O vestido andarilho*
Da tia gordinha para a prima grávida, da irmã mais velha para a mais nova, de amiga para amiga. Fui criada numa família em que havia uma lei máxima: roupa anda. Enjoou? Não serve mais? Passa pra frente. E eu, a menor das miúdas, sempre desfilei guarda-roupa de modelo, uma peça por dia.
Tenho um vestido que tem mais quilometragem que muito carro usado. Sempre que alguém elogia minhas roupas, revelo que, muitas, muitíssimas, são de segunda-mão. Nunca entendo a cara de pasmo das pessoas. Não sabem que roupa velha vira nova na mão de outro dono, uai?
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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