A outra revolução*
Que orgasmos múltiplos, que nada. Poder feminino é experimentar a sensação de, você mesma, so-zi-nha, botar uma prateleira na parede. Ou trocar a resistência do chuveiro sem ser alvo de olhares ameaçadores do encanador. Ou ainda ir até uma loja de material para construção e pedir coisas como “chave de boca” ou “pá de pedreiro número oito” sem ouvir risinhos disfarçados. Uau.
Minha vida mudou depois que aprendi a usar a furadeira. Com um pouco de prática, é possível até mesmo dar um toque feminino à arte de fazer buracos em concreto ou madeira: basta fazer um “U” com um chumaço de papel higiênico molhado e grudá-lo na parede, embaixo de onde fará o furo. Assim, você pode meter bronca que o chão continua limpinho. Mais mulherzinha, impossível.
Mas a melhor experiência faça-você-mesma por que passei foi chapiscar um muro. Foram necessários dois dias de investigação intensa para descobrir que receita de reboco não é como fazer arroz. Sabe aquela coisa de uma de cimento pra duas de água? Esqueça. Uma hora e meia depois, eu e o muro ainda não havíamos nos acertado sobre quem deveria chapiscar quem.
Levei uma tarde toda para fazer meio metro de muro e uma semana para tirar todo o cimento seco do cabelo e das unhas. Tudo bem que minhas mãos só voltaram a ter consistência de pele humana depois de um mês e muito hidratante, mas nada supera o orgulho de olhar para aquele cantinho da parede e saber que, debaixo de todo aquele cimento irregular, há um muro que fui eu quem chapiscou. Isso, sim, é a revolução feminina!
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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E duvido que um homem seja capaz de fazer isso tudo sem borrar a maquiagem!
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