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Geração Ritalina

Houve um tempo em que as crianças podiam correr, subir em árvores, cabular aula, caçar grilos, pular, comer terra, brigar, esquecer a tarefa, ficar "de bem" e fazer barulho, muito barulho. Hoje, qualquer uma que aja assim é imediatamente diagnosticada como doente: tem Déficit de Atenção, Transtorno de Comportamento ou Hiperatividade, quando não tudo isso junto.

Como acontece com a maioria das enfermidades, para essas também há tratamento. A solução milagrosa acalmaria a criança, aumentaria sua concentração e, de quebra, ainda deixaria tranquilos pais e professores. A pílula mágica atende por muitos nomes – o mais conhecido, Ritalina.

Para se ter uma idéia de como a Ritalina vem sendo administrada como se fosse Aspirina, 1 milhão de caixas foram prescritas para cerca de 25 mil crianças brasileiras, só em 2007. Parece assustador? Pois nos Estados Unidos, onde a droga definitivamente virou balinha, entre 4 e 6 milhões de crianças tomam o remédio.

Em 2005, conversei com o pedagogo Luca Rischbieter sobre o assunto. Sua corajosa entrevista gerou uma enxurrada de cartas e e-mails à redação do Sinapse, caderno que eu editava na Folha de S.Paulo: as opiniões se dividiam entre quem era contra radicalmente contra o uso de remédio em crianças e quem, tendo filhos ou alunos agitados, tinha encontrado na pílula a solução para os problemas escolares.

Tão contundente quanto a entrevista do pedagogo é este quadrinho fake do Calvin que acabo de receber. Vale refletir se é isso, mesmo, o que queremos para nossos filhos e netos.


Se seu inglês for tão pífio quanto o meu:
Haroldo: – Uau, você já está fazendo seu trabalho? Não é para entregar só na quinta-feira?
Calvin: – É, eu sei... Mamãe disse que as pílulas devem estar funcionando.
Haroldo: – Está nevando lá fora. Eu pensei que talvez a gente pudesse... Não sei, você me diz.
Calvin: – Desculpe, eu não estava escutando. Eu realmente tenho de terminar isso.

PS: Coloquei aqui a íntegra da entrevista com Luca Rischbieter. Foi publicada na Folha de S.Paulo em 2005, mas nunca esteve tão atual. Infelizmente.

Categoria: Crianças


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Comentário de: Nine das meninas Email
Carol essa febre de ritalina tb começa com os medicos que a prescrevem a torto e a direito para maes desavisadas e ou preguiçosas!crianças dao trabalho mesmo ,nao quer ter ,nao as tenha.Tive 3 filhos ,uma delas ,a Domi, foi uma criança levada ,agitada,me dava olé nos shoppings e praçinhas e hoje é uma profissional de sucesso ,sem ritalina...Qdo era peq tive que abdicar de um trabalho tempo integral, mas valeu a pena.Para ser mae é preciso ter vocaçao tb!bjs

Hahahaha, deixa a Domi ler isso! Ela vai ficar uma fera quando souber que você dedou ela, hahahaha
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 10:03


Comentário de: Garfield Email
O problema é que a maioria dos pais e das mães não sabem como conciliar vida profissional com pessoal. Em vez de estar educando e vivendo com os filhos preferem dar alguma droga para resolver certos "problemas". Depois não reclamem quando os filhos estiverem com alguma dependência química. Eu não gosto de remédio, nunca gostei. Trago isso desde quando era pirralho.

Não é mole ser pai e mãe, afe!
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 10:07


Comentário de: Ana Rosa Email · http://vdcotidiana.blogspot.com/
É criança tem que ser criança, acho que as cobranças do dia a dia, mil tarefas, fazem delas pequenos adultos, sem maturidade suficiente e com isso... Agora remédio é remédio tem que ser ter critérios.

Falou e disse, Ana!
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 10:30


Comentário de: Emilio Email · http://estou-sem.blogspot.com
Não sei se vc viu na folha, mas agora querem liberar a ritalina pra gente "normal" tb...

E no depositório do Calvin tem a continuação dessa tirinha tb. ;)

http://depositodocalvin.blogspot.com/

Ai, Emilio, quem disse que eu acho a continuação? Que raiva! Detesto ser curiosa desse jeito, hahahaha...
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 10:34


Comentário de: mauricéia Email
os pais hoje não tem mais tempo e nem paciência para seus filhos e ai me prgunto, então os tiveram pq? po rimposição da sociedade? filho precisa de tempo e atenção, se não puder dar, não tenha.

Se todo mundo pensasse assim, acho que eu não teria nascido, Mauricéia...
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 11:42


Comentário de: Paula Email · http://aindanaoenada.blogspot.com
Sempre pensei assim também. E acha que não existia esse tal transtorno de deficit de atenção, achava que era uma doença inventada por pais e médicos de crianças sem disciplina. Até que fui diagnosticada com TDA. Sim, depois de adulta, e depois de anos lutando contra ansiedade e depressão sem saber os motivos de meus problemas. Mudou minha vida.

Paula, tenho certeza de que a Ritalina é um santo remédio para muitas pessoas. Tenho um amigo TDA que também relata maravilhas com o uso do remédio. Mas há um superestímulo de consumo: muita gente está tomando Ritalina sem precisar. Principalmente as crianças.
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 13:11


Comentário de: Tita
Eu não sei se podemos dizer que esse tipo de "droga" é ou não a melhor saída para aquietar as crianças hoje em dia.
É mesmo uma nova geração, completamente diferente da nossa, porque parece que as crianças de hoje não são crianças como fomos.
São mini-adultos e estão sabendo de quase tudo o que acontece, seja dentro da própria casa, seja no mundo, através da televisão e internet.
O pior é que elas realmente não brincam mais de esconde-esconde, ou jogam taco na rua com os amiguinhos porque tudo hoje em dia é "perigoso".
Isso pode ser culpa dos pais, acredito que 70% seja sim culpa deles, pois os casais não se intimidam em brigar "coisas de adulto" na frente das crianças.
Vão assim, tirando a inocência, e essas crianças se tornando cada vez mais críticas e defensivas.
É triste ver. Ver crianças lindas que sofrem de doenças físicas e até emocionais, depressões e afins por verem dentro das suas próprias casas o porto seguro delas (os pais) entrando em conflito na frente de todo mundo e desrespeitando os próprios filhos.
Isso para mim, parte de falta de compreensão. Parte da família a princípio.
Aí depois dos pais perderem o controle da situação, procuram ajudar (ou destruir) esses filhos.
Sim, as coisas mudaram.
Eu mesmo com a minha infância simples, posso dizer que fui muito feliz e sei valorizar pequenas coisas.
As crianças de hoje são entupidas de facilidades e não tem a chance de aprender a conquistar o que querem porque tudo é dado pelos pais, roupas, sapatos, brinquedos modernos e caríssimos sempre com aquela desculpa de "dar ao meu filho uma vida melhor do que a que eu tive".
Será mesmo que esse mimo todo é o melhor?
Acho que o problema e a culpa é dos pais. Que querem impedir seus filhos de derrotas e frustrações que possam ter tido por não terem ganho um autorama ou a coleção de playmobil, e superar a insatisfação dando aos filhos ipod de não sei quantos gigas. Para serem roubados?
Ensinar a fazer pipa não é mais legal?
Esse assunto desencadeia um monte de coisas e acho legal você abordar isso aqui no blog.
Os mais "bem resolvidos" se preocupam com o futuro do planeta. Alguém já parou para se preocupar também com os futuros habitantes desse planeta?
É assustador e triste pensar nessas coisas.

Tita, a tendência de todos nós (eu incluída) é sempre olhar para o passado e achar que na nossa época a coisa era melhor. Mas a verdade é que o mundo mudou e, assim como não é possível que a escola seja a mesma de séculos atrás, também nós não podemos usar o passado como única referência para o futuro. O jeito é descobrir como usar a tecnologia e outras "facilidades", como você diz, a nossa favor.
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 13:23


Comentário de: Rafa Email
Nossa. Esse é o quadrinho mais triste que eu já ví na minha vida. Chorei.

Medonho, né?
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 15:40


Comentário de: Junior Email
Carolina, está muito difícil ser criança atualmente, não as invejo. Além disso que você explicou no seu texto, há a violência nas ruas e a obrigação que elas sejam mini-executivos, com milhares de atividades obrigatórias. Já assistiu ao documentário "A Invenção da Infância", da Liliana Sulzbach? Dá para ver no www.portacurtas.com.br

Oba, adoro indicação! Vou lá!
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 16:22


Comentário de: Ricardo Email
Isto é um reflexo de nossa sociedade e como tudo que é normal ( seja lá o que isso queira dizer ) é logo visto como uma doença . Crianças serem crianças e , consequentemente , agirem como crianças " não são normais " prá essa gente .Assim , mal comparando , são como os economistas, cientistas políticos e outros futurólogos , que sempre vêem crises onde elas não existem , e não conseguem enxergar quando as crises estão a um palmo de seus hediondos narizes . Está aí a crise americana como prova !

Acho que é o anormal que é visto como doença, Ricardo, aquilo que foge ao comum, que sai da normalidade, não?
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 19:20


Comentário de: Inagaki Email · http://www.pensarenlouquece.com
Carol, publiquei ontem essa mesma tira apócrifa do Calvin já traduzida para o português...

Que maravilha, Inagaki! E eu penando aqui com meu inglês...
PermalinkPermalink 09.12.08 @ 20:38


Comentário de: Sophy Email
Calvin? adorooooo!!

Duas!!!
PermalinkPermalink 10.12.08 @ 10:36


Comentário de: Sophy Email
Mas ainda sou contra esse tipo de procedimento com crianças...acredito em outros métodos menos químicos.
Conheço ex-crianças que hoje são viciadas em comprimidos do tipo...vai saber se não tem alguma influência...


beijos!

Esse é um risco que muitos pais estão correndo, Sophy...
PermalinkPermalink 10.12.08 @ 10:38


Comentário de: Ingrith Email · http://blogdaingrith.blogspot.com
Essa tirinha é a mais triste de toda a existência

Menina, nem me fale! Bateu uma coisa quando vi que não me contive e corri para postar.
PermalinkPermalink 12.12.08 @ 13:21


Comentário de: Kadu Palhano Email · http://www.umblog.com.br
Querida,

Resolvi dar meus pitacos sobre essa tal de Ritalina.

Se tiver um tempinho, confira - http://umblog.com.br/?p=270

Beijão,

Kadu

Opa, vou lá! Eu tardo, mas não falho!
PermalinkPermalink 13.12.08 @ 19:12


Comentário de: Renato Alt Email · http://www.aperteoalt.blogspot.com
É, Carol... "1984" me parece mais próximo a cada dia...

Para o mundo que eu quero descer! (Saudadocê, rapaz!)
PermalinkPermalink 15.12.08 @ 00:08


Comentário de: Tiago Email · http://www.forrestvox.blogspot.com
Que saudade Carol, como é bom voltar aqui e ter a certeza de encontrar bons assuntos para se lêr.

Sorte minha que hoje exibo com orgulho meus arronhões de criança, quando ainda subia em árvores.

Um beijo

Sorte a minha também, Tiago: o que levei de tombo de bicicleta, arranhão de gato e pito de mãe não foi brincadeira, rapaz... Bom tê-lo por aqui também, moço!
PermalinkPermalink 16.12.08 @ 22:39


Comentário de: Fada Dias Email
*Carol, que pílula é essa, a *Ritalina ?! Nunca ouvi falar da mesma !!!

Bizarro, né? Aqui tem mais sobre a Ritalina, Fada.
PermalinkPermalink 26.12.08 @ 06:13


Comentário de: Joana Email · http://www.pactotransportes.com.br
Essa é nova... Ritalina! Que absurdo entupir as crianças com tanto medicamento. Quem tem que se adequar a maneira da criança é a escola!

Mas a escola continua a mesma em que nós, nossos pais e nossos avós estudaram...
PermalinkPermalink 28.01.09 @ 12:48


Comentário de: Emilio Email · http://estou-sem.blogspot.com
Olha só Carol, a tirinha do Calvin:

http://depositodocalvin.blogspot.com/2008/12/tira-mais-feliz-de-todos-os-tempos.html

Ah, boa, Emilio. Mas a mais triste é ainda melhor, né?
PermalinkPermalink 25.02.09 @ 00:02


Comentário de: Mauricio Email
Acredito que em se tratando de Ritalina estamos diante de uma questao de opcao, pois ou voce nao administra o medicamento e fica a merce de ter um adulto com falhas na retencao do aprendizado em sua infancia e juventude (uma vez que esse foi um dos problemas que hoje enfrento por ter TDAH) e dai sua auto-estima comprometida quando colocado a prova com pessoas que nao tem o problema; ou voce administra, porem fica a merce de um futuro imprevisivel uma vez que desconhecemos todos os beneficios e maleficios que o medicamento produzira nessa nova geracao que usa-o. Realmente o mundo mudou.
(desculpem a falta de acentos mas nao os tenho em meu teclado)

Mauricio, eu sei que a Ritalina pode fazer bem a alguns pacientes, mas certamente isso não justifica essa enxurrada de diagnósticos de hiperatividade e transtornos de atenção. Convenhamos, o que é mais fácil: medicar ou mudar a educação?
PermalinkPermalink 06.03.09 @ 20:45


Comentário de: patrck macedo Email
adoro tomar ritalina
á 10 aNOS JÁ QUE TOMO ESSE REMEDIO TENHO ATE VICIOOOOOO

Será por isso que você está TÃO BEEEEM?
PermalinkPermalink 21.03.09 @ 16:07


Comentário de: Thiago Email · http://www.lapingoleta.com.br
Show!

Valeu, Thiago! Mas sem falsa modéstia, o que faz o debate crescer é esse tantão de pessoas dando opiniões diferentes, mantendo esta caixa de comentários viva. Tenho uma sorte danada com os leitores!
PermalinkPermalink 01.06.09 @ 17:38


Comentário de: Site de busca Email · http://www.busquem.com.br/
Otimo blog
conteudo exelente

Oba, leitor novo! Entra, senta, fica à vontade. Aceita um cafezinho?
PermalinkPermalink 17.06.09 @ 15:38


Comentário de: andre Email
olha so a ritalina tem q ser usada por quem precisa,tdah e uma doença q pode e deve ser curada.deveriam facilitar para quem precisa.e quem nao precisatomapor quem quer!eu preciso vou começar a tomar essa semana e vai ser bom pra mim.so eu sei como e dificilver a vida passar sem fz nada

Terapia também ajuda muito quem tem TDAH, Andre. Já tentou?
PermalinkPermalink 03.09.09 @ 23:17


Comentário de: AM Email
É.. A rotina de trabalho com o ter que educar, dos pais não quererem (ou até não poderem) ter trabalho com os filhos (nem para sentar para ajudá-los no dever de casa), os professores que já estão saturados e geralmente não entendem de dificuldades de Aprendizagem propriamente ditas junto com a prescrição médica sem parecer que o médico sabe o que estão fazendo...
A ritalina é um remédio sério, aplicável em situações específicas, mas banalizada. Já vi casos de crianças com 4 anos tomando ritalina, já ouvi neurologista que olhou para uma criança e disse que só de olhar sabia que tinha TDAH. E os pais, como ficam em uma situação dessas? Não é no médico que se confia a vida?

Como mudar isso? Em uma sociedade cada vez mais propícia à utilização de remédios "milagrosos" (temos também os ansiolíticos, cada vez mais usados, remédios para a indução do sono..), menos paciente e com menos "tempo para perder"?

Não há uma fórmula de como resolver o problema, AM, mas a saída certamente passa por uma mudança nas relações entre pais e filhos.
PermalinkPermalink 10.09.09 @ 16:19


Comentário de: Andeia Email
Fiz questã de ler todos os comentários, e percebi q tem u monte de gnte falano coisas e fazendo julgamntos errados, sou mãe, e possso afirmar q não sou uma mãe descuidada e qñão se dedica a seu filho, muito pelo contrário, faço questão de trabalhar menos e icar mais tempo com ele, mas quem dera se a solução fosse atenção, vcs falaram de casais ão estturas, graças a Deus tenho uma família linda e feliz, e bem estruturada, mas ele tem TDAH, demorei p/ aceitar esou protelando o uso da Ritalina há um bom tempo, coisa de 2 anos, tentando outros tratamentos,ele faz terpia, ele õ consegue de forma alguma se concentrar,não cnsegue acompanhar a turma, precisa ter alguém ao lado dele o tempo todo para q ele consiga fazer um exercício, enquanto os demais alunos conseguem, comecei hj com a Ritalina e peço a Deus q ele coniga se concentrar, pois ele precia estudar!!

Andeia, desejo sorte para seu filho e que o tratamento de fato possa ajudá-lo.
PermalinkPermalink 14.09.09 @ 18:29


Comentário de: David Email
Esse texto me chamou atenção, porque eu também era uma criança extremamente inquieta. Sempre demonstrei ter muita inteligência, porém, capcidade de concentração pífia, praticamente nula. Na escola e faculdade, era o melhor aluno da classe e sempre impressionava os professores, mas só nos curtos períodos em que eu conseguia, sob um sacrifício SOBREHUMANO e INSUSTENTÁVEL, manter o foco, fora isso meu desempenho nos estudos era precário... os professores alegavam unânimes que eu vivia no mundo da lua. Tive que abandonar a faculdade de ciência da computação no quarto período, pois, embora tenha começado o curso tirando facilmente sempre as notas máximas por ter um excelente potencial cognitivo e raciocínio lógico, vi meu aproveitamento despencar ao quase zero, conforme crescia a necessidade de prestar mais atenção e fazer mais tarefas e decorar mais sintaxes...
Hoje, com 28 anos, corro atrás do tempo perdido... e quanto tempo perdido.
Há um ano tomando RITALINA, passei de técnico de informática afastado do trabalho por depressão profunda (motivada pelo sentimento de fracaso como pessoa, por não conseguir crescer) a desenvolvedor de sistemas. Aprendi o novo oficio sozinho, no meu computador de casa, só eu e a Ritalina no meu quarto. Agora programar em duas linguagens e domino várias tecnologias de desenvolvimento, coisa que JAMAIS consegui na faculdade com os professores, simplesmente por ser inacapaz de me concentrar. Mas o melhor é que agora tenho fé em mim e posso fazer planos. Apesar disso, é inevitável não ficar triste ao pensar onde eu poderia estar hoje, quem eu poderia ser hoje, se tivesse descobrido o MILAGRE da Ritalina há uma década ou até duas.
No tempo em que eu era criança não havia informação ou medicamentos para TDAH no Brasil, mas se houvesse, gostaria que minha mãe tivesse cometido a "maldade" de me administra-los. Não tenho dúvida de que hoje eu seria PHD em qualquer coisa que quisesse. Muito pior do que ver os outros a frente de mim, é saber que eu poderia não estar ao lado deles, mas adiante. Não condenem seus filhos a esse sentimento, poucas coisas são piores que isso.
Eu não posso voltar no tempo, pra quando tinha dez anos e dizer pra minha mãe me medicar, mas posso dizer isso a quem tem filhos com TDAH hoje.
Não esperem ele completar 28 anos, não esperem ele entrar em depressão profunda, não espere que o sentimento de fracasso venha a suscitar pensamentos suicidas, não espere que ele comece a se drogar para compensar seu sentimento de inferioridade, pode não dar tempo de salvá-lo.
Se você é TDAH trate-se e se você tem um filho que é, trate-o, afinal, seu amor por seu filho precisa ser grande o suficiente para entender que ele não é apenas seu ursinho de dormir, ele é um ser humano como você e, como tal, ele PRECISA EVOLUIR, ELE ESTÁ AQUI PRA ISSO!
Não caia no conto de que psicoterapia sozinha resolve ou que educação com atenção redobrada e apetrechos como blocos de nota, despertadores e agendas resolvem... TDAH precisa de remédio e uma pessoa portadora jamais poderá liberar seu pleno potencial sem eles.Não escutem as pessoas que condenam o uso do metilfenidato. Deve ser muito fácil condenar um medicamento que provê capacidade de concentração pra alguém que a tem naturalmente. Atentem para o seguinte: quem não vive o problema, não tem autoridade pra afirmar nada.

David, não é preciso ser paciente para discutir os efeitos uma doença. E acredito de verdade que há muitas maneiras de o ser humano evoluir sem precisar de medicação.
PermalinkPermalink 30.09.09 @ 12:06


Comentário de: David Email
Esse texto me chamou atenção, porque eu também era uma criança extremamente inquieta. Sempre demonstrei ter muita inteligência, porém, capcidade de concentração pífia, praticamente nula. Na escola e faculdade, era o melhor aluno da classe e sempre impressionava os professores, mas só nos curtos períodos em que eu conseguia, sob um sacrifício SOBREHUMANO e INSUSTENTÁVEL, manter o foco, fora isso meu desempenho nos estudos era precário... os professores alegavam unânimes que eu vivia no mundo da lua. Tive que abandonar a faculdade de ciência da computação no quarto período, pois, embora tenha começado o curso tirando facilmente sempre as notas máximas por ter um excelente potencial cognitivo e raciocínio lógico, vi meu aproveitamento despencar ao quase zero, conforme crescia a necessidade de prestar mais atenção e fazer mais tarefas e decorar mais sintaxes...
Hoje, com 28 anos, corro atrás do tempo perdido... e quanto tempo perdido.
Há um ano tomando RITALINA, passei de técnico de informática afastado do trabalho por depressão profunda (motivada pelo sentimento de fracaso como pessoa, por não conseguir crescer) a desenvolvedor de sistemas. Aprendi o novo oficio sozinho, no meu computador de casa, só eu e a Ritalina no meu quarto. Agora programar em duas linguagens e domino várias tecnologias de desenvolvimento, coisa que JAMAIS consegui na faculdade com os professores, simplesmente por ser inacapaz de me concentrar. Mas o melhor é que agora tenho fé em mim e posso fazer planos. Apesar disso, é inevitável não ficar triste ao pensar onde eu poderia estar hoje, quem eu poderia ser hoje, se tivesse descobrido o MILAGRE da Ritalina há uma década ou até duas.
No tempo em que eu era criança não havia informação ou medicamentos para TDAH no Brasil, mas se houvesse, gostaria que minha mãe tivesse cometido a "maldade" de me administra-los. Não tenho dúvida de que hoje eu seria PHD em qualquer coisa que quisesse. Muito pior do que ver os outros a frente de mim, é saber que eu poderia não estar ao lado deles, mas adiante. Não condenem seus filhos a esse sentimento, poucas coisas são piores que isso.
Eu não posso voltar no tempo, pra quando tinha dez anos e dizer pra minha mãe me medicar, mas posso dizer isso a quem tem filhos com TDAH hoje.
Não esperem ele completar 28 anos, não esperem ele entrar em depressão profunda, não espere que o sentimento de fracasso venha a suscitar pensamentos suicidas, não espere que ele comece a se drogar para compensar seu sentimento de inferioridade, pode não dar tempo de salvá-lo.
Se você é TDAH trate-se e se você tem um filho que é, trate-o, afinal, seu amor por seu filho precisa ser grande o suficiente para entender que ele não é apenas seu ursinho de dormir, ele é um ser humano como você e, como tal, ele PRECISA EVOLUIR, ELE ESTÁ AQUI PRA ISSO!
Não caia no conto de que psicoterapia sozinha resolve ou que educação com atenção redobrada e apetrechos como blocos de nota, despertadores e agendas resolvem... TDAH precisa de remédio e uma pessoa portadora jamais poderá liberar seu pleno potencial sem eles.Não escutem as pessoas que condenam o uso do metilfenidato. Deve ser muito fácil condenar um medicamento que provê capacidade de concentração pra alguém que a tem naturalmente. Atentem para o seguinte: quem não vive o problema, não tem autoridade pra afirmar nada.

David, volto a dizer que, de fato, a Ritalina pode realmente fazer bem para algumas pessoas. Não é isso o que está sendo discutido aqui e sim a maneira a tordo e direito com que os psicopedagogos e psiquiatras têm receitado o medicamento, taxando de hiperativas milhões de crianças saudáveis, que não têm problema nenhum exceto a necessidade de uma escola mais interessante e de pais que saibam impor limites. Além disso, estamos falando de um medicamento ainda pouco estudado e que está sendo receitado até para bebês!
PermalinkPermalink 30.09.09 @ 12:07


Comentário de: Bi Email
Estou aki colocando o meu comentario para fazer com que vcs entendam que o TDAH nao eh como vcs estao pensando.

Ah soh mais uma coisa, impossivel que a ritalina seja usada em bebes. Primeiro pq nao pode haver diagnostico correto para um bebe que ainda nao começou a escola. Segundo pq a ritalina soh pode ser usada a partir de 6 anos de idade, ou seja, a idade escolar.
O TDAH nao tem nada a ver com a criaçao ou educaçao da criança, ela jah nasce com problema de neurotransmissores q enviam as informaçoes ao SNC. Portanto, nao critiquem pais, professores devido ao uso deste medicamentos em crianças, pq ele eh necessario.
O medico nao indica esse tipo de tratamento se sua avaliaçao nao indicar que a criança ou adulto realmente nao precisa do medicamento. A avaliaçao do medico depende da conversa com o paciente e com os parentes e amigos dele, nao ha um exame que confirme concretamente o TDAH, como por ex qda a pessoa esta com anemia e tem a comprovaçao por um hemograma, isso em TDAH nao existe.
Ateh onde se sabe o TDAH nao tem cura, mas com terapia o paciente aprende a lidar com a doença.

Se vcs estivessem criticando o uso indeviduo de ritalina em jovens estudantes, adultos que tabalham demais, pessoas que nao tem TDAH,porem tomam para aumentar o desenpenho no estudo ou trabalho, concordaria cm vcs, agora falar coisas que nao sao verdades ai fica complicado!

É justamente sobre o uso indevido de Ritalina que estou tratando, Bi.
PermalinkPermalink 24.10.09 @ 22:52


Comentário de: Cacy Ferraz Email
O ser humano ainda tem o grande defeito de generalizar e rotular comportamentos, cada caso é um caso. Sou uma mãe super dedicada,ou melhor dizer, virei mesmo uma profissional do ramo. Nenhum assunto que diz respeito a minha filha é tratado de maneira aleatória, leio, estudo e me informo muito.O TDA, e o dela é sem H, foi diagnosticado na Ju desde os 6 anos com uma forte indicação para o uso da ritalina, no que fui contra completamente e sempre busquei outras opções. Até os dias de hoje a nossa luta tem sido diária e intensa,pois vivo na escola,ela participa de todos os programas extras de aprofundamento nas matérias que são oferecidos pela mesma, muitas aulas particulares, kumon, apoio de uma psicopedagoga e ballet clássico para trabalhar a concentração. Ufa!! Mesmo com tudo isso, ela ainda tem que fazer as recuperações bimestrais. Até pouco tempo só conseguia estudar comigo, mas como nós criamos filho para o mundo, comecei a deixar esta tarefa. Cada vez que tem uma prova, ela chora, passa mal e esquece tudo que estudou, pois se sente incapaz.Devo dizer que, não é porque sou mãe,mas a minha filha é linda, inteligente, meiga e super comprometida com tudo que se propõe a fazer, mas tem dificuldades muito reias. O último passo que demos foi coloca-la no programa de TDAH que existe na escola, foi a pior coisa que fizemos, pois a partir dai ela ficou taxada de burra, os colegas gozavam da prova dela por ser diferente e não era convidada para fazer parte dos grupos de estudo por não acreditarem nela. Com isso apareceu outro problema, o bullying, corri e a tirei do programa.Hoje em dia ela faz só as mediações quando não atinge a média, mas nos bastidores da escola, os alunos não sabem. Atualmente ela esta na 6ª série e nunca repetiu de ano,mesmo assim é super insegura e tem baixa auto estima. Não faz nada em que eu não esteja por perto, por não se sentir capaz. Eu estou sempre a estimulando e falando que ela é igual as outras crianças e que tem a mesma capacidade, a psicóloga idem. Ela é ótima no ballet, foi a única aluna da turma a ser convidada para fazer o teste do Royal, então, achei que isto ia ser ótimo para o seu ego tão fragilizado, mas nem por isso.O TDAH também influencia no social, o que por vezes faz com que estas crianças se sintam a parte do grupo, e pior, sem entender porque. O problema é que esta crianças com este tipo de défcit são impulsivas, não conseguem perceber quando estão a mais e isto vai detonando as relações.
A Ju é super amada e tem uma familia super comprometida com a sua vida. Como toda super mãe, as vezes peco pelo exagero, mas vou tentando corrigi-los. Neste momento, a psicóloga esta indicando uma psiquiatra para o uso de ritalina e já começo a aceitar a idéia. É claro que tenho grandes dúvidas, pois trata-se de um medicamento continuo e sempre aperece aquela voz que não quer calar: Será que cria dependência? É claro que se optar, finalmente, pelo medicamento, quero um acompanhamento total dos médicos e que seja consumido apenas o necessário.
Só sei que minha filha esta se tornando insegura e infeliz, então fica a pergunta: O que será pior? Qual das duas opções, ritalina ou sensação de total incapacidade, irá causar maior estrago no futuro?

Nem a ciência nem a pedagogia têm uma resposta definitiva para suas perguntas, Cacy. Se houvesse fórmula para criar filhos felizes e bem sucedidos, certamente não haveria tanta gente deprimida no mundo. O jeito é seguior seus princípios e tentar criar sua filha da melhor maneira que você puder. O resto, só o tempo dirá.
PermalinkPermalink 28.10.09 @ 08:15


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