Pé ante pé*
Que city tour, que nada: o melhor jeito de fazer turismo é mesmo a pé. Só gastando muita sola de sapato para descobrir aquele detalhe arquitetônico que ninguém repara, o ateliê incrível nos fundos de uma loja sem-graça, o restaurante mínimo que tem meia dúzia de mesas e nunca aparece nos guias de viagem.
Depois de passar um mês inteiro batendo muita perna nas Zorópas, resolvi redescobrir São Paulo pela ótica do pedestre. Bastaram 24 horas para concluir que seria impossível manter o ritmo de caminhadas por aqui. A cidade parece dizer, o tempo todo, que você não é bem-vindo. Não à toa, é toda projetada em função dos motoristas: de carro, táxi, ônibus, até mesmo de caminhão.
Andar em São Paulo exige olhar atento e jogo de cintura – além de umas boas coxas, se quiser se aventurar por Perdizes. É preciso desviar de buracos, caçambas, camelôs, pontos de ônibus, ambulantes, carroceiros, cocôs de cachorro, bueiros soltos, postes e uma porção de outros obstáculos. Para virar Pitfall, aquele bom e velho joguinho de Atari, falta só ter areia movediça e jacaré.
Mesmo com todos esses percalços, há um charme especial de voltar às raízes de caminhante. Só assim para reparar naquele ipê que, veja só, está arrebentando de roxo. Ou no ninho que os sabiás fizeram dentro do semáforo. Ou na pracinha de uma árvore só, estratégicamente instalada no alto de uma ladeira. Que tal fazer uma pausa debaixo da sombra? Não paga nada para estacionar.
*Texto originalmente publicado no blog Voadeira
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Fiquei com medo de o blog sumir do ar, de uma hora pra outra, e os textos irem junto, Emilio. Já que o Guindaste tem espaço, deixo as republicações guardadinhas por aqui à espera de, quem sabe, algum leitor desavisado.
Que memória, sô. Eu não me lembro nem do que comi no café da manhã. Pérai, lembro sim: meio pote de Nutella. Meu intestino não me deixou esquecer ainda...
Então é você o cara que assina os feeds do Guindaste!
Hehe, brincadeirinha, Emilio. Minha irmã também assina (além de minhas outras cinco personalidades).









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