Transforme idéias em posts - 1
Muita gente tem me perguntado sobre como escrever para blogs. Que eu saiba, não existe uma técnica específica para isso — sigo algumas regrinhas que uso no jornalismo e misturo a dois ou três truques que aprendi na prática. Não são garantia de bons textos, como se vê muitas vezes por aqui, mas, ao menos, ajudam a lidar com aquela frustração de não conseguir botar as idéias no papel.
Pense, fale, repita
Idéias são feitas do mesmo material dos sonhos: são imprevisíveis, indomáveis e não reproduzíveis em cativeiro. Eu sempre perdia um insight criativo porque nunca tinha papel e caneta à mão. Mais tarde, à frente de um computador, não havia Cristo que me ajudasse a lembrar da idéia.
Para evitar isso, hoje, uso três truquezinhos milagrosos. O primeiro é falar a idéia alto: se foi uma frase, diga-a alto. Se foram palavras soltas que remeteram a um pensamento vago de post, fale-as todas, pausadamente, umas duas vezes. Para ajudar, tente visualizar uma imagem daquilo que está falando.
O segundo macete é puxar o fio das sinapses que levaram ao raciocínio criativo. Parece complicado, mas é moleza. Imagine que você acaba de observar uma senhora atravessar a rua com um andar miudinho como o dos pombos que você viu na Plaza de España, quando conheceu Sevilha. Na praça tinha uma feirinha de artesanato e, numa das barraquinhas, uma garotinha atormentava a mãe para comprar uma peruca verde. Isso lhe faz lembrar de quando você ganhou seu primeiro gatinho, de como queria tanto um bichinho que teve até febre. Então, você pensa: “Puxa, acho que vou escrever sobre desejos infantis”. Para não perder a idéia, faça o caminho inverso das sinapses: pensei em “desejos infantis” porque lembrei do meu “gatinho Petit”; lembrei do Petit porque recordei da “menina que queria uma peruca verde”; recordei da peruca porque imaginei a Plaza de España; imaginei a praça por causa das “pombas”; que me lembram o andar dessa “velhinha”. Se seguir o fio, você acha a meada e não esquece mais da idéia.
Por fim, minha terceira tática para não perder idéias é deixar caderninhos de anotação pra tudo que é canto. Tenho um do lado da cama, para anotar sonhos e idéias insones. Durante anos deixei um do lado do box do banheiro porque adorava encontrar figuras nos fios de cabelo deixados no azulejo: assim que acabava meu banho, pegava o caderninho e desenhava a imagem que via no emaranhado de fios de cabelo. Se lhe ocorrer uma boa idéia de post durante o chuveiro, não deixe que ela vá pro ralo!
PS: Amanhã, escreverei sobre como hierarquizar o monte de idéias que você, agora, vai lembrar. Na última parte desta micro-série, como, enfim, botar as idéias no papel.
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Hahahaha, nesse caso, é melhor avisar depois: "São as vozes na minha cabeça...".
Na falta de revistas, elas podem ler seu caderninho e descobrir quão louco você realmente é.
No meu caso, seria tarde demais para me preocupar com isso. Uma pessoa que classifica as pessoas em Lambíveis ou Azuis já atestou que não bate bem das idéias, né não?
Eu uso sempre a idéia dos caderninhos espalhados... Funciona que é uma beleza pra não perder a idéia...
Bacana você comparando as idéias com sonhos. Citação copiada e devidamente referenciada =)
O/
Ulha, que honra! Ser copiada é um dos maiores elogios que uma blogueira pode receber! Obrigada, Patrícia!
Obrigado.
Como é bom descobrir que outras pessoas sofrem dos mesmos efeitos nocivos do chuveiro nas idéias!
Cem lições?!? Puxa, Renivaldo, será que você vai se contentar com essa mixaria de três posts que eu escrevi?
Prefiro participar de alguns com alguma coisa em comum.
Bjs.
Hehehe, eu te entendo perfeitamente, Ana! É bem mais gostoso assim!








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