O bagaço*
Sabe aqueles dias em que você acordou com o pé esquerdo, derrubou leite na roupa, saiu de casa descabelada, passou a tarde inteira com dor de cabeça e só quer que o dia acabe logo? Foi num dia desses, quando eu estava só o bagaço da laranja, que resolvi fazer uma massagem.
Deitei na maca tão pilhada que mal conversei com a senhora de mãos pequenas e ágeis que malhava minhas costas, amassava meus pés e apertava sem dó o roxo de um tombo de cavalo. “Respira fundo e vai jogando fora tudo o que não presta, meu bem.” Foi a única coisa que dona Elza disse. Então, obedeci.
Meia hora depois, eu era outra mulher. Devo até ter emagrecido uns quilinhos. Mas, passada a euforia uma pergunta tem me tirado o sono. Será que deixei meu bagaço com a dona Elza?
Tomara que estresse não seja algo que se pegue, assim, só de tocar alguém...
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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