Transforme idéias em posts – 2
Depois de assegurar que suas idéias não sairão voando por aí, você desenvolveu 1% do trabalho. Chega a hora de resolver os outros 99%: botar as idéias no papel. Não conheço nenhum bom autor que diga que escrever é fácil, mesmo quando o resultado do trabalho parece ter saído sem esforço nenhum. Escrever dói. Faço isso profissionalmente há dez anos e posso garantir que a dor não passa — cada texto que tenho de escrever é um parto. Até legenda de foto.
A boa notícia é que disciplina e dedicação tornam o processo bem menos traumático. Com o tempo, você se sente como um atleta: a dor está em cada músculo, osso ou tendão, mas você se acostuma a ela, quase nem sente mais. Aqui vão uns truques que aprendi com meus bons “treinadores”.
Uma idéia por post
Quando nos empolgamos com uma idéia, é comum que ela puxe outras e acabe se transformando num turbilhão de informações. A primeira pergunta que você deve se fazer é: tudo o que você quer falar gira sobre o mesmo assunto? Na dúvida, anote os tópicos num papel e tente hierarquiza-los. Se ficar difícil colocar as coisas em fila indiana, é porque os assuntos se subdividiram. Às vezes, é melhor separar as idéias em vários posts independentes e interligá-los com links. A leitura flui melhor.
Não existe tamanho certo
Muitos blogueiros defendem que texto para a internet tem de ser curto. De fato, a tela do computador atrapalha a leitura — li em algum lugar que o internauta absorve 30% menos do que numa folha de papel. Mesmo assim, acho que post não tem tamanho certo: se o texto estiver bem escrito, pode ser de uma linha ou de longos parágrafos, como bem atestam Marco Antonio e Alexandre Inagaki. Não quer correr riscos? Divida seu post gigante em partes e suba um pouco por vez.
Conte para sua avó
Blogs costumam usar um tom informal. Para treinar isso, imagine-se contando sua idéia para a vovozinha lá do interior. Não tem uma avó no interior? Inventa uma, pô! A jornalista Fátima Bernardes diz que mentaliza uma conversa com a mãe quando vai apresentar o Jornal Nacional, assim, “fala as notícias do jeito mais simples e direto possível”. Além de deixar o texto menos burocrático, o exercício de “contar” é ótimo para encontrar o começo do post: ele será a primeira coisa que você vai falar para sua avó — ou mãe, amigo, bicho de estimação...
PS: Amanhã, na última parte desta micro-série, como escrever com menos sofrimento. A primeira parte está aqui e a última, aqui.
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Meu jeito "hedonista" de escrever blogs
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Mesmo quando o texto é muito bom, sem essas pequenas pausas, ele se torna um tanto cansativo.
É vero, Emilio. Mas quando o post é muito longo, mas bem escrito, eu acabo leio de um fôlego só. Parece que o texto lança um feitiço.
E como dói... É como se as palavras saíssem de nossas veias...
A comparação com o atleta foi genial Carol! Apesar de textos parecerem apenas "idéias no papel" (ou na tela) pra alguns, a disciplina é uma das maiores armas de quem escreve, e precisa ser exercida dia após dia.
E quanto ao "tamanho" do texto, eu acho que não faz diferença. Se for bom e bem escrito, o será em duas ou 30 linhas =)
"É como se as palavras saíssem de nossas veias..." Wow, Patrícia, doeu em mim essa!
Aaaaaaaah!
Não quero. Quero post frenético, turbilhão. Se tudo o que você quer falar não gira sobre o mesmo assunto, use um assunto maior. =P
Tudo bem, você quer dar dicas de como escrever para leitores normais, mas parece tão... jornalístico e informativo. E racional.
Não me entenda mal, é ótimo que existam texto jornalísticos e informativos — e talvez até racionais —, só acho que se perde muito se todos forem assim. (Lembrando que o seu meu favorito é aquele da Creche às duas. [Tentei linkar, mas a caixa de comentários não quis conversa.] Imagina que triste seria se o Douglas Adams ou o Seinfeld tivessem resolvido escrever sobre algum assunto em vez de escrever sobre nada...
Hmmmm... tem razão. Mas essas dicas são que nem formulinha para o vestibular da Fuvest: é só uma base. Todo o resto é com o autor do texto. O que não deixa de ser aterrorizante, claro.








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