Pedir, repetir, tripetir
Durante toda minha infância, a frase que mais ouvi foi: “Come mais um pouquinho, filha...”. A despeito da comida perfumada e saborosa de minha mãe, eu e meus irmãos demos muito trabalho para comer. Tive uma fase pró-feijão; aí, mudei, só queria saber do caldo; meses depois, comia os grãos bem escorridos e deixava no prato várias cascas sem feijão, rabinhos de feijão e outras espécimes que não passassem por meu controle de qualidade. Minha frescura durou até que minha mãe se enchesse e passasse a bater o feijão no liquidificador.
Por conta disso, cada vez que eu ou meus irmãos repetíamos um prato, minha mãe faltava só estourar rojão. Com o tempo, aprendi a preparar minha própria comida e deixei de nove-horas — afinal, um cozinheiro valoriza o que preparou porque sabe a trabalheira que deu para fazer.
As coisas iam bem, comigo repetindo pratos ao menos uma vez por semana, até que levei um namorado para comer em casa. Para quem comia dois Big Mac no café da manhã e tomava gemada antes de dormir, repetir era a coisa mais óbvia do mundo. Vi o moço encher o prato de arroz, feijão, brajolas e fritas, numa dimensão jamais experimentada em casa. Do outro lado da mesa, a montanha de pedreiro escondia o rapaz, que só abria a boca para enfiar o garfo. Quando minha mãe preparava seu bordão do “come mais um pouqui...”, ele já estava no segundo prato. Eu e minha irmã nos entreolhamos em silêncio enquanto observávamos o segundo prato sumir e dar lugar a um terceiro prato.
Do que concluo duas coisas: a) repetir é um elogio, mas tripetir exige preparo psicológico; e b) namorados precisam descobrir que facas têm utilidade, sob o risco de acabar o relacionamento. O meu não chegou à sobremesa.
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NUTRICIONISTAS, NÃO LEIAM!
O blog de um casal que adora comer (e não é a gente)
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Ei, isso explica porque minha mãe entrou em pânico quando soube que estávamos namorando.
Carol ele simplestmente é ótimo!!!
Parabéns!!!
Oba, leitor novo! Wilson, às vezes eu tardo, mas sempre respondo aos comentários. Por isso, entre, sente e fique à vontade. Pode fuçar as gavetinhas do Guindaste o quanto quiser que não tem ninguém olhando. Vou lá passar um cafezinho e já volto. Com açúcar ou adoçante?
Hahahahaha, mulher-canina é boa! Meu ex não tinha nada de canino, não, Nine: era bom de garfo!
Dizem que é inerente às mães cozinhar bem, Emilio. É por essas e outras que não entro na fila do filho.: sou uma negação entre panelas.
Hmmm, concordo com você, Mauricéia, comida caseira tem lá seu charme. Mas essa explicação não se aplica ao danado, não, hehe.
Morri de rir...
E falei pro marido que ele tem que lembrar mais da faca.
Isso é que é zelar pelo sagrado matrimônio, Má!
É a descrição quase perfeita do meu ex, Reni!
Agora, pior que comer muito é o convidado que não come nada, dando a empressão que se errou no tempero.
Bjs.
Fase de crescimento? Só se a dele tiver sido pós-adolescência, Ana, hahahahaha...
Nós, homens, demoramos anos para aceitar a idéia de que a nossa mãe também faz sexo e que não fomos gerados da mesma forma que o "famoso JC", rsrsrs. Quando o trauma estava "quase" resolvido, os papais tem que se acostumar com a idéia de que as princesinhas que eles carregavam no colo também fazem sexo! Percebeu como é complicado ser homem, rsrsrs?
Gostei da breve aula sobre pais, Junior!








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