Como num cartão-postal
Quem passa por ali logo cedo, não acredita que se trata da mesma praça dos casaizinhos apaixonados, das rodinhas ao redor do violão, dos fãs do pôr-do-sol. A paisagem matutina era tão diferente da que conheço ao final da tarde que pensei ter entrado na rua errada.
Na calçada, quarenta, cinqüenta rolinhas disputavam com três pombas perdidas as últimas migalhas de quirela de milho. Feliz da vida, um labrador segura sua própria guia na boca, o rabo oscilando de um lado para o outro como um pêndulo animado. Ao lado, o dono, trotando no ritmo dos atletas da terceira idade, com seu calção azul e o agasalho fechado até o pescoço. Mal avista os pássaros, o labrador desiste de se auto-conduzir e sai em desabalada carreira. As rolinhas voam todas para os fios elétricos.
Estou terrivelmente atrasada para o trabalho, mas não consigo recusar o convite de uma pausa. Desço do carro e quase sou atropelada por um grupo de crianças em uniforme escolar vermelho, correndo como uma manada em época de estiagem. Atrás, vem a esbaforida professora, praguejando enquanto sobe a ladeira, “Devagar, crianças! Devagar! Esperem a tia!”.
Uma senhora vestida de branco passa empurrando um carrinho e arrastando um beague cansado, as orelhas do cão envoltas numa toalha para não arrastarem no chão. A toalha está no avesso, aperto os olhos para ler “ossergorp e medro”. Nunca pensei nessa utilidade para a bandeira pátria. Os cachorros somem de vista, as crianças entram no ônibus – “Calma, meninos, calma! A tia vai contar vocês para ver se não esquecemos ninguém”. A praça fica imersa em silêncio. O sol brilha sobre os prédios, se reflete em carros e vidraças, o ar tem cheiro de grama cortada. É como um cartão-postal com cheiro, mas sem som nenhum.
Então, as maritacas resolvem descer das árvores...
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Tem razão, Emilio! Eu lamentei muito que não tivesse uma câmera por perto... Daria um filminho muito simpático, né?
Parecem maritacas, mesmo, Nine! Ao menos, o barulho é igual, hehehehe...
Obrigada, Renivaldo!
Eu ia aproveitar e ficar sentada no banco da praça, hahahah
Deu vontade de fazer isso, Ana, mas o relógio não deixou: se eu sento, não saio mais dali.
Hehe, elas são terríveis, Garfield!
Bj
Ahhhh, Andréia, faltou deixar o link do tal momento estético, né? Atiçar a curiosidade de jornalista devia dar cadeia...
Beijos.
Manda o link! Manda o link!
Não é? Deviam envasar!
Como é bom reparar e se dar ao luxo (em SP sim) de parar uns instantes para perceber a vida fora de toda agitação das nossas cabeças.
A vida no verde, nos animais, na rotina das pessoas...e numa praça!
Ai ai...energizante!
Delícia seu texto, Carol!
Passeei junto contigo nessa.
Beijo
Ulha, que legal, Tita! É sempre bom ter companhia!
Obrigada, Ricardo! Mas senti tanta falta da minha máquina fotográfica... Onde vou arranjar de novo um beagle com as orelhas presas por uma bandeira do Brasil?!? Pena...
http://casadocacete.blogspot.com/2008/09/pessoas-num-engarrafamento.html
Beijos!!!
Que lindo! Amei!








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