Em doses cavalares*
Faço terapia todas as segundas-feiras com um moreno de 1,80m, cabelos loiros, olhos cor de mel e pose de garanhão. Ele me ouve muito e, às vezes, retribui com um relincho ou uma virada de orelhas. O pagamento das sessões costuma ser em cenouras ou maçãs, que ele devora em segundos.
Conheço na pele os benefícios de fazer análise e sei que mesmo um cavalo paciente não vai me ajudar a resolver traumas de infância – a menos que eles incluam memoráveis coices ou tombos performáticos. Mesmo assim, tenho descoberto que algumas atividades são quase tão terapêuticas quanto uma hora de divã. E, às vezes, custam bem menos.
Apesar de toda a sujeira, assar um bolo me ajuda a limpar a mente. Fico tão concentrada em seguir a receita que não lembro dos problemas (e nem de tirar o bolo do forno, mas isso é outra coisa). Já a equitação é um ansiolítico natural: não dá para pensar no cheque especial nem no trabalho acumulado quando tudo o que você deseja é que seu “terapeuta” não te morda – nem deixe aquele rastro fedorento.
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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