O milagre*
Fui pegar o telefone para discar e, plam!, meus olhos se encheram de lágrimas. Sem motivo nenhum aparente, o fone saltou do gancho e veio direto na minha direção, golpeando minha têmpora esquerda sem misericórdia. Precisei de uns bons segundos até recobrar os sentidos e descobrir o que tinha acontecido.
Gente como eu é uma ameaça a si mesma. Nem é preciso se preocupar em tirar objetos cortantes ou perfurantes de perto: sou capaz de realizar façanhas só de respirar. Para você ter uma idéia, consegui ganhar nas costas um roxo do tamanho do mapa da África só de ensaboar o pé numa banheira — e eu estava sentada! Fico pensando no tamanho do mapa-mundi que eu teria conseguido se estivesse em pé.
Na cozinha, sou uma calamidade pública. Já perdi as contas de quantas vezes piquei meus dedos junto com a cebola ou de como consegui bater a cabeça três vezes na mesma porta aberta. Em outra ocasião, belisquei o umbigo com um desencaroçador de azeitonas, feito só equiparado à topada que dei no vidro da porta do prédio, semanas depois de terem colocado nele um filme fumê e uma enorme faixa amarela dizendo: “Cuidado! Vidro”.
Ter chegado aos 30 anos praticamente sã e salva é quase um milagre...
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
Posts similares:
101 Dálmatas
Pinturas encantadas*
Atrás das grades*
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Sem Comentários para esse post ainda...








RSS feed