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A selva

Vi primeiro sua sombra: dava os saltitos inconfundíveis dos passarinhos, mas um pouco desengonçado por trazer alguma coisa pesada no bico. Em plena avenida, perambulando assim tão perto das pessoas, só podia ser um pardal.

Saí da loja para vê-lo, mas sua sombra fugidia foi mais rápida e desceu a rampa antes que eu pudesse enxergá-lo. Fui atrás, andando devagar para não assustá-lo. Uma moça que vinha no sentido contrário passou perto demais e fez voar o pequeno pardal — agora eu tinha certeza —, que, num farfalhar desajeitado, pousou na mureta poucos metros à minha frente.

Adoro pardais e urubus. Em meio a buzinas, golfadas de monóxido de carbono e à escassez de árvores e beirais, esses pássaros prosperam por sua sagacidade e rapidez em se adaptar à presença humana. Constróem ninhos em semáforos, planam sobre as Marginais e se alimentam dos restos da civilização. Não fossem eles e as pombas, caminharíamos entre ratos.

Andei sem fazer barulho até que fiquei a três passos do pardal. Entretido que estava com sua presa, ele não notou minha presença. Foi só então que reparei: de seu bico saía metade de uma barata das grandes.

E eu achando que a vida na cidade havia emprestado alguma decência aos pardais...



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Comentário de: Aline Email · http://tentandodenovo.wordpress.com/
^^ Já criei tanto pardal! A minha casa é rodiada de ninhos e quando pequena eu pegava pra terminar de criar os que caiam antes da hora no quintal... ^^ era uma graça ensinar eles a voar... quando nasciam todas as penas por baixo da asa, subia no muro com aquela coisinha pequena na palma da mão e ficava lá de braço esticado até ele tomar coragem e voar... uns eu tinha que empurrar da minha mão... ^^ lembro de um que ficou com medo andando pra trás até cair da minha mão; voou no susto.hahaha
Bons tempos... tempos de criança... seu blog sempre me traz boas recordações ^^
ops... escrevi de mais...
beijos

Que coisa mais fofa essa cena de infância que você descreveu, Aline! Me lembrou o lindo livro A Senhora Meier e o Melro, já leu? Tem até uma cena dos dois numa árvore, com ela ensinando o passarinho a voar.
PermalinkPermalink 02.02.09 @ 14:48


Comentário de: Nine das meninas Email
AH Carol esse post é a sua cara!tudo bonitinho ,poético..uns "ai que fofo"!E ai para acabar com as feminices voce tasca a estoria da barata!rs..ECA!bjs

Hahahahaha, mas é a mais pura verdade, Nine!
PermalinkPermalink 02.02.09 @ 17:57


Comentário de: léo e só Email · http://dancafragmentada.blogspot.com
oi Carol

Rolinhas tbm são bacanas e se adaptaram bem à cidade. Agora, pombo, quero longe!

abs

Eu tenho pena dos pombos, Leo. Não alimento nem nada, mas morro de pena de vê-los comendo toda a sobra de nosso junkie food e tendo cada vez mais anomalias genéticas: já reparou na quantidade de pombo deformado que tem por aí? Se Darwin estava certo, daqui a alguns anos, pombo não voa mais.
PermalinkPermalink 02.02.09 @ 21:42


Comentário de: Má Email · http://maroma.wordpress.com
Veja pelo lado bom: eles nos livram das baratas!

Será que podem dar um jeitinho também nos gafanhotos?
PermalinkPermalink 02.02.09 @ 23:09


Comentário de: Tita
Puuuuuuuuutz!

Hehehe, pensei a mesma coisa quando vi a cena.
PermalinkPermalink 05.02.09 @ 12:20


Comentário de: Emilio Email · http://estou-sem.blogspot.com
Ah, Carol, se vc gosta até de urubus, o que é uma baratinha sendo devorada? ;)


Ei! Baratas têm casca e soltam gosminha quando morrem! Isso definitivamente é mais nojento que um passarinho sem penas no pescoço e com cara de peru. Já reparou em como eles voam de um jeito elegante? Parecem águias. Ok, ok, exagerei...
PermalinkPermalink 08.02.09 @ 20:34


Comentário de: Silvia Email · http://prasemprepitchula.blogspot.com
Oi Carol,

A diferença entre pombos e ratos são as asas; a quantidade de doenças transmitidas é praticamente a mesma. E as pessoas continuam alimentando pombos como os indianos alimentam os ratos...Eca!
Silvia

Elas transmitem mesmo muitas doenças, Silvia, mas fico imaginando o que seria de SP sem esses garis alados...
PermalinkPermalink 15.02.09 @ 14:12


Comentário de: léo e só Email · http://dancafragmentada.blogspot.com
Oi Carol.

Trabalhei muito tempo na praça no centrão da cidade e o que se via de pombos defromados era inacredita´vel, alási é dificil ver um são.

todos tinham problemas na patinha. Deformações e falta de dedos.

Realmente é de se espantar o que eles como eles se adaptaram bem ao lixo chamado de comida que ingerimos com pressa na rua.

abs

Às vezes, sinto como se os pombos estivessem nos dando um aviso do tipo "olha só o que vai acontecer com vocês depois de tanto Mc Donalds"...
PermalinkPermalink 15.02.09 @ 23:39


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