O banho anual
Primeiro, foram uns miados baixos e insistentes. Em poucos minutos, passaram para longos miados barítonos, tão graves que algum vizinho deve ter pensado que eu estava esquartejando meus gatos. E eu ainda nem tinha chegado ao box.
Assim que ouviu o chuveiro ligado, Grafite fincou dez unhas no batente da porta do banheiro. Parecia coisa de desenho animado: eu puxando de um lado e o bicho grudado na porta. Puxei a pele do cangote para manobrar as unhas afiadas e consegui desvencilhá-lo do batente, mas não rápido o bastante para levá-lo até o box: agora, ele se agarrava à torneira da pia, derrubando tudo o que estava em cima do gabinete. E ainda desceu um tom na escala de miados, para mostrar que não estava de brincadeira.
Dez minutos depois, consegui enfiar a jaguatirica na água. Ensopado, um gato se reduz a duas orelhas, um punhado de bigodes e dois olhos negros ameaçadores. A cantoria continuou enquanto eu o ensaboava. Oto conseguiu abrir a porta do banheiro para conferir se eu estava tentando fazer sushi do irmão dele, o que só piorou as coisas, porque passaram a ser dois miando, um dentro do chuveiro, outro do lado de fora.
Quando puxei a toalha para secar o Grafite, contabilizava cinco arranhões e um furo no cotovelo, que sangrava bastante. E é claro que bastou verem o irmão vivo para os outros dois sumirem de vista. A Lua se escondeu debaixo das cadeiras, na mesa de jantar, e o Oto tentou em vão se enfiar atrás das plantas, o rabo marrom para fora, dando a maior bandeira.
E, então, começou tudo de novo.
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Primeira dica: corte as unhas dos bichos antes (preserva a pele). Segunda. Dê em dias separados. (eu tinha quatro, estou com 3).
terceira: eu desisti. Os bichos ficavam tão estressados com secador e tudo que adotei um lindo e confortável pente. Me livro dos pelos velhos e ainda tem fila quando tiro o próprio da gaveta.
A gente mora em apê, linda, os bichos não se sujam tanto assim. Pente neles, Carol!
bj
Lucia, preciso de três dicas para botar a primeira dica em prática: como seguro as feras quietas enquanto corto as unhas? É um inferno! Já tentei cortar uma unha por dia, já tentei com eles dormindo, já tentei na marra, em duas pessoas, em três... A única coisa que sai cortada é meu braço, snif! Mas pente eu uso, sim, bastante. O problema é que tenho uma gata branca, que fica encardida fácil, fácil... Ela é o termômetro para ver em que nível está a sujeira da bicharada. Bom te ver por aqui, Lucia, já estava com saudades!
eu sei como é isso!!! porém, com os meus cachorros...é uma missão quase impossivel dar banho neles!!
Eles também dão trabalho, Bia? Eu jurava que com cachorro a coisa era mais tranquila...
Ah, Ana, não tenha dúvidas! Isso se você sobreviver, é claro, hahahahaha...
Eu estava esperando a hora em que o seu Mário ia subir para ver o que estava acontecendo, Emilio...
Beijos.
Hehe, filmo, sim, Garfield, mas vou ajustar a câmera para o volume mais baixo que puder, senão, vocês ficam surdos!
Bjs.
Eu também não suo secador de cabelo, Ana Maria (até porque não tenho...), eles ficam muito neuróticos com o barulho. Você consegue sair com os braços intactos ou termina o banho retalhada?
Gostam de banhos e não me agridem.
:-D
Hmmm, mas pulam na gente, róem sapatos e tentam acasalar com as pernas das visitas... (fim do modo despeitado pró-gato)
Tava pensando em dar banho nas crianças aqui. Não em todos os 12, mas pelo menos nuns 5. Acho que depois dessa desanimei..
Menina, bota um escafandro, e vai com fé. Sério, Ana: não é impossível, não, mas tem que ter muuuuuuuuita paciência, conversar com eles o tempo todo, ser rápida para ensaboar e enxaguar, e, de preferência, usar o chuveirinho e não o chuveirão, que assusta mais. Eu fecho a porta do banheiro, fecho a porta do box e deixo eles andando no chão, evito ficar segurando muito porque parece deixá-los mais angustiados. Então, fico seguindo com o chuveirinho. Passo uma toalha e deixo secarem no sol a pino, por isso, só dou banho em dia muito quente. Eles dormem o resto do dia, de tão estressados que ficam, tadinhos...
Mínimo agrado? É gíria para sexo e futebol? Hahahahahahahaha....
Que eles vejam nem é tão complicado, Ana. Duro é evitar que os outros OUÇAM!
Quando a palavra banho é citada,eles fogem, se escondem, rosnam,choram...
é um escandalo!!!!!!!
hahahaha
Eu tive poucos cachorros, mas todos gostavam de tomar banho. E adoravam chacoalhar, ainda molhados, em cima da gente!
Originalmente não era, não tinha pensado nisso, mas vou adotar. Muito obrigado pela sugestão, Guindaste também é cultura, hgfgggg.
Mulheres também gostam de um mínimo agrado. Só que, para nós, significa cartão de crédito sem limites, hehe...
// Os vizinhos adoram o show, mas não chega a ser tão produzido quanto o seu. E olha que tenho oito – eu disse OITO – monstrinhos. Cruzamento direto do Taz da Looney Tunes x Dragão-de-comodo. E, claro, com uma carinha de ursinho Poof de derreter qualquer coração.
// Sigo à risca a primeira dica da Lucia. Primeiro desarmo o inimigo. Deixo o cortador de unhas onde eles possam brincar, se acostumar com a coisa. Depois, como quem não quer nada, vou encurralando a vítima num cantinho do sofá... falo com aquela voz melosa de mãe coruja... pego uma patinha como quem só quer brincar... que patinha grande você tem vovozinha... e zupt.... era uma vez garras. As deles.
// Algum mais estrassadinho não quis brincar? Tudo bem, amanhã é um novo dia. O banho só vem mesmo na próxima semana.
// Na hora H prendo todos no banheiro e começa o concerto. Devo ter uma veiazinha sádica em algum lugar, porque a-d-o-r-o aqueles miados de socorro-ela-vai-me-afogar-na-pia (até mio junto, só não conta pra ninguém, shiiiu)
// O estresse causado pelo barulho do chuveiro, e até uma otite neles, evito com a boa e velha bacia. Enquanto eles se agarram nas bordas da bacia, não se agarram em mim e posso ensaboar/enxaguar tudo com facilidade. É vapt-vupt.
// Secador? Má nunca! Nada que duas toalhas bem macias para cada um, num dia quente, não resolvam. Minha pele intacta agradece e as duas horas que eles passam com os pêlos amassados rendem cenas hilárias.
Neo, parece que eu estou vendo a cena! É i-gual-zi-nho ao que se passa por aqui – tirando a parte do cortador, que porei em prática em breve! Eu tentei fazer uma foto do Oto no banho (é tão calmo que até dá para sair do box, pegar a câmera, ligar o time e voltar pra pose), mas ele resolveu virar a cabeça bem na hora do clique...
Aí, vou levar arranhões para colocar os sapatos, arranhões para colocar a focinheira e ainda termino sem conseguir dar banho, Ricardo. Não tem jeito: a melhor forma é falar com jeitinho, ir bem devagar, ter paciência... Mas tem razão: bicho é tudibão!
Vai na do Neo que é certeira. Unha realmente só tenho um que ODEIA cortar. Cato o bicho dormindo e mando bala. Tem uma coisa que uma vet me ensinou e funciona. Converse antes (gato é como mulher, lembra? Conversas funcionam...)
a técnica: fala muito baixo e olhando no olho deles, com o rosto bem pertinho, na base do cochicho quase.
Funciona. Até o selvagem Tico entende e topa a brincadeira.
Com o pente, no começo, ele estressava pra caramba. Agora ele vem e pede
Vai com calma - e conversa. Em geral ajuda muito.
Uau, Lucia, com toda essa técnica, não vai ter gato que resista! Vou botar em prática já! Se o Guindaste parar de ser atualizado, já sabe que não deu certo, hehehe...
Putz, só agora que me dei conta, Garfield: a Lua é a agente infiltrada! Ela deda a turma toda!
(a sabedoria é fruto de 10 anos de convivência com estes mamíferos maravilhosos
bj linda
Entendi. Deixo para falar sobre a crise cambial só depois de ter cortado umas oito unhas. Dez anos de convívio, Lucia? Deixa eu fazer as minhas contas... hmmm, tenho 19 anos de vida com gatos. Ganhei meu primeiro bigodudinho aos onze anos, um pretinho chamado Petit, morreu de intoxicação, tadinho... Depois, veio o Piê, também pretinho básico, que encantou a faxineira, que acabou ficando com ele. Aí, veio o Mel, meu gato amarelo tigrado queridíssimo. Ele amava perambular pelos telhados, mas bastava eu chamá-lo no quintal para ele surgir. Lindo. Quase morri quando ele sumiu, passei dias inteiros chamando-o pelos muros. Depois do Mel, tive uma fase de intensa interação felina, culminando com 34 gatos sob um mesmo teto. Hoje, tenho uma pequena gangue, com apenas quatro menores infratores, mas que dão um trabalho danado!
PS. junior adorei a estoria do minimo agrado(mais ainda do sua traduçao CA ,futebol e sexo ,ri muito!)bjs
Eles viram o bicho, Nine! Quem não conhece, acha que vão atacar a qualquer momento...
Tadinha, Garfield! Levando-se em consideração que o serviço de proteção às testemunhas é o primeiro passo para a coitada aparecer em pedacinhos num matagal qualquer, acho que ela está mais segura como delatora sórdida, hehehe...
(Ou talvez seja o que eles querem que nós acreditemos.)
Hmmm, até os fogões auto-limpantes precisam de uma geral no forno às vezes...
Tô adorando este papo felino aqui nos comentários.
eu tinha gangue de quatro, mas aí a preta manifestou o FIV e tá lá no céu dos bichos, brincando com os ferrets da Zel. Cara, tô com uma saudade preta dela. Este trio que restou aqui se juntar tudo não faz meia charlote, na boa. Tadinhos, são lindos, adoro eles, mas como Charlote, não há...fotos? flickr da lufreitas.
bj
Já reparou como não tem um gato igual a outro? O Mel até hoje me dói o coração. Às vezes, acho que ele ainda está vivo, só me esperando chamá-lo no quintal da minha antiga casa... (O Flickr é tão estúpido que não acha a sua página e ainda me sugere "Lucretius?", vê se pode...)
Depois de um longo e tenebroso inverso (?) estoy de volta!
Carol, tive que correr no banheiro, pq eu já estava deixando vazar, de tanto que eu ri! Menina, eu tenho 4, mas bagnho mesmo só dois tomam, pq os outros dois tem que ser na pet shop com dose de calmante e tudo o mais (tenho uma cicatriz na perna que me lembra dolorosamente da última tentativa de banho no Dingo e no Pirata).
Aqueles sapatinhos de gato até que dão uma bela ajuda, mas conforme vc vai usando o velcro vai ficando muito fácil de soltar, e solta no meio do banho.
Pra cortar as unhas, eu enrolo os meus no edredon e deixo só a pata que eu preciso de fora. Sabe que é divertido? Fica parecendo um ETzinho, uma bolinha com uma patinha cheia de unha, balançando de um lado pro outro... rsrsrs
Beijocas
Rocambole de gato? Wow, parece legal! Quer dizer, se eu estiver dentro de um escafandro, claro, porque o bicho vai sair de lá ventando no meu braço! Lú, eu mandava a turma toda pro pet shop. Levava meia hora pra botar os quatro na caixa de transporte e mais meia hora para tirar todos da gaiolinha do pet shop e convencê-los a entrar, novamente, na caixa de transporte. Depois de umas três idas, o Grafite começou a voltar semi-limpo: meio seco, meio molhado, com restos de perna e braço dos veterinários debaixo da unha e com o instinto assassino à flor da pele. Aí, desisti. Se é pro bicho se estressar, que seja em casa, entre os irmãozinhos, né?
Tava super a fim de ler um textinho descontraído e com essa linguagem meio crônica e vim aqui. Amei o que li.. hahahaha... A minha gata não dá tanto trabalho pra tomar banho, ela é bem em paz..hahaha. (desconfio que ela seja um cão)
beijos
Ah, Dani, sorte a sua! Será que sua gata não quer dar uma aulinha de bons modos pra criançada lá em casa? Da última vez que mandei a Quelé pro banho no pet shop, precisei de dois funcionários para tirá-la da gaiolinha e colocar a gata na caixa de transporte, porque ela grudou na grade e não saia nem com reza brava...
Eu levo a Nina no pet shop. Ela tem pêlo longo, seria um desastre eu tentar desembaraçar tudo aquilo. E já assisti ela tomando banho lá. Vira um robô. Não ousa se mexer. Em casa, nas poucas vezes em que precisei lavar "as partes" por conta de algum desastre ecológico, foi um caos.
Vai lá Carol. Que a força esteja com você!
Robô? Que maravilha isso! O Oto fica imóvel também, mas começa a cantoria em dó maior e vai num crescendo até o fim do banho. Um dia, ainda gravo um CD.
Ele já veio com esse nome, Ana, herdei o Oto quando seu antigo dono morreu. Mas também a-do-ro!
estive hoje com uma amiga que disse que eles ficam por perto da gente. Eu várias vezes já tive a sensação que ela estava aqui, parte o coração, não dói... o que me consola é saber que dei nove anos de vida boa pra ela (estava na última gaiola do CCZ, adotei um dia antes da execução sumária...)
bj
Nossa, que história linda, Lú! Eu também peguei minha turminha da rua, o Grafite já tinha seis meses e estava com a coluna comprometida de tanto comer porcaria: as costas dele pareciam uma cordilheira, cada vertebrazinha torta! O vet olho pro gato e comentou: "O senhorito é um comedor de carne crua, hein?". Foi quando descobri que a carne crua é rica em fósforo, mas pobre em cálcio, justamente o mineral que os bichanos precisam quando são filhotes, para que os ossos cresçam direitinho. Quando o organismo não consegue cálcio pela alimentação, rouba dos outros ossos para poupar o crânio – é por isso que os gatinhos de rua costumam ser mirrados e cabeçudos. Menina, dei tanto cálcio pro Grafite que ele não só se endireitou como virou um gato e-nor-me! Pesa quase 8 kg! A propósito: amei suas fotos! O Bóris é a cara do meu querido Mel e o Tico parece irmão da Lua!
Tá brincando?!? Nenhum rosnadinho, nada?
Não é para assustar não, mas já vi poucas e boas em pet shop.
Na última, um gato não foi enforcado por sorte.
Ele estava com aquela coleira que só prende pelo pescoço e o funcionário deixou que escorregasse da borda da banheira.
Anjo, depois dessa, juro que passei a acreditar em milagres!
Ao informar o fato para o dono do pet shop, pedindo que passasse a usar um tipo de coleira que prende pelo tronco também, o empresário nem deu confiança.
Só faltou tacar na minha cara: por acaso o gato/produto é seu?
Quando tenho que recorrer a um pet shop, e bem sei que às vezes não há outra opção, só faço se puder acompanhar o processo de perto.
Se bobear, até ajudo!
Eu quero imaginar que ainda existem boas almas trabalhando em pet shop e que essa descrição de horror é um caso isolado, Neo... Afe! Acho que eu estrangulo o cara que der banho num dos meus gatos desse jeito! Se bem que, sefor o Grafite, ele se encarrega sozinho de estraçalhar o atendente, hehehehe...
Neo, eu não deixo meus gatos, jamais, no primeiro petshop que encontrar. Eles só tomam banho nos que os meus vets estão - na verdade só no do Luciano...
Com esta cultura horrorosa de brasileiro de odiar gatos, não deixo meus queridos nas mãos do primeiro da esquina nem a pau.
Ai, nem me fale, Lucia. Ouço direto algum preconceito daqueles brabos sobre gatos, é duro...









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