A colecionadora*
Há três anos que eu coleciono portas e janelas. Como qualquer obsessão, essa também é cheia de restrições: só valem as coloniais, daquelas de ripa de madeira e maçaneta de ferro, adornadas por um batente colorido. Numa visita a Tiradentes, fiz tantas imagens que as pessoas começaram a me olhar estranho cada vez que eu me aproximava de uma casa. Devo ter virado atração turística.
Matinhos simpáticos também são tema de coleção. Sempre adorei a gana com que essas plantinhas se grudam às paredes, a astúcia que usam para forrar buracos e frestas, o desespero que têm ao surgir do meio de pedras, nos solos mais pobres e pisados. Minhas preferidas são aquelas samambainhas bem com cara de mato, as rainhas da resiliência, capazes de sobreviver a pisadas de vaca, dentadas de cavalos, falta ou excesso de água e a uma porção de pragas. Ô, plantinhas guerreiras, sô!
Passo tanto tempo fotografando o chão que, claro, volta e meia trombo em postes, erro a rua ou chego atrasada ao trabalho. Devo ser figurinha recorrente para quem coleciona pessoas distraídas.
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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