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Culposo

Ainda bem que tinha uma cadeira por perto. Eu precisava sentar. Minhas pernas tremiam. “Nossa, Carol... que cara!” Então, desisti de tentar encobrir meu crime sem testemunhas.

— Matei um passarinho. Atropelado. Uma rolinha.

O que se seguiu a minha confissão me deixou ainda mais desorientada. É claro que não imaginava que as pessoas fossem encobrir o rosto e apontar para mim, entre soluços e desaforos. Mas esperava alguma reação emotiva. Qualquer uma.

— Ah, não fica triste. Acontece. Passarinhos são bichos meio bobinhos...
— Não a-cre-di-to que você está mal por causa disso! É só uma pomba idiota!
— Você não viu nada. Semana passada, atropelei um cachorro na estrada. Quando vi que ele ia atravessar, já não dava mais tempo. Tentei desviar, mas não deu, coitado. Precisa ver como ele ficou...

Tentei ficar com raiva das pessoas, mas não pude. Eu só conseguia me lembrar da explosão. Do vazio de dirigir quando a cidade mal acordou e, depois, da explosão silenciosa de penas. Minúsculas penas cinzentas caindo como flocos de fuligem pelo vidro da frente. Bem devagar. Como num filme em câmera lenta. A explosão silenciosa e as peninhas cinzentas. Tão pequenas...


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(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Comentário de: Marina Email
Carol, querida, não fique assim! Calma, não foi por mal, vc não fez de propósito, não se culpe!
Não quero te ver triste.
Bjs

Obrigada, querida...
PermalinkPermalink 03.10.08 @ 23:49


Comentário de: Michel Email · http://supermicheranja.blogspot.com
Você conseguiu matar um passarinho com um carro??

Peraí, vou ter que te defender, ele provavelmente não estava obedecendo a altitude mínima de vôo.

(Por outro lado, pássaros são os meus homeotermos favoritos. Vamos considerar um empate e você presta serviços comunitários. Algum tipo que eu ganhe sorvete.)

Hehe, vou ver se o tribunal das aves aceita minha apelação...
PermalinkPermalink 04.10.08 @ 00:24


Comentário de: Nine das meninas Email
AH Carol nao fique triste nao ,mas concordo com o Michel fora o sorvete para ele(quem nomeou ele adv de passarinhos? esse menino!...)!Se vai fazer voce se sentir melhor,faça algo por passaros ,digamos...por 1 ano, como pena por seu crime,que nem foi murder one..;bjs

Comer penas?!? Por um ano? Como isso pode ajudar os passarinhos, Nine? (Brincadeirinha, brincadeirinha, não consegui me conter...)
PermalinkPermalink 04.10.08 @ 07:53


Comentário de: Danilo Maia Email · http://www.submundodasenior.blogspot.com
Poxa, Carol, eu te acolho por demais!!
Essas coisas realmente nos deixam super pra baixo.
Dia desses eu 'tava viajando e o meu amigo atropelou um gambá [eu não dirijo]. Nossa, passei o resto da viajem e o resto da noite, meio triste!


Fica bem!!

Cheiro!

Danilo, você voltou! Agora é que não fico triste mesmo!
PermalinkPermalink 04.10.08 @ 11:01


Comentário de: Ana Rosa Email · http://vdcotidiana.blogspot.com/
Entendo o que você sentiu, meu marido atropelou uma pomba um dia pela manhã quando iamos para o trabalho, fiquei o dia todo com uma sensação horrível, bjs

Obrigada pela força, Ana!
PermalinkPermalink 04.10.08 @ 13:46


Comentário de: Emilio Email · http://estou-sem.blogspot.com
Fica triste não, Carol. Era parte do ciclo do passarinho morrer...

Agora, eu acho que seria culposo o título, não?

Opa, bem lembrado! Nunca fui boa em advoguês...
PermalinkPermalink 04.10.08 @ 14:03


Comentário de: Marília Email · http://maroma.wordpress.com/
A insensibilidade humana para com os animais me enoja...

Às vezes, acho que as pessoas calculam a atenção que devem dar a um bicho pelo tamanho dele... Rolinhas só estão na frente de insetos.
PermalinkPermalink 04.10.08 @ 23:50


Comentário de: Michel Email · http://supermicheranja.blogspot.com
(Ei, por que eu não ganho sorvete?)

Porque a tia Nine não deixa. E engole o choro!
PermalinkPermalink 05.10.08 @ 03:43


Comentário de: Nine das meninas Email
Michel porque Deus e O Diabo na terra do sol nao deixam!bjs

Saravá!
PermalinkPermalink 05.10.08 @ 11:56


Comentário de: Luciana Carneiro Email
Noite, Povo!

ah, Carol... fiquei triste... Mas não fique assim não... uma vez eu matei um pardal estendendo roupa (joguei o cobertor totalmente encharcado no varal e não vi ele lá;).

Dá uma sensação péssima, mas passa, pode acreditar.

Beijocas

Lú, essa foi a morte de pardal mais bizarra que já vi!
PermalinkPermalink 05.10.08 @ 21:21


Comentário de: Garfield Email
Fiquei com pena do pobre passarinho, mas foi homídio culposo. Como pena alternativa você pode tirar meia hora nos fins de semana e dar milho para os passarinhos no parque. E lasanha para este advogado dos passarinhos pelos meus honorários. :)
Beijos.

Hehe, gostei da sentença, sr. Juiz!
PermalinkPermalink 06.10.08 @ 08:24


Comentário de: ana maria Email
É uma sensação horrível. Uma vez atropelei um gato. Parei e, junto com um cara, tentei resgatá-lo, mas ele fugiu. Dia seguinte encontraram-no morto.
Leva-se algum tempo, mas acaba passando, como qualquer perda.
Bjs.

Obrigada, Ana...
PermalinkPermalink 06.10.08 @ 10:29


Comentário de: terezinha Email · http://terezinhalp.blogspot.com
Carol!

Grata por teres me visitado e sido tão gentil. Adoro o teu texto! Você é muito delicada e atenciosa. Que bom tê-la como leitora. Adorei

Puxa, valeu, Terezinha!
PermalinkPermalink 06.10.08 @ 18:58


Comentário de: Suzana Email
feia! agora ele é passaro-anjinho com 4 asas?

Com quatro asas? Hmmm, isso seria meio bizarro, não? Já pensou se erauma rolinha que usasse óculos, então? Vira anjo de quatro olhos e quatro asas? Wow!
PermalinkPermalink 06.10.08 @ 19:59


Comentário de: karina Email
É nisso que dá conviver com tantos gatos! Nunca mais vai poder brigar com os nenéns felinos, nunca mais...

Claro que não, Karina! Até porque, sendo gatos, eles me dariam as costas na primeira tentativa de bronca, aqueles sem-vergonha...
PermalinkPermalink 07.10.08 @ 14:53


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