Os posts que não vingaram
Algumas coisas não mudam muito com o tempo: desde que comecei o Guindaste, nunca sei de antemão o que vou escrever. E também não consigo reconhecer o que faz com que algumas caixas de comentários sejam animadas e outras um silêncio de bytes. Se tem alguma fórmula para um texto fazer sucesso na blogosfera, ainda não descobri a receita.
Mas ter dois anos de posts laranjinhas me dá alguma experiência no que definitivamente não funciona por aqui. Por exemplo: acabo de achar o arquivo que originou o Guindaste. Traz dois posts e cinco temas que eu pretendia abordar futuramente. Não consigo imaginar onde eu estava com a cabeça quando sequer cogitei a possibilidade de publicá-los... mas, vá lá:
Minhocoçu
Tenho uma amiga minhoca. A cada ano ela fica um pouco mais comprida e delgada. O objetivo da Minhocoçu é fazer o corpo dar a volta no quarteirão – mantendo sua cabeça e seus pés no apartamento X da rua Y. Este ano, ela vira a esquina.
Isso tem algum cabimento? Se está em código, eu certamente joguei fora a tradução. É minha fase cronopiana, quando eu sonhava em ser Julio Cortazar na próxima encarnação.
Pegando
Levantar é algo muito duro pra quem não gosta de dormir, como eu. Enquanto não inventam uma pílula que tenha os mesmos efeitos do sono, sou obrigada a me render a esse hábito obtuso que é ficar na horizontal por oito ou doze horas diárias. Coloquei em ordem alfabética todas as coisas que poderia fazer nessas horas desperdiçadas. Fiquei deprimida já na letra B: imagine quantos banhos de banheira dá pra tomar em oito horas.
Já sei que o dia vai ser muito duro quando o guindaste não funciona. Vou ficar miguelando dois ou três minutos a mais com o despertador. Se tenho de levantar às 9h, acontece de às 7h baixar uma insônia instantânea e eu começar a pensar no dia. Isso me custa uma meia hora preciosa, desperdiçada com as coisas mais estúpidas do mundo. Pingüins têm asas e não voam, os coitadinhos. Demora tanto para a pitanga ficar vermelha, quase um mês verde, e nada. Francamente, não saber onde fica a Antuérpia... Bem que eu podia aprender logo a andar de patins. Se até a torneira da pia tem limite, como é que eu não ponho um na minha vida?
Levanto, escolho uma roupa sem pressa. Faço um leite bem marrom, ponho o jornal debaixo do braço e vou para a sala. Cai uma gota na notícia que eu leio – tudo bem, não era nada importante. Mudo de página e cai outra gota e outra e outra. Tem uma goteira no teto, pingapingapingando, amarela. Acordo, atrasadíssima, não com o despertador que já tocou uma, duas, três vezes. Vou direto pro banheiro.
Esse é da depressão, quando eu dormia muitas horas ou tinha longas noites de insônia e uma dificuldade imensa para acordar. O nome do blog é justamente uma alusão ao esforço que eu precisava para sair da cama, como disse aqui.
Tristeza de pingüins
Sempre me incomodou o fato de pingüins terem asas e não serem capazes de voar. Mas só com muita inspiração para transformar uma frase num post inteiro...
Absinto
Esse eu pulo. Meus dedos dos pés se contraem até hoje só de pensar no estrago que a Fada Verde fez em mim.
Manequins com cabelo
Tái outra birra minha: detesto manequins de loja com peruca. É isso. Prontocabô.
Quebradeira santa
Sobre esse, acabei escrevendo, sim, aqui. Deu na mesma, mas eu precisava expurgar o fato de ter cuidado com tanto mimo de uma erva-daninha. Foi terapêutico, no final.
O balão vermelho
Esse é outra daquelas pirações que só funcionam quando você acorda de madrugada, com o sonho ainda fresco na cabeça. Consigo lembrar uma quantidade notável de sonhos numa só noite, daí querer criar uma categoria só para eles no Guindaste. O problema é que eles nunca se saem bem quando transpostos para caracteres. Eu passava horas trabalhando nesses posts oníricos, tentando reproduzir o tom meio David Lynch que há neles. Depois, ainda fazia um monte de ajustes e acabava não publicando nada. Até que desisti. Escrever sobre sonhos é um pesadelo.
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Pingüins
A primeira aparição do Guindaste
#%&*!
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Realmente, isso é incomentável, chérie.
Mas se você já viu algum documentário no Animal Planet, sabe que os pingüins fazem miséria com o que têm, deslizam de barriga no gelo e mergulham na água descendo em rampinhas. Pena mesmo eu tenho da girafa: imagina se dá uma coceira no meio do pescoço?
Uai, quando girafas têm coceira no meio do pescoço, pedem aos passarinhos come-caca que dêem um trato.
Hehehe, obrigada, Nine! Assisti ao Happy Feet, sim, mas sou mais os três "amigos monocromáticos" de Madagascar.
Ah, Emilio, não faz isso não! Uma vez, de tanto perder posts, amarrei uma cordinha num caderninho bem pequeno e andava com o danado no pescoço. Só assim para conseguir botar no papel o que se passa na minha cachola.
Guindaste me atrai pelo bom humor e o tom de brincadeira com que são escritos os textos, independente do assunto que pode ser de minhoca, insônia, vizinhos, bichos, enfim, uma infinidade de coisas que nós gostaríamos de falar, alguém escreve por nós e complementamos. E melhor, ainda temos as respostas.
Abs.
Sabe que o que eu mais gostei no seu comentário foi a parte do "completamos", Ana. Porque eu sinto muito isso: que este espaço é para diálogo, que o post só tem vida quando a caixa de comentários se anima, surgem opiniões, debates, enfim, quando a coisa sai do meu controle. Obrigada por me ajudar a tornar os posts aqui mais vivos!
Hahahahahaha, hilário, Garfield! Rende até um post, não desperdice!
A mim então o que me impressiona nos bichinhos é o facto das patinhas serem tão curtas, que não devem dar jeito nenhum para andar em terra.
Ah, Zarosky, são terríveis as patinhas dos pingüins, tão curtas que eles precisam andar rebolando, como os patos. Definitivamente, não são animais muito ergonômicos, convenhamos, né?
Tenho uma quantidade razoável de leitores no meu blog, mas dificilmente rola um comentário. Mtos deles são meus amigos, então recebo SMSs ou e-mails falando sobre o q escrevi. Daí penso, pq cargas d'água este povo não escreve ali, no comentário??? Mas nunca tive coragem de perguntar.
Agora, ando meio calada por lá. Meio sem vontade de escrever e as vezes completamente sem tempo para fazê-lo, mas antes da Bienal acabar, coloco um post lá sobre o desprazer de ir na deste ano...
Qto aos pinguins, rárárá (como diria uma amiga). Tb penso a mesma coisa, mas será q as asas batem na água, pois eles são bem rapidinhos por lá...
Até o próximo post...
Danielle
Isso acontece comigo também, Danielle. Acho que os amigos pessoais preferem comentar direto com você a deixar um elogio ou crítica públicos. Quanto aos pingüins, de fato, eles usam as asas como nadadeiras. Mas, puxa, são asas, coitadinhos...
Ah, Junior, mas estou tirando sarro deles, então, não vale, hehe. Rapaz, tem que conhecer o Cortazar, o cara é um gênio. Aqui tem uma palhinha, ó.
Li, sim, Ricardo, das duas formas, inclusive. Mas prefiro História de Cronópios e de Famas. Adoro nonsense.
http://www.bichinhosdejardim.com/2008/11/companhias.html
Que simpáticos! Não conhecia os Bichinhos, Emilio, obrigada pelo link!
Mesmo? Vale usar o título depois de, bem, já tê-lo usado?
Hehehe, é uma piadinha interna, Marília, com uma amiga que eu chamo de Minhoca.
Não gosta de escrever? Que curioso, Garfield, sempre achei que você precisava só de um empurrãozinho para começar um blog!








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