De volta ao barro*
Ignorei o convite do sol mixo lá fora e fiquei em casa, modelando. Foi na escolinha que brinquei pela primeira vez com argila e, até hoje, não conheço material mais gostoso para trabalhar. Enquanto as mãos deslizam pelo barro, a mente se esvazia. Não dá para pensar em mais nada além do que se está modelando. É um exercício tão higienizante que funciona quase como terapia — e sai por menos de R$ 5 a “sessão”.
Ao contrário de materiais mais "nobres", como a tela ou o bronze, a argila não exige nenhuma técnica apurada para que renda uma tarde de diversão. Qualquer pessoa, mesmo sem prática, consegue fazer um pote ou uma tigelinha de barro. Se você abandonar a auto-crítica, vai ainda mais longe. E ainda tem todas aquelas ferramentinhas de madeira para furar, cortar, amassar e cavoucar!
Esse foi o presente que me dei de Dia das Crianças: alguns minutos dentro do túnel do tempo. Uma passagem de ida direto para a minha infância.
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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