Cada um no seu quadrado*
Ganhei um cubo mágico, aquele brinquedo que enervou as pessoas na década de 80, junto com o Genius, o Tangram e o Pitfall. Veio montadinho, cada face de uma cor, com seus cubinhos menores lindamente encaixados, até que eu tive a brilhante idéia de girar um lado só um pouquinho. Pronto, em menos de dez segundos, eu já estava num caminho sem volta para tentar fazer as cores se alinharem novamente.
Passei uma semana tentando resolver o brinquedo do demo, mas cada vez que eu acertava uma faceta, bagunçava outra que já estava pronta. O nerd que inventou esse brinquedo devia ter raiva da humanidade e achou uma boa maneira de se vingar do mundo. Ou isso ou meu QI é, definitivamente, do tamanho de uma ervilha.
Eu já estava apelando para descolar as etiquetas que sinalizam as cores e colá-las do lado certo — pois é, meu cubo mágico é da 25 de Março, o que posso fazer? —, quando resolvi dar uma espiada na internet. Descobri centenas de fórmulas para resolver o enigma, equações elaboradíssimas com variantes assimétricas e outros termos de arrepiar. Mas fiquei encantada mesmo quando encontrei, no You Tube, um adolescente ensinando o passo-a-passo, em oito mini-vídeos. Mais fácil que isso, só comprando um cubo mágico novo.
Ok, não é um jeito muito honesto de ganhar o jogo. Mas me senti com o QI do tamanho de uma batata. Das grandes.
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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