Geração Ritalina
Houve um tempo em que as crianças podiam correr, subir em árvores, cabular aula, caçar grilos, pular, comer terra, brigar, esquecer a tarefa, ficar "de bem" e fazer barulho, muito barulho. Hoje, qualquer uma que aja assim é imediatamente diagnosticada como doente: tem Déficit de Atenção, Transtorno de Comportamento ou Hiperatividade, quando não tudo isso junto.
Como acontece com a maioria das enfermidades, para essas também há tratamento. A solução milagrosa acalmaria a criança, aumentaria sua concentração e, de quebra, ainda deixaria tranquilos pais e professores. A pílula mágica atende por muitos nomes – o mais conhecido, Ritalina.
Para se ter uma idéia de como a Ritalina vem sendo administrada como se fosse Aspirina, 1 milhão de caixas foram prescritas para cerca de 25 mil crianças brasileiras, só em 2007. Parece assustador? Pois nos Estados Unidos, onde a droga definitivamente virou balinha, entre 4 e 6 milhões de crianças tomam o remédio.
Em 2005, conversei com o pedagogo Luca Rischbieter sobre o assunto. Sua corajosa entrevista gerou uma enxurrada de cartas e e-mails à redação do Sinapse, caderno que eu editava na Folha de S.Paulo: as opiniões se dividiam entre quem era contra radicalmente contra o uso de remédio em crianças e quem, tendo filhos ou alunos agitados, tinha encontrado na pílula a solução para os problemas escolares.
Tão contundente quanto a entrevista do pedagogo é este quadrinho fake do Calvin que acabo de receber. Vale refletir se é isso, mesmo, o que queremos para nossos filhos e netos.

Se seu inglês for tão pífio quanto o meu:
Haroldo: – Uau, você já está fazendo seu trabalho? Não é para entregar só na quinta-feira?
Calvin: – É, eu sei... Mamãe disse que as pílulas devem estar funcionando.
Haroldo: – Está nevando lá fora. Eu pensei que talvez a gente pudesse... Não sei, você me diz.
Calvin: – Desculpe, eu não estava escutando. Eu realmente tenho de terminar isso.
PS: Coloquei aqui a íntegra da entrevista com Luca Rischbieter. Foi publicada na Folha de S.Paulo em 2005, mas nunca esteve tão atual. Infelizmente.
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Os inimigos da infância *
Ziraldo gosta de crianças... bem longe!
Maria Cristina Mirizola
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Hahahaha, deixa a Domi ler isso! Ela vai ficar uma fera quando souber que você dedou ela, hahahaha
Não é mole ser pai e mãe, afe!
Falou e disse, Ana!
E no depositório do Calvin tem a continuação dessa tirinha tb.
http://depositodocalvin.blogspot.com/
Ai, Emilio, quem disse que eu acho a continuação? Que raiva! Detesto ser curiosa desse jeito, hahahaha...
Se todo mundo pensasse assim, acho que eu não teria nascido, Mauricéia...
Paula, tenho certeza de que a Ritalina é um santo remédio para muitas pessoas. Tenho um amigo TDA que também relata maravilhas com o uso do remédio. Mas há um superestímulo de consumo: muita gente está tomando Ritalina sem precisar. Principalmente as crianças.
É mesmo uma nova geração, completamente diferente da nossa, porque parece que as crianças de hoje não são crianças como fomos.
São mini-adultos e estão sabendo de quase tudo o que acontece, seja dentro da própria casa, seja no mundo, através da televisão e internet.
O pior é que elas realmente não brincam mais de esconde-esconde, ou jogam taco na rua com os amiguinhos porque tudo hoje em dia é "perigoso".
Isso pode ser culpa dos pais, acredito que 70% seja sim culpa deles, pois os casais não se intimidam em brigar "coisas de adulto" na frente das crianças.
Vão assim, tirando a inocência, e essas crianças se tornando cada vez mais críticas e defensivas.
É triste ver. Ver crianças lindas que sofrem de doenças físicas e até emocionais, depressões e afins por verem dentro das suas próprias casas o porto seguro delas (os pais) entrando em conflito na frente de todo mundo e desrespeitando os próprios filhos.
Isso para mim, parte de falta de compreensão. Parte da família a princípio.
Aí depois dos pais perderem o controle da situação, procuram ajudar (ou destruir) esses filhos.
Sim, as coisas mudaram.
Eu mesmo com a minha infância simples, posso dizer que fui muito feliz e sei valorizar pequenas coisas.
As crianças de hoje são entupidas de facilidades e não tem a chance de aprender a conquistar o que querem porque tudo é dado pelos pais, roupas, sapatos, brinquedos modernos e caríssimos sempre com aquela desculpa de "dar ao meu filho uma vida melhor do que a que eu tive".
Será mesmo que esse mimo todo é o melhor?
Acho que o problema e a culpa é dos pais. Que querem impedir seus filhos de derrotas e frustrações que possam ter tido por não terem ganho um autorama ou a coleção de playmobil, e superar a insatisfação dando aos filhos ipod de não sei quantos gigas. Para serem roubados?
Ensinar a fazer pipa não é mais legal?
Esse assunto desencadeia um monte de coisas e acho legal você abordar isso aqui no blog.
Os mais "bem resolvidos" se preocupam com o futuro do planeta. Alguém já parou para se preocupar também com os futuros habitantes desse planeta?
É assustador e triste pensar nessas coisas.
Tita, a tendência de todos nós (eu incluída) é sempre olhar para o passado e achar que na nossa época a coisa era melhor. Mas a verdade é que o mundo mudou e, assim como não é possível que a escola seja a mesma de séculos atrás, também nós não podemos usar o passado como única referência para o futuro. O jeito é descobrir como usar a tecnologia e outras "facilidades", como você diz, a nossa favor.
Medonho, né?
Oba, adoro indicação! Vou lá!
Acho que é o anormal que é visto como doença, Ricardo, aquilo que foge ao comum, que sai da normalidade, não?
Que maravilha, Inagaki! E eu penando aqui com meu inglês...
Conheço ex-crianças que hoje são viciadas em comprimidos do tipo...vai saber se não tem alguma influência...
beijos!
Esse é um risco que muitos pais estão correndo, Sophy...
Menina, nem me fale! Bateu uma coisa quando vi que não me contive e corri para postar.
Resolvi dar meus pitacos sobre essa tal de Ritalina.
Se tiver um tempinho, confira - http://umblog.com.br/?p=270
Beijão,
Kadu
Opa, vou lá! Eu tardo, mas não falho!
Para o mundo que eu quero descer! (Saudadocê, rapaz!)
Sorte minha que hoje exibo com orgulho meus arronhões de criança, quando ainda subia em árvores.
Um beijo
Sorte a minha também, Tiago: o que levei de tombo de bicicleta, arranhão de gato e pito de mãe não foi brincadeira, rapaz... Bom tê-lo por aqui também, moço!
Bizarro, né? Aqui tem mais sobre a Ritalina, Fada.
Mas a escola continua a mesma em que nós, nossos pais e nossos avós estudaram...
http://depositodocalvin.blogspot.com/2008/12/tira-mais-feliz-de-todos-os-tempos.html
Ah, boa, Emilio. Mas a mais triste é ainda melhor, né?
(desculpem a falta de acentos mas nao os tenho em meu teclado)
Mauricio, eu sei que a Ritalina pode fazer bem a alguns pacientes, mas certamente isso não justifica essa enxurrada de diagnósticos de hiperatividade e transtornos de atenção. Convenhamos, o que é mais fácil: medicar ou mudar a educação?
á 10 aNOS JÁ QUE TOMO ESSE REMEDIO TENHO ATE VICIOOOOOO
Será por isso que você está TÃO BEEEEM?
Valeu, Thiago! Mas sem falsa modéstia, o que faz o debate crescer é esse tantão de pessoas dando opiniões diferentes, mantendo esta caixa de comentários viva. Tenho uma sorte danada com os leitores!
conteudo exelente
Oba, leitor novo! Entra, senta, fica à vontade. Aceita um cafezinho?
Terapia também ajuda muito quem tem TDAH, Andre. Já tentou?
A ritalina é um remédio sério, aplicável em situações específicas, mas banalizada. Já vi casos de crianças com 4 anos tomando ritalina, já ouvi neurologista que olhou para uma criança e disse que só de olhar sabia que tinha TDAH. E os pais, como ficam em uma situação dessas? Não é no médico que se confia a vida?
Como mudar isso? Em uma sociedade cada vez mais propícia à utilização de remédios "milagrosos" (temos também os ansiolíticos, cada vez mais usados, remédios para a indução do sono..), menos paciente e com menos "tempo para perder"?
Não há uma fórmula de como resolver o problema, AM, mas a saída certamente passa por uma mudança nas relações entre pais e filhos.
Andeia, desejo sorte para seu filho e que o tratamento de fato possa ajudá-lo.
Hoje, com 28 anos, corro atrás do tempo perdido... e quanto tempo perdido.
Há um ano tomando RITALINA, passei de técnico de informática afastado do trabalho por depressão profunda (motivada pelo sentimento de fracaso como pessoa, por não conseguir crescer) a desenvolvedor de sistemas. Aprendi o novo oficio sozinho, no meu computador de casa, só eu e a Ritalina no meu quarto. Agora programar em duas linguagens e domino várias tecnologias de desenvolvimento, coisa que JAMAIS consegui na faculdade com os professores, simplesmente por ser inacapaz de me concentrar. Mas o melhor é que agora tenho fé em mim e posso fazer planos. Apesar disso, é inevitável não ficar triste ao pensar onde eu poderia estar hoje, quem eu poderia ser hoje, se tivesse descobrido o MILAGRE da Ritalina há uma década ou até duas.
No tempo em que eu era criança não havia informação ou medicamentos para TDAH no Brasil, mas se houvesse, gostaria que minha mãe tivesse cometido a "maldade" de me administra-los. Não tenho dúvida de que hoje eu seria PHD em qualquer coisa que quisesse. Muito pior do que ver os outros a frente de mim, é saber que eu poderia não estar ao lado deles, mas adiante. Não condenem seus filhos a esse sentimento, poucas coisas são piores que isso.
Eu não posso voltar no tempo, pra quando tinha dez anos e dizer pra minha mãe me medicar, mas posso dizer isso a quem tem filhos com TDAH hoje.
Não esperem ele completar 28 anos, não esperem ele entrar em depressão profunda, não espere que o sentimento de fracasso venha a suscitar pensamentos suicidas, não espere que ele comece a se drogar para compensar seu sentimento de inferioridade, pode não dar tempo de salvá-lo.
Se você é TDAH trate-se e se você tem um filho que é, trate-o, afinal, seu amor por seu filho precisa ser grande o suficiente para entender que ele não é apenas seu ursinho de dormir, ele é um ser humano como você e, como tal, ele PRECISA EVOLUIR, ELE ESTÁ AQUI PRA ISSO!
Não caia no conto de que psicoterapia sozinha resolve ou que educação com atenção redobrada e apetrechos como blocos de nota, despertadores e agendas resolvem... TDAH precisa de remédio e uma pessoa portadora jamais poderá liberar seu pleno potencial sem eles.Não escutem as pessoas que condenam o uso do metilfenidato. Deve ser muito fácil condenar um medicamento que provê capacidade de concentração pra alguém que a tem naturalmente. Atentem para o seguinte: quem não vive o problema, não tem autoridade pra afirmar nada.
David, não é preciso ser paciente para discutir os efeitos uma doença. E acredito de verdade que há muitas maneiras de o ser humano evoluir sem precisar de medicação.
Hoje, com 28 anos, corro atrás do tempo perdido... e quanto tempo perdido.
Há um ano tomando RITALINA, passei de técnico de informática afastado do trabalho por depressão profunda (motivada pelo sentimento de fracaso como pessoa, por não conseguir crescer) a desenvolvedor de sistemas. Aprendi o novo oficio sozinho, no meu computador de casa, só eu e a Ritalina no meu quarto. Agora programar em duas linguagens e domino várias tecnologias de desenvolvimento, coisa que JAMAIS consegui na faculdade com os professores, simplesmente por ser inacapaz de me concentrar. Mas o melhor é que agora tenho fé em mim e posso fazer planos. Apesar disso, é inevitável não ficar triste ao pensar onde eu poderia estar hoje, quem eu poderia ser hoje, se tivesse descobrido o MILAGRE da Ritalina há uma década ou até duas.
No tempo em que eu era criança não havia informação ou medicamentos para TDAH no Brasil, mas se houvesse, gostaria que minha mãe tivesse cometido a "maldade" de me administra-los. Não tenho dúvida de que hoje eu seria PHD em qualquer coisa que quisesse. Muito pior do que ver os outros a frente de mim, é saber que eu poderia não estar ao lado deles, mas adiante. Não condenem seus filhos a esse sentimento, poucas coisas são piores que isso.
Eu não posso voltar no tempo, pra quando tinha dez anos e dizer pra minha mãe me medicar, mas posso dizer isso a quem tem filhos com TDAH hoje.
Não esperem ele completar 28 anos, não esperem ele entrar em depressão profunda, não espere que o sentimento de fracasso venha a suscitar pensamentos suicidas, não espere que ele comece a se drogar para compensar seu sentimento de inferioridade, pode não dar tempo de salvá-lo.
Se você é TDAH trate-se e se você tem um filho que é, trate-o, afinal, seu amor por seu filho precisa ser grande o suficiente para entender que ele não é apenas seu ursinho de dormir, ele é um ser humano como você e, como tal, ele PRECISA EVOLUIR, ELE ESTÁ AQUI PRA ISSO!
Não caia no conto de que psicoterapia sozinha resolve ou que educação com atenção redobrada e apetrechos como blocos de nota, despertadores e agendas resolvem... TDAH precisa de remédio e uma pessoa portadora jamais poderá liberar seu pleno potencial sem eles.Não escutem as pessoas que condenam o uso do metilfenidato. Deve ser muito fácil condenar um medicamento que provê capacidade de concentração pra alguém que a tem naturalmente. Atentem para o seguinte: quem não vive o problema, não tem autoridade pra afirmar nada.
David, volto a dizer que, de fato, a Ritalina pode realmente fazer bem para algumas pessoas. Não é isso o que está sendo discutido aqui e sim a maneira a tordo e direito com que os psicopedagogos e psiquiatras têm receitado o medicamento, taxando de hiperativas milhões de crianças saudáveis, que não têm problema nenhum exceto a necessidade de uma escola mais interessante e de pais que saibam impor limites. Além disso, estamos falando de um medicamento ainda pouco estudado e que está sendo receitado até para bebês!
Ah soh mais uma coisa, impossivel que a ritalina seja usada em bebes. Primeiro pq nao pode haver diagnostico correto para um bebe que ainda nao começou a escola. Segundo pq a ritalina soh pode ser usada a partir de 6 anos de idade, ou seja, a idade escolar.
O TDAH nao tem nada a ver com a criaçao ou educaçao da criança, ela jah nasce com problema de neurotransmissores q enviam as informaçoes ao SNC. Portanto, nao critiquem pais, professores devido ao uso deste medicamentos em crianças, pq ele eh necessario.
O medico nao indica esse tipo de tratamento se sua avaliaçao nao indicar que a criança ou adulto realmente nao precisa do medicamento. A avaliaçao do medico depende da conversa com o paciente e com os parentes e amigos dele, nao ha um exame que confirme concretamente o TDAH, como por ex qda a pessoa esta com anemia e tem a comprovaçao por um hemograma, isso em TDAH nao existe.
Ateh onde se sabe o TDAH nao tem cura, mas com terapia o paciente aprende a lidar com a doença.
Se vcs estivessem criticando o uso indeviduo de ritalina em jovens estudantes, adultos que tabalham demais, pessoas que nao tem TDAH,porem tomam para aumentar o desenpenho no estudo ou trabalho, concordaria cm vcs, agora falar coisas que nao sao verdades ai fica complicado!
É justamente sobre o uso indevido de Ritalina que estou tratando, Bi.
A Ju é super amada e tem uma familia super comprometida com a sua vida. Como toda super mãe, as vezes peco pelo exagero, mas vou tentando corrigi-los. Neste momento, a psicóloga esta indicando uma psiquiatra para o uso de ritalina e já começo a aceitar a idéia. É claro que tenho grandes dúvidas, pois trata-se de um medicamento continuo e sempre aperece aquela voz que não quer calar: Será que cria dependência? É claro que se optar, finalmente, pelo medicamento, quero um acompanhamento total dos médicos e que seja consumido apenas o necessário.
Só sei que minha filha esta se tornando insegura e infeliz, então fica a pergunta: O que será pior? Qual das duas opções, ritalina ou sensação de total incapacidade, irá causar maior estrago no futuro?
Nem a ciência nem a pedagogia têm uma resposta definitiva para suas perguntas, Cacy. Se houvesse fórmula para criar filhos felizes e bem sucedidos, certamente não haveria tanta gente deprimida no mundo. O jeito é seguior seus princípios e tentar criar sua filha da melhor maneira que você puder. O resto, só o tempo dirá.
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