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A escalada*

– Moça, pelamordedeus, desce daí!
– Ué, por quê?
– Não pode subir na árvore!
– Mas é uma mangueira! Mangueiras foram feitas para se subir nelas. Já reparou que elas têm galhos enormes?
– ...
– Tá vendo esse aí embaixo? E depois aquele outro e este aqui onde eu estou? Não tem escada mais segura!
– Se a senhora quer manga, é só pedir na lanchonete. Tem suco de manga no cardápio.
– Arrá! E a garçonete pode subir aqui e eu não?
– Não, ela também não pode. Fazemos o suco com polpas selecionadas e congeladas.
– Com uma baita mangueira aqui do lado? Como é que vocês têm coragem de não pegar aqui do pé?
– É perigoso subir na árvore, moça. E, além disso, a loja não se responsabiliza por queda de clientes.
– Entendo. Afinal, onde já se viu alguém ter a idéia esdrúxula de subir numa árvore, né?
– Exatamente.
– Exatamente nada. Exatamente que você não teve infância, isso sim! Qualquer criança sabe que árvores só existem no mundo pra serem escaladas.
– Moça, por favor, tem gente olhando...

*Texto originalmente publicado no blog Voadeira


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Comentário de: Dridri Brown Email
Uau! Se trepar em árvores é sinal de infância, pode apostar que a minha ainda está de vento em popa nos meus 30 anos (risos). Moro numa casa antiga (1973), naquele tempo, Pirituba (o bairro) era só "barro", pouquíssimos sinais de progresso. Meu pai construiu uma casa modesta num quintal bastante grande. E como ele veio da roça, trouxe consigo o hábito de plantar arvores frutíferas, verduras, entre outros (mandioca é raíz e cana-de-acúcar?). Na escola, eu era o caipira, pois morava numa quase chácara e vivia dependurado nas diversas árvoras que por lá tinha, entre eles estavam a laranjeira, abacateiro, limoeiro (o mais perigoso, pois tinha galhos espinhosos), fruta-do-conde, jaboticaba. Lembro-me quando era época de laranja, subia com uma faca feita com uma lâmina de serra (aquelas amarelas pra cortar metal) e lá em cima, trepado, colhia a fruta, descascava e consumia lá mesmo). Apostavamos quem descascava a laranja numa tira só. Semana passada colhemos cana. Lá tem uma moenda manual e então... Caldo de cana! Brinco com amigos que metade da feira está no quintal de casa...

Minhas lembranças do sítio do meu avô também têm esse clima, Dridri. Eu passava horas em cima das três amoreiras que havia na entrada da casa e descia das árvores roxa dos pés à cabeça.
PermalinkPermalink 23.03.09 @ 14:23


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