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Atrás das grades*

Pouco mais de trinta quarteirões separam minha casa do meu trabalho. Gosto de fazer o caminho a pé, assim posso reparar nas coisas que dirigindo deixo passar. E uma delas tem me intrigado muito: a quantidade de guaritas.

São dezessete delas ao longo do caminho. Todas caixas de metal e vidro de um metro quadrado, onde um sujeito é obrigado a ficar sentado o dia todo, sob o pretexto de que isso possa impedir um assalto a um dos casarões ao redor. Em uma das residências, o pânico é tamanho que há duas guaritas, separadas trinta passos uma da outra.

Guarita, arame farpado, cerca elétrica, sistema interno de vigilância... Pelo jeito, quanto mais rico você é, mais parecido com uma prisão é seu lar.

*Texto originalmente publicado no blog Voadeira



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