O balé
Segunda-feira cedo, carros por todos os lados, a orquestra de buzinas ensaia seus acordes e meu mau-humor dá o primeiro sinal de vida enquanto levo uma fechada pela segunda vez. O semáforo fica verde e a fila ainda anda mais alguns milímetros antes de parar, os motores quentes sob uma chuva fina que não pára.
Olho pelo vidro embaçado da raiva contida e vejo duas palmeiras dançando ao vento. Mas lá fora não venta. Olho para a garoa que cai num ângulo de 90 graus tão perfeito que não resta dúvida. Nada de vento. Volto às palmeiras, mas elas não estão mais lá: agora, tremelicam suas folhas rasgadas uns vinte metros à minha frente. O semáforo fica vermelho.
Então, elas passam por mim. Com as raízes presas num saco de estopa e os troncos bem amarrados à caçamba de uma picape, as palmeiras parecem moleques brincando na chuva, balançando os braços e espirrando água em redor. O semáforo abre.
Acompanho-as com os olhos o mais que posso, até vê-las sumirem num cruzamento, num gracioso pas de deux.
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Basta saber mergulhar nestas profundezas, este é o grande desafio!
Muito bom Carol. Adorei.
Guindejos
Obrigada, Tiago! Mas fiquei curiosa para saber quem é esse tal de August Rush...
Pois é, Emilio. O trânsito pode até estar parado, mas minha imaginação está sempre a mil, hehehe...
Confesso que, às vezes, é difícil, Garfield, mas eu me esforço!
Congestionamento em plena segunda-feira é dureza, né, Ana?
*não estou me referindo ao estilo literário, mas ao sentido amplo da palavra, como sinônimo de encanto.
Wow, Junior, isso foi MUITO legal! Obrigada!
Renivaldo, obrigada pela gentileza, rapaz! Mas, Clarice Lispector? Jura? Gulp!
Que bom!
Hahahahaha, agora fiquei imaginando as duas no hula hula, Nine!
Bj
Do saquinho, né? Eu também pensei nessa cena quando li o texto pronto, Andréia! Adoro esse filme!
Hehe, tem razão, Tita, ele passou rapidinho depois do balé das palmeiras...
Com chuva e trânsito é de surtar. Sorte sua não ter do lado carros com som no último, dum lado pagode, do outro heavy metal. Seria legal, hem... (sem ofensas aos metaleiros, por favor).
Bjs.
Som no último é o fim da picada, né, Ana? Transforma até a Quinta Sinfonia em uma coisa irritante...
Obrigado por fazer poesia com o que poderia haver de mais impessoal.
E, pra te ajudar a saber quem é August Rush, vai ali na locadora e pega "O Som do Coração".
Beijos.
Oba, adoro indicações de filmes para pegar na locadora! Valeu, Renato!
É isto mesmo Carol, passe na locadora e pegue o tal filme.
Agora pronto, acho que já deixamos você BEMMM curiosa. hehe
Guindejos
Muito curiosa, Tiago! Vou ver se consigo alugar hoje!
de bicicleta vc veria muito mais. E não teria matado o pobre passarinho do post anterior. Carros são armas. Coloquei seu texto da jardinagem libertária no blog.
Mande as fotos e demais relatos.
Um beijo,
Goura
Pois é, Goura, carro é dureza... Mandarei as fotos em breve!









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