Catchup e Mostarda
Catchup e Mostarda sempre foram super apegadas. Primeiras a nascer de uma ninhada de cinco fêmeas, as duas gatas era praticamente iguais em sua pelagem tão rajada que mal se distinguiam as manchas. Catchup era a mais avermelhada, Mostarda, a mais castanha. As duas, dóceis e mornas, verdadeiras gatas-líquidas, daquelas que vão se esparramando no primeiro cafuné.
Por algum problema genético, as ninhadas de Mostarda eram cada vez menores. Dias antes de parir, estourando de gordas, as gatas sumiam de vista. Adoravam dar à luz no escurinho do meu armário de cobertores, para desespero de minha avó. Catchup era sempre a primeira, seguida, três ou quatro dias depois, pela irmã.
Separávamos as caixinhas, para que ninguém encrespasse com os sobrinhos. Inconformada por ter dois filhotes a menos, Mostarda ia até a caixinha da irmã e abocanhava a primeira bolotinha de pêlos que encontrava pela frente. Quando Catchup dava pela falta de um rebento, ia até a toca da irmã e carregava um gatinho — qualquer um. Com a diferença de dias que as ninhadas tinham, não era raro ver numa caixa três gatinhos gordos, com os olhos abertos, e um pitotico ainda cegueta, confundido no intenso troca-troca felino.
Um dia, fui para a área de serviço e flagrei um gatinho esquecido — era pesado demais para ser arrastado pela nuca de um lado para o outro. Miava implorando por alguém, mãe, tia, qualquer um que lhe levasse de volta ao calor dos irmãos. Peguei-o no colo, era delicado e trêmulo, com seu pequeno coração pulsando loucamente atrás de umas costelinhas da espessura de palitos de dentes. Levei-o até a ninhada e o ajeitei na primeira teta vazia que encontrei. Arranjei uma caixa maior e botei as duas fêmeas juntas, com seus oito filhotes coletivos e as dezesseis torneirinhas de leite. Nunca mais encontrei um gatinho perdido.
Até hoje trago comigo a responsabilidade de ter tocado naquele serzinho tão frágil. Segurar um filhote recém-nascido nas mãos muda alguma coisa dentro da gente.
Posts similares:
Coronel Mostarda, na Sala de Estar, com uma... espada vorpal?
Pimenta nelas
O gato-sumô
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Tem que ter tato, mesmo, Emilio. Eu tenho o mesmo medo, mas só com bebês. Culpa daquela coisa chamada moleira, que me dá calafrios...
Amo, em minha vida já vi vários nascimentos de cachorro, meu pai criava e ajudavamos a cuidadr das ninhadas eu e minhas irmãs, era maravilhoso,bjs
Parto de cachorrinho eu nunca acompanhei, Ana, mas de gatinhos, a dupla Catchup e Mostarda me presenteou com várias performances.
Ah, lógico, a cara de boba faz parte do pacote! Se eu não fizer cara de boba, é porque não segurei direito, hehehe...
Tenho 36 cachorros no sítio, todos tirados das ruas, são todos sensacionais. Mas confesso que quando tive meu 1º gato em 2005, me apaixonei completamente. Não sabia que esses bichanos são tão especiais. Hj tenho minha pequena família de 12. Um dia vamos combinar para vc conhecê-los.
Bjs
Ana
Trin-ta-e-se-is?!? Mais 12 gatos?!? Ana, você definitivamente vai pro céu dos bichos.
Wow, gostei disso!
Que gatas mais ciumentas hein? risos...
E possessivas!
Pra xará Ana com 36 cachorros de rua, PARABÉNS!
Se muitos não abandonassem, você não precisaria batalhar por tantos.
Abs a todos.
Bem lembrado, Ana! Os meus são todos castrados.
adorei essa estória.
Depois que juntei as ninhadas, elas viraram uma grande família feliz, Dayse. Adorei o nome do seu blog!









RSS feed