vendo..."
Imagine alguém que acaba de descobrir que existe celular, orkut ou, sei lá, TV em cores. Me sinto assim desde que fui apresentada ao Twitter.
"Primeira tarefa ao chegar em casa: molhar as plantas. É o que você ganha quando passa dos 100 vasos. Agora já são 51 orquídeas!"
Tá bom, é mais um site para ver e ser visto. Verdade. Mas o narcisismo tem limite: 140 toques. Só valem pensamentinhos curtos. Como estes.
"Com uma unha de cada cor porque as meninas da redação resolveram testar em mim os lançamentos de esmaltes que acabaram de chegar..."
É como se misturassem o Orkut com o msn e botassem tudo em pílulas. E, como muitos comprimidos, é completamente viciante. Adorei!
"Os pernilongos não me deixam continuar. 34 comentários terão de esperar até amanhã. Licença que eu vou comer founde de queijo no friozinho."
E adoro o potencial que tem: subo links de posts e de comentários respondidos, que encaminho aos autores. Me sinto tão perto das pessoas!
"Acordei com um barulho na varanda. Fui seca achando que era sanhaço e acabei espantando a primeira maritaca visitante. Como é verde, nossa."
Se quiser papear, estou aqui. E já aviso: a próxima Promoção do Post Laranja será maquiavelicamente arquitetada por lá. Me aguarde...
"De tanto jogar Lara Croft com o iTunes no repeat, não posso ouvir Wagner Tiso que fico com vontade de botar shortinho e sair dando tiro..."
A impostora
– Você é virginiana?
– Sou. Você também?
– É. De que dia?
– 12.
– Ulha, eu também! É virgem beeeem virgem, né? Revistas organizadas por ordem de tamanho, livros com lombadas alinhadas...
– Embalagens com o rótulo para a frente, guarda-roupa dividido por cor. Vem ver minhas meias.
– Wow! Nunca pensei em usar a palheta de Newton para organizar as cores... Muito científica sua gaveta de meias. As minhas estão na ordem do arco-íris.
– E como você resolveu o lugar das pretas e brancas?
– Não compro.
– Boa.
– E sei onde está cada peça de roupa, grampo de cabelo ou remédio.
– Ah, eu também. Consigo fazer minha mala de viagem ditando para alguém pelo telefone: "Pega o pente na segunda gaveta do banheiro, do lado esquerdo, atrás da caixinha de elásticos; o biquini na terceira gaveta da cômoda, no meio, entre a canga e os cachecóis..." e assim vai.
– E a carteira?
– Arrumo por valor.
– Notas maiores atrás, certo?
– Ah, lógico. E bichos virados pra frente.
– Bichos virados pra frente?
– É. Do maior pro menor, com bichos virados pra frente.
– Impostora!
Já não sou mais a mesma
É, nem eu sei como tenho a desfaçatez de dar as caras aqui depois de quase um mês de jejum. Mas a verdade é que eu já não sou mais a mesma Carol de antes. A transformação veio devagar, sem eu perceber. Assim, de mansinho, como cabelos brancos sorrateiros, que lhe saúdam na maior animação quando você muda a franja de lado. Quando você se dá conta, a coisa já tomou conta da sua vida.
Os 27 fios de cabelos brancos diligentemente arrancados não foram nada. Na semana seguinte, a Val me liga no trabalho. "Carol, você quer notícias fresquinhas, é isso?" Com a cabeça sabe-se deus onde, guardei o jornal na geladeira. "E, deixa eu ver... ah, sim, a caixinha com o leite você deixou debaixo da pia, junto com o lixo reciclável." E ainda era uma segunda-feira.
Dias atrás, fiquei cinco minutos parada na garagem, tentando entender por que não conseguia colocar a chave na ignição. Se você tentar fazer isso com o pino do cinto de segurança, vai ver que é uma coisa realmente difícil, mas a proeza maior foi prender a chave na trava do cinto de segurança e levar mais uns cinco minutos para desentalar o troço todo.
É por essas e outras que tenho olhado duas vezes para o tubo de pasta de dentes e desconfiado do que pode sair de dentro das minhas gavetas. Afinal, nunca se sabe onde eu posso ter colocado a bisnaga de superbonder, o rolo de papel higiênico ou um gato surpreso.
PS: Texto em homenagem ao TiagoGo e ao AperteoAlt, que me deram o empurrão para acabar com o jejum!
3 motivos para estourar uma pipoquinha*
Cinema, um capítulo imperdível da novela, um bom filme no sofá da sala ou mesmo o lanche no meio da tarde. Não importa qual é sua desculpa, todas essas situações combinam com um baldinho de pipoca! Feita no microondas ou estourada na panela, ela deixa a família toda feliz: os filhos agradecem, o marido petisca e você, claro, se esbalda. Veja só quantos bons motivos para promover uma sessão-pipoca em casa:
- Reduz sintomas da TPM
Uma mulher deve consumir, diariamente, 300 gramas de magnésio – e pipoca é riquíssima nesse mineral! Para ter uma ideia, um pacotinho de 100 gramas tem 97 gramas de magnésio, que tem efeito relaxante e anti-TPM.
- Faz bem para a digestão
Por ser um alimento rico em fibras, a pipoca estimula o bom funcionamento do intestino e previne a prisão de ventre. Quem come um pacotinho de milho estourado ingere até oito vezes mais fibra durante o dia.
- Ajuda na dieta
Se você usar pouco óleo na preparação e não abusar muito da manteiga, a pipoca não fica calórica. Para isso, evite a pipoca de microondas e estoure o petisco na boa e velha panela. É sua garantia de não comer gordura trans!
*Texto originalmente publicado na revista AnaMaria.
Experimente fazer a ginástica das preguiçosas!*
Quer perder uns quilinhos? Pode perguntar para qualquer mulher – até para as magras! – e a resposta será sempre a mesma: sim! Só que na hora de mudar a alimentação ou começar a malhar, dá aquela preguiça... Se você faz parte do time das que querem emagrecer, mas precisam de uma forcinha, aqui vão três dicas de exercícios leves, mas que têm grande impacto no corpo e na disposição. São perfeitos para as preguiçosas, veja só:
Use cesta no supermercado
Se o mercado fica perto da casa, vá a pé. Durante as compras, troque o carrinho pelo cesto: faz bem para os músculos e para sua conta bancária!
Corrija a postura
Ao caminhar, contraia a barriga e o bumbum. Além de melhorar sua postura, a medida fortalece músculos do abdômen e das nádegas.
Faça as claras na mão
Vai fazer um bolo ou uma omelete? Bata as claras com um garfo. Ao espremer frutas ou picar gelo você também combate a flacidez nos braços.
Desça um ponto antes
Se você está acostumada a pegar sempre o mesmo ônibus para ir ao trabalho ou voltar para casa, desça um ponto antes e caminhe o restante.
Esconda o controle remoto
Da TV, do som, do DVD, do rádio... Esconda os controles remotos, levante-se para mudar de canal ou aumentar o volume e queime mais calorias!
Caminhe ao falar ao telefone
Você vai parecer meio louquinha, mas caminhar enquanto conversa
*Texto originalmente publicado na revista AnaMaria.
Pratique a terapia do abraço*
Poucas coisas na vida são tão gostosas quanto dar e receber um abraço apertado, daqueles que parecem envolver até a alma. Um abraço muitas vezes vale mais do que palavras e tem poderes fantásticos sobre a saúde e o bem-estar. O abraço acalma, alivia a dor e transmite conforto, segurança, carinho e respeito. A verdade é que o abraço funciona como uma ponte de energia entre as pessoas. Que tal construir algumas pontes abraçando quem você ama?
- Apaixone-se novamente
Essa ponte é sustentada pela paixão e pela cumplicidade. Aproveite! Ficar coladinha com o marido, noivo, namorado ou paquera não tem preço.
- Dê um abraço-sanduíche
É bom demais, não é? Se tiver mais de um filhote, vale até um abraço-sanduíche: agarre todos de uma vez!
- Dê colo ao seu bicho de estimação
Esse abraço vem com um bônus: enquanto você oferece afeto, ganha lambidas e aquela carinha de satisfação.
*Texto originalmente publicado na revista AnaMaria.
Na torcida inimiga
— Filha, você ainda está com aquela coisa da carne?
— Tô, mãe. Ainda sou vegetariana.
— Ah...
— Por quê?
— É que eu fiz umas brajolas para te levar. Lembra, filha, aqueles bifes a rolê que você adorava? Que vivia pedindo para eu fazer?
— Sei.
— Aqueles bifes cheirosos, que você ainda fazia questão que eu enchesse com bacon, lembra?
— Hã-hã.
— Que eu passava a tarde toda enchendo para você e depois tirando a linha, para eles não se desembrulharem enquanto cozinhavam...
— Para, mãe! Isso é golpe baixo! Por que você está me dizendo isso?
— É que eu anotei aqui no meu calendário que hoje faz um ano que você parou de comer carne.
— Sério? Pra quê?
— Ah, filha, é que eu me importo muito com suas conquistas.
— Faz de conta que eu caio nessa.
— Ok, eu e sua irmã fizemos uma aposta de que você não aguentaria um ano. Quer dizer, ela apostou um mês, mas como eu sei que você é cabeça-dura, chutei um ano.
— Sabia! E se ferraram, porque eu continuo tão vegetariana quanto no dia 2 de abril de 2008, lálálálálááááá!
— Não seja infantil, Carolina.
— EU? Vocês duas jogam baixo nas minhas costas, tramam contra meus esforços, boicotam a natureza e ainda tenho de ouvir que eu sou criança?!?
— Vai dizer que não ficou com água na boca?
— Sacanagem, mãe!
— Eu só penso no seu bem, filha! Vai acabar com anemia desse jeito!
— Olha aqui, dona Maria: eu nunca estive tão saudável em toda minha vida. Me sinto disposta, estou com todos os exames de sangue em dia e minha digestão nunca foi tão maravilhosa, tá?
— Você morre de saudades, né?
— Morro.
— Eu sabia. Mas não vai comer mais, né? Hoje, por exemplo, é um bom dia para se comer um bife a rolê da mamãe.
— Não.
— Droga, perdi mesmo a aposta...
PS: Post em homenagem à Denise Rangel, que vai experimentar 30 dias como vegetariana. Está no quarto dia e quase pulou no pescoço de um aluno. Dê, há vida após o bife, eu juro!
O bebê lindo da Filó
Antes que você pense coisas erradas a meu respeito, saiba que não, eu não sou uma pessoa que fala com plantas. Aliás, nem com bichos, exceto quando a criatura é um gato gordo e teimoso que insiste em me acordar de madrugada. Eu e os outros seres vivos não humanos nos comunicamos até que bem – mas sem palavras.
Quando a Filomena chegou, achei que as coisas continuariam como sempre foram. Mas, depois de duas semanas se preparando para sua estréia no mundo, um botão da orquídea finalmente abriu. Assim, bem na minha cara. Foi como se eu fosse a única testemunha de um milagrinho banal da natureza.
Peguei o vaso da Filó e levei a mocinha para uma ducha caprichada, com direito a lavar até atrás das orelhas, er, digo, folhas. E foi nessa empolgação que fui descoberta, de repente, pela moça do café.
– Você estava falando com a planta?
– Eu?
– É. Entrei e ouvi alguma coisa sobre "o bebê lindo da Filó"...
- Filó? Que Filó?
– Ahhhh, ficou com vergonha! Não precisa, eu também falo com as plantas.
– Não conta pra ninguém?
– Fica fria.
– Ai, que bom... Então, vamos embora, Filó. Diz tchau pra moça.
Chacoalhei a ponta de uma folhinha e fomos embora.









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