Entre riscos e rasgos*
É um dos enigmas que a ciência se esforça em explicar: onde vai parar aquela BIC novinha que você comprou? Por que ninguém consegue usar uma BIC até o fim? Seriam as esferográficas uma raça superior de viajantes no tempo?
Faça a experiência você mesmo, ó, crédulo leitor de Bons Fluidos: arrisque usar sua caneta até o fim. Ela vai falhar, obrigando você a riscar várias vezes o canto do papel, até fazer um rasgo. Vai vazar no meio da sua bolsa ou borrar aquele documento em duas vias que você levou o dia todo para autenticar. Ou, simplesmente, vai escafeder — ou aparatar, se for a BIC da J. K. Rowling.
BICs são indóceis, mau-humoradas e temperamentais. E se ofendem de morte com o simples vislumbre de outra caneta por perto, motivo pelo qual não devem ser criadas na presença de uma tinteiro.
E é por isso que eu, em plena era digital, ainda sou adepta de lápis e borracha.
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