Avós, mães e filhas
Sempre achei que não tenho a menor vocação para ser mãe, mas cada vez tenho mais certeza disso. Vendo uma amiga dar papinha para o filho, lidando com aquela manha típica de quem não pode escolher o próprio cardápio, só conseguia pensar "tomara que ele não goste de maçã com laranja, assim sobra um pouco para mim". Na última Bienal do livro, quase sai no braço com uma garotinha por causa do último exemplar de Princesas Esquecidas e Desconhecidas – só não abri o berreiro no estande da Moderna porque a assessora gentilmente convenceu a fedelha a levar um livro da Barbie. Convenhamos: uma criatura assim não está autorizada a ser mãe.
Meu vasto currículo como filha depõe contra qualquer interesse meu na maternidade. Lá se vão 30 anos de experiência fazendo birra, pedindo colo e chamando minha mãe sempre que me vejo desafiada por algum drama incontornável – uma gripe avassaladora, um bolo encruado, uma abelha teimosa, um ralado no cotovelo que já nem dói mais, mas sempre garante cinco minutos de colo.
Enquanto minhas amigas de infância e faculdade treinam o talento materno, eu continuo seguindo com louvor minha vocação de filha: tomo banho de chuva, como a sobremesa antes do jantar, fico acordada até mais tarde, durmo de cabelo molhado e (essa é para levar umas boas palmadas) passo o final de semana à pipoca e brigadeiro.
Um dia eu cresço. Mas tomara que demore.

PS: Eu eu Omblogsman demos uma entrevista para a revista Diva na qual falamos justamente sobre o pouco desejo em ter filhos. Desejosas avós de plantão, por favor, não nos matem! Quem sabe a gente não mudade idéia quando cansar de ser filho?
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Carinho sem beijo nem abraço
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Melhor continuarem sendo filhos mesmo!!
(adorei essa!!)
Beijos
Sabe que eu nunca tinha pensado nisso? Gentem, estou frita com a minha mãe, aiai...
Passeei pela inaptidão em ser mãe da nossa digníssima autora (“quero toda essa vontade de passar dos seus limites e ir além…”
Bem Carolzinha, estou de volta para ler seus textos, como sempre, deliciosos.
Renivaldo, que barato esse comentário com trilha sonora! Nunca tinha recebido um desses, com pout-pourri! Seja bem-vindo, como sempre!
Ai, Emílio, nem me fale... Segunda-feira é o dia oficial da ressaca! Na terça – quando você consegue sobreviver à segunda –, você pensa nos excessos e pensa em mudar. Na quarta, resolve que vai começar uma dieta amanhã. Na quinta, passa o dia contando calorias e descobre que até água engorda. Na sexta, almoça uma salada tão levinha que perde 1kg até o jantar. Então, sai à noite para beber com os amigos e comemorar o sucesso da dieta!
Celebridade? Aquela criatura que não pode ir ao supermercado sem guarda-costas e que só sai nas revistas nos piores ângulos? Tô fora! Já o cavanhaque veste bem o rapaz, né? Agora, quanto à obsessão, não tenho muito a dizer em minha defesa... estou piorando a cada dia, Nine: meu último ecocenso contabilizou mais de 100 vasos e o número só aumenta...
Não no momento...
Curioso, cada vez encontro mais pessoas que dizem isso, Má. Será um sinal dos tempos?
Meu marido diz que quer, só não diz quando. Enquanto isso, sigo eu com minhas neuroses de corpo que não voltará mais ao que era e a grande dúvida... será que eu darei conta?
Hehe, eu te entendo perfeitamente, Ana. Também já passei por tudo isso! O problema é que as minhas neuroses só aumentam com a idade...
Dizem que pra algumas a hora não chega, sei lá, mas acho que são excessões. Você seria uma mãe divertidíssima, e escreveria posts engraçadíssimos sobre a vida de mãe. Hahaha.
Esse lance do relógio biológico é o que minhas amigas que já são mães vivem dizendo. Que, uma hora, a vontade "bate" e não tem jeito. Como ainda não fui atropelada por esse desejo, vou ter de esperar minha minúscula sobrinha crescer para exercitar meu lado materno – se é que eu tenho um, hehehehe...
E eu, que tenho tamanho de criança? Hehehe...
O mesmo acontece comigo, Junior: meus irmãos são bem maisnovos do que eu, então, a pressão fica toda em cima de mim...
Engraçado que sempre gostei de criança mas esse amor tá se esvaindo, me pego pensando em não ter filhos também, só o tempo dirá.....
beijos
Por sorte, a ciência tem nos ajudado a tomar essa decisão cada vez mais tarde. Você terá mais tempo para pensar a respeito do que sua mãe e avós, Merry. Já é um bom começo.
Quando vejo minhas amigas grávidas, só consigo pensar: "Comigo não, please!"...
Rachei o bico. passei anos aturando a minha mãe pedindo neto (e eu solteira)... depois veio a fase de ser editora de revista de grávida. Sim, eu tenho vontade de parir como uma holandesa (em casa e com parteira) e nenhuma vontade de criar o ser humano.
O melhor é que a rede trouxe algumas mulheres que são como eu: sem a menor vontade de ter filhos... Adorei! Agora pelo menos eu não me sinto um alien. Melhor: encontrei mais uma
beijo linda
Hahahahahaha, sensacional sua descrição, Lucia!
Wow, que honra, mocinho! Obrigada!
Mais um casal feliz sem herdeiros! Ponto pra nós!
Seja bem-vindo ao time dos sem herdeiros e ao guindaste! Entra, senta, fica à vontade. Vou já passar um cafezinho, quer com açúcar ou adoçante?
"Oh não, BOLO ENCRUADO! Minha vida acabou!"
Você não viu nada, Michel. Sou capaz de ter uma síncope se vir minha caixa de canetinhas fora da ordem do arco-íris ou uma meia faltando um pé...
Aí..sério, me dá uma preguiça qnd penso em ser mãe..mas uma coisa é certa, um filho hoje não cabe no meu apartamento, nem no meu orçamento e muito menos no meu tempo..sério acho que não vai rolar meeesmo!
Menina, e quando me dizem que é um absurdo eu não querer ter filhos se me dou tão bem com crianças. Será preciso detestar a molecada para justificar minha decisão? Afe!
super beijo!
Hehe, muito fofinho seu depoimento, Lilian!









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