Culposo
Ainda bem que tinha uma cadeira por perto. Eu precisava sentar. Minhas pernas tremiam. “Nossa, Carol... que cara!” Então, desisti de tentar encobrir meu crime sem testemunhas.
— Matei um passarinho. Atropelado. Uma rolinha.
O que se seguiu a minha confissão me deixou ainda mais desorientada. É claro que não imaginava que as pessoas fossem encobrir o rosto e apontar para mim, entre soluços e desaforos. Mas esperava alguma reação emotiva. Qualquer uma.
— Ah, não fica triste. Acontece. Passarinhos são bichos meio bobinhos...
— Não a-cre-di-to que você está mal por causa disso! É só uma pomba idiota!
— Você não viu nada. Semana passada, atropelei um cachorro na estrada. Quando vi que ele ia atravessar, já não dava mais tempo. Tentei desviar, mas não deu, coitado. Precisa ver como ele ficou...
Tentei ficar com raiva das pessoas, mas não pude. Eu só conseguia me lembrar da explosão. Do vazio de dirigir quando a cidade mal acordou e, depois, da explosão silenciosa de penas. Minúsculas penas cinzentas caindo como flocos de fuligem pelo vidro da frente. Bem devagar. Como num filme em câmera lenta. A explosão silenciosa e as peninhas cinzentas. Tão pequenas...
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Não quero te ver triste.
Bjs
Obrigada, querida...
Peraí, vou ter que te defender, ele provavelmente não estava obedecendo a altitude mínima de vôo.
(Por outro lado, pássaros são os meus homeotermos favoritos. Vamos considerar um empate e você presta serviços comunitários. Algum tipo que eu ganhe sorvete.)
Hehe, vou ver se o tribunal das aves aceita minha apelação...
Comer penas?!? Por um ano? Como isso pode ajudar os passarinhos, Nine? (Brincadeirinha, brincadeirinha, não consegui me conter...)
Essas coisas realmente nos deixam super pra baixo.
Dia desses eu 'tava viajando e o meu amigo atropelou um gambá [eu não dirijo]. Nossa, passei o resto da viajem e o resto da noite, meio triste!
Fica bem!!
Cheiro!
Danilo, você voltou! Agora é que não fico triste mesmo!
Obrigada pela força, Ana!
Agora, eu acho que seria culposo o título, não?
Opa, bem lembrado! Nunca fui boa em advoguês...
Às vezes, acho que as pessoas calculam a atenção que devem dar a um bicho pelo tamanho dele... Rolinhas só estão na frente de insetos.
Porque a tia Nine não deixa. E engole o choro!
Saravá!
ah, Carol... fiquei triste... Mas não fique assim não... uma vez eu matei um pardal estendendo roupa (joguei o cobertor totalmente encharcado no varal e não vi ele lá
Dá uma sensação péssima, mas passa, pode acreditar.
Beijocas
Lú, essa foi a morte de pardal mais bizarra que já vi!
Beijos.
Hehe, gostei da sentença, sr. Juiz!
Leva-se algum tempo, mas acaba passando, como qualquer perda.
Bjs.
Obrigada, Ana...
Grata por teres me visitado e sido tão gentil. Adoro o teu texto! Você é muito delicada e atenciosa. Que bom tê-la como leitora. Adorei
Puxa, valeu, Terezinha!
Com quatro asas? Hmmm, isso seria meio bizarro, não? Já pensou se erauma rolinha que usasse óculos, então? Vira anjo de quatro olhos e quatro asas? Wow!
Claro que não, Karina! Até porque, sendo gatos, eles me dariam as costas na primeira tentativa de bronca, aqueles sem-vergonha...
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