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Na etiqueta*

Os preços das coisas têm me deixado louca ultimamente. Não, não é porque as coisas andem os olhos da cara, não, embora isso, certamente, seja de desanimar qualquer um. É o que está por trás das etiquetas que tem me deixado de boca aberta.

Passei por uma vitrine e me encantei com um porta-fotos de plástico, muito útil para quem, como eu, gosta de expor suas lembranças. “Cabem cem fotos”, me disse a vendedora prestativa, que me seguia a cada passo que eu dava. Perguntei o preço. “Cem reais.” Assim, sem nenhum pudor! Cem reais por um plástico grandão que, com certeza quase absoluta, é feito em segundos por uma máquina na China. Ou Taiwan. Ou Indonésia, sei lá.

Ainda estava digerindo o preço do porta-fotos quando vi, na prateleira detrás, uma charmosa caixa. Com uns 20 cm, era acolchoada, revestida com um lindo cetim azul e tinha uma tampa com um puxador cheio de delicadas miçangas. Quando a tampa era puxada, as laterais da caixa caíam, revelando uma caixinha ainda menor dentro dela, também com laterais soltas. Assim, aberta, parecia uma pequena flor. Fiquei encantada.

“Para quê serve isso?”, perguntei, quase esbarrando na vendedora atrás de mim. “É para colocar linha, agulha e outras coisas de costura.” Resolvi checar o preço por conta própria, mas qual não é a minha surpresa quando viro a etiqueta e leio “R$ 25”.

É agora que meu cérebro dá voltas tentando entender: como uma caixinha forrada, feita do modo mais artesanal possível, pode custar um quarto do preço de um mero pedaço de plástico?

*Texto originalmente publicado no blog Voadeira


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