A tecnologia na onda verde - 1*
Bário, berílio, cádmio. Qualquer pessoa que não seja um químico sabe pouco sobre esses elementos – exceto, talvez, que eles constam da velha tabela periódica do colégio. Embora pareçam exóticos e pouco usuais, esse e outros metais pesados estão na maioria dos equipamentos eletrônicos tão abundantes em nosso cotidiano. São eles que fazem baterias de celular durarem mais ou impedem computadores de explodir.
Enquanto são novas, máquinas e outros instrumentos tecnológicos costumam nos causar poucos danos — nada muito além de estresse ou irritação. Mas, quando viram sucata, se acumulam em aterros ou são incinerados, os eletrônicos revelam funções que não estavam especificadas no manual de instruções: seus metais pesados se decompõem contaminando o solo, o ar e a água e podem causar problemas de saúde que vão da má formação de bebês a graves seqüelas neurológicas, falência dos rins e câncer.
Por trás de computadores parcelados em 24 vezes, celulares gratuitos, tocadores de mp3 cada vez mais potentes e outros cacarecos eletrônicos vendidos a preço de banana está uma tecnologia barata, descartável e tóxica. Para se ter uma idéia do tamanho do problema, segundo o Greenpeace, a cada ano são descartadas 50 milhões de toneladas de chips, circuitos, placas, computadores, celulares e outras parafernálias cibernéticas. É um número tão grande que é quase inimaginável. Se todo o lixo eletrônico gerado anualmente fosse colocado em um trem, seus vagões dariam uma volta ao redor do mundo — e, ainda assim, é difícil de conceber tamanha sujeira.
O tempo de vida útil dos aparatos eletrônicos diminui numa rapidez inversamente proporcional ao aumento de seu consumo. Em 1997, um PC pessoal durava pouco mais que meia década. Em 2005, com dois anos de uso, um computador já era considerado obsoleto. Hoje, bastam alguns meses para transformar qualquer equipamento em peça de museu.
Em todo o mundo, as empresas de tecnologia tentam mudar essa imagem de poluidoras e se esforçam para diminuir seu impacto ambiental. De 2005 para cá, muitas delas passaram a recolher os próprios equipamentos usados para depois reaproveitar a matéria-prima na linha de produção. É uma atitude modesta, ainda, mas que envolve uma mudança radical na maneira como elas têm de pensar seu negócio.
*Versão sem cortes de reportagem feita em parceria com a repórter Bruna Menegueço, publicada na revista Gestão Empresarial
Posts similares:
Como descartar eletroeletrônicos?*
A tecnologia na onda verde - 2*
Os dez mandamentos do usuário consciente*
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Sem Comentários para esse post ainda...








RSS feed