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Pedir, repetir, tripetir

Durante toda minha infância, a frase que mais ouvi foi: “Come mais um pouquinho, filha...”. A despeito da comida perfumada e saborosa de minha mãe, eu e meus irmãos demos muito trabalho para comer. Tive uma fase pró-feijão; aí, mudei, só queria saber do caldo; meses depois, comia os grãos bem escorridos e deixava no prato várias cascas sem feijão, rabinhos de feijão e outras espécimes que não passassem por meu controle de qualidade. Minha frescura durou até que minha mãe se enchesse e passasse a bater o feijão no liquidificador.

Por conta disso, cada vez que eu ou meus irmãos repetíamos um prato, minha mãe faltava só estourar rojão. Com o tempo, aprendi a preparar minha própria comida e deixei de nove-horas — afinal, um cozinheiro valoriza o que preparou porque sabe a trabalheira que deu para fazer.

As coisas iam bem, comigo repetindo pratos ao menos uma vez por semana, até que levei um namorado para comer em casa. Para quem comia dois Big Mac no café da manhã e tomava gemada antes de dormir, repetir era a coisa mais óbvia do mundo. Vi o moço encher o prato de arroz, feijão, brajolas e fritas, numa dimensão jamais experimentada em casa. Do outro lado da mesa, a montanha de pedreiro escondia o rapaz, que só abria a boca para enfiar o garfo. Quando minha mãe preparava seu bordão do “come mais um pouqui...”, ele já estava no segundo prato. Eu e minha irmã nos entreolhamos em silêncio enquanto observávamos o segundo prato sumir e dar lugar a um terceiro prato.

Do que concluo duas coisas: a) repetir é um elogio, mas tripetir exige preparo psicológico; e b) namorados precisam descobrir que facas têm utilidade, sob o risco de acabar o relacionamento. O meu não chegou à sobremesa.



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Comentário de: Ana Rosa Email · http://vdcotidiana.blogspot.com/
Isso foi um namorado ou um trator? porque destruiu as panelas, hein? Que apetite é esse? também não ficaria com esse moço não, já pensou a despesa. bjs

Ei, isso explica porque minha mãe entrou em pânico quando soube que estávamos namorando.
PermalinkPermalink 15.11.08 @ 19:28


Comentário de: Wilson Email
Navegando pela net, achei seu blog...
Carol ele simplestmente é ótimo!!!
Parabéns!!!

Oba, leitor novo! Wilson, às vezes eu tardo, mas sempre respondo aos comentários. Por isso, entre, sente e fique à vontade. Pode fuçar as gavetinhas do Guindaste o quanto quiser que não tem ninguém olhando. Vou lá passar um cafezinho e já volto. Com açúcar ou adoçante?
PermalinkPermalink 16.11.08 @ 06:52


Comentário de: Nine das meninas Email
AH Carol sou como sua mae, gosto q. repitam minha comida.Meu filho uma vez trouxe uma namorada "alface" em casa,sabe o tipo "mulher canina" ,q.so tem ossos...A primeira coisa que eu perguntei em segredo a ele foi:_é sério esse namoro?ele ,graças aos céus, me disse que nao!Mas esse seu namorado era um exagero mesmo !bjs

Hahahahaha, mulher-canina é boa! Meu ex não tinha nada de canino, não, Nine: era bom de garfo!
PermalinkPermalink 16.11.08 @ 10:57


Comentário de: Emilio Email · http://estou-sem.blogspot.com
A comida da sua mãe deveria estar deliciosa mesmo. ;)

Dizem que é inerente às mães cozinhar bem, Emilio. É por essas e outras que não entro na fila do filho.: sou uma negação entre panelas.
PermalinkPermalink 16.11.08 @ 12:16


Comentário de: mauricéia Email
vai ver ele nunca comia comida caseira, sei bem que é isso, não chego ao ponto de faze prato de pedreiro, mas comida caseira pra que sempre come na rua tem seu valor, a se tem, coitado!!

Hmmm, concordo com você, Mauricéia, comida caseira tem lá seu charme. Mas essa explicação não se aplica ao danado, não, hehe.
PermalinkPermalink 16.11.08 @ 19:32


Comentário de: Marília Email · http://maroma.wordpress.com/
kkkkkkkkk.... :D
Morri de rir...
E falei pro marido que ele tem que lembrar mais da faca.

Isso é que é zelar pelo sagrado matrimônio, Má!
PermalinkPermalink 16.11.08 @ 23:51


Oi querida, como vai? O rapaz tinha "O" apetite hein? Vi tua descrição e lembrei de um primo meu... o cara fazia a mesma coisa sempre. E faca para quê? Alias para que serviam os dentes? Mal dava tempo de mastigar... como sempre mais um ótimo texto saboroso, bjs

É a descrição quase perfeita do meu ex, Reni!
PermalinkPermalink 17.11.08 @ 08:38


Comentário de: ana maria Email
Tive um amigo que qdo a gente ia a festas, tinham que esconder alguns pratos da predileção dele. Comia direto na panela. Um aspirador, dava gosto, como diz minha mãe. Rapaziada em fase de crescimento é a alegria dos quilos da vida. Lucro na certa.
Agora, pior que comer muito é o convidado que não come nada, dando a empressão que se errou no tempero.
Bjs.

Fase de crescimento? Só se a dele tiver sido pós-adolescência, Ana, hahahahaha...
PermalinkPermalink 17.11.08 @ 10:43


Comentário de: Junior Email
Conhecer os pais da namorada já é complicado e esse teu ex conseguiu complicar ainda mais as coisas. É muito engraçado (ou aterrorizante) o olhar do sogro, querendo dizer: "o que esse marmanjo quer com a minha princesinha". Desde que o ciúme não seja nada muito exagerado, eu até compreendo o cara que é pai de namorada. Como não tenho filhos (as) e estou no papel de namorado, a situação é bem melhor.
Nós, homens, demoramos anos para aceitar a idéia de que a nossa mãe também faz sexo e que não fomos gerados da mesma forma que o "famoso JC", rsrsrs. Quando o trauma estava "quase" resolvido, os papais tem que se acostumar com a idéia de que as princesinhas que eles carregavam no colo também fazem sexo! Percebeu como é complicado ser homem, rsrsrs?

Gostei da breve aula sobre pais, Junior!
PermalinkPermalink 17.11.08 @ 15:52


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