Os papéis fofos*
Posso imaginar a cena, a menininha chega com uma pasta e-nor-me, cheia de folhas sem uso, senta do lado de outra, com uma pasta tão grande quanto, e ficam as duas folheando. Às vezes, uma diz “ai, que fofo” ou “esse eu não tenho”. No final, a coisa sempre acaba com “quer trocar essa sua folha com coraçõezinhos por esta de anjinhos?”. Ambas intactas, claro.
Gibis eu entendo, você pode querer ler as historinhas mais de uma vez. Selos, ok, contam a história dos países. Mas papel de carta?!? Por que raios alguém coleciona papel de carta sem uso?
Eu, que sempre fui uma criatura verborrágica e onomatopéica, descobri, recentemente, uma loja que vende papéis de carta. Não posso negar, são fofos. Mas em vez de querer enfiá-los todos em uma pasta com plástico, deu uma vontade danada de escrever para quem está longe.
Se bem que isso tudo é despeito de nunca ter conseguido levar minha coleção de papel de carta adiante. Eu não agüentava vê-los tão branquinhos e acabava escrevendo neles. Ou usando-os de rascunho para desenhar. E depois ainda reclamo de não ter com quem trocar...
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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