Comentadores do ocaso
Foi na saída de uma reunião que o vi, amarelo e brilhante como ouro líquido. Por entre os indefectíveis biombos beges, a luz era um convite à contemplação. Achei uma sala com uma janela enorme e fiquei ali imóvel, observando.
Fazia tanto tempo que eu não parava para ver um pôr-do-sol que já tinha me esquecido dos narradores. Basta o dia estar claro e você conseguir uma vista privilegiada do horizonte — uma praça ou a janela de um prédio mais alto — para que apareça algum Galvão Bueno do ocaso. É sempre a criatura que diz coisas como "olha que luz!" ou "reparou no laranja que está no fundo?". A coisa só acaba depois que o sol sumiu ou que alguém comenta "puxa, e a gente aqui, trabalhando...".
Ouvi dizer que, em Copacabana, os comentadores do ocaso terminam a narração com aplausos. Não duvido. Já vi gente bater palmas até em pouso de avião. Já no teatro, falam alto ao celular. Vá entender.
PS: Hoje estréia Experiência nova lá no blog da Bons Fluidos. Espero que eu não queime meu filme...
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Nossa, Nine, viajei no seu comentário! Foi quase um clipe dos anos setenta! Amei!
O pôr-do-sol mais bonito que eu já vi foi em Lençóis Maranhenses, Renivaldo. A areia se tinge de dourado e o céu fica laranja e azul. Parece uma coisa meio Van Gogh, sabe?
Sabe, Carol, eu acho que os comentadores do acaso só estão querendo falar um pouco, dizer alguma amenidade para que alguém lhes escute. Porque essa coisa de chegar e puxar uma conversa, sem nenhuma outra intenção, é uma coisa que vem se perdendo, especialmente nas cidades.
Os comentadores só querem ser ouvidos, coisa que geralmente eles não são no dia a dia. E talvez, com aquele sentimento que surge vendo um por do sol, eles se soltem mais.
Acho que é bem por aí, Emilio. Deve ser um tipo de terapia, hehehe...
Hmmm, acho que prefiro brigadeiro de panela a pôr-do-sol, Terezinha... Será muita heresia?
"Céus de Porto Alegre, como farei para levar-vos para o céu?
Estás vendo? As cores não se misturam:
tudo parece recortado a tesourinha no horizonte.
A paisagem de Porto Alegre é anterior ao impressionismo."
Nada mal, hein? Será que o céu de São Paulo tem um poema à altura?
Já as palmas, bem, prefiro pular isso. Completamente desnecessárias, he,he,he.
Acho que as palmas também servem para extravasar, Ana. É como se as pessoas quisessem compartilhar o que sentem umas com as outras.
Bjs.
Viva!
É engraçado, né? Você já saiu de casa com o único intuito de aplaudir o pôr-do-sol?
E depois, não batíamos palmas para o nascer do sol, na mesma época, mas normalmente na Barra da Tijuca, porque saíamos da "balada" (tá em paulistês para vc entender) e quando o sol nascia, mergulhávamos de cuecas, calcinhas e sutiãs (às vezes)
Humpf...
Hahahahaha, que carioca despeitado, sô! Amigo, amigo...








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