Pano pra manga*
Desde criança que eu adoro um pano. Uma das lembranças mais antigas de minha infância é de quando minha mãe me levava com ela à modista — o nome vintage para costureiro, que é vintage de estilista.
Dona Odete morava num prédio com elevador pantográfico, o que já me garantia cinco minutos de alegria. Enquanto minha mãe conversava sobre cortes e prazos, eu me jogava nas pilhas de retalhos, me escondia no meio dos rolos de tecido e, não raras vezes, saía chorando, um alfinete espetado na perna.
O tempo passou, mas pouca coisa mudou na minha paixão por panos. Ultimamente, dei para encapar qualquer coisa com eles: caixas, molduras de espelho, fundos de gavetas, capas de cadernos. Sem ter o que presentear a uma amiga, forrei um vaso dos mais simplórios com um tecido lilás floridinho e plantei uma muda de arruda, erva que traz sorte e espanta mau-olhado. Enfeitei com uma larga fita de veludo verde pistache e fiz um cartãozinho à mão. Ela amou.
Com pano ou não, chique, hoje, é botar as mãos à obra e fazer um presente artesanal. No mínimo, você garante algumas horas longe do estresse e do consumismo. Experimente!
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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