Diagnóstico e cura
Só quando uma mulher passou rindo é que me dei conta de que eu estava um pouco fora de mim. Com meu dedo-batuta, eu regia uma orquestra invisível e cantava e balançava a cabeça e fechava os olhos enquanto cantava. Puro êxtase.
É que, dias atrás, fuçando meus CDs, lembrei do arrebatamento que Edith Piaf me causava quando adolescente. Época em que ainda não existia o contador de reproduções do iTunes. Esse, sim, eu descobri recentemente: o programa sabe direitinho quantas vezes você ouviu as músicas que estão armazenadas nele. Cada uma! Que computador mais esperto, sô! Deve ser treinado...
O contador serviu para me mostrar que sou oficialmente obsessiva. Sou capaz de passar uma tarde inteira ouvindo a mesma música, baixá-la no celular e ouvi-la enquanto caminho e ainda sonhar com ela. Senão, vejamos. Sous Le Ciel de Paris eu já ouvi 97 vezes. Milord, 78, empatada com Padam. La Foule vem logo atrás, com 75 reproduções. Isso porque eu encontrei os CDs há dois dias. Se continuar nesse ritmo, chego aos quatro dígitos em uma semana.
Não sei o que desperta minha obsessão. Às vezes, é um bemol – adoro bemóis. Pode ser uma estrofe inspirada, como em Desconsolo (134 reproduções), na voz de Monica Salmaso, “E vou lastimar/ Lastimar profundamente/ Tudo que eu fui e não sou mais”. Ou como em Novamente (128 reproduções), de Nei Matogrosso “Não há limite no anormal/ É que nem sempre o amor/ É tão azul”. A questão é que não basta ouvir a música: tenho de botá-la no repeat dezenas de vezes até que letra, melodia e cada mínimo acorde grudem no córtex cerebral.
A psicanálise diz que reconhecer a psicose é o primeiro passo para a cura. O segundo é definir um limite máximo de reproduções de uma mesma música no iTunes: 157 num mesmo mês. E não se fala mais nisso.
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Bem, as vezes tenho fases de comer alguma coisa (a última é de tortinhas de mousse de limão), mas elas não duram mais que uma semana (as fases, não as tortinhas).
Ahhhhhh, bom, Emilio! Porque uma tortinha de limão dura uns dois ou três segundos na minha mão, hehe...
Ah, agora que eu tenho um contador de passos ultramoderno, nem preciso ocupar minha mente com isso. Em compensação, passei a contar quantos passarinhos aparecem pelo caminho. Eu não tenho mais salvação, tenho?
Ana, minha mãe me ensinou a só ouvir música alta em casa. Na rua, no metrô, no ônibus, é som baixinho, porque, como você bem lembrou, incomoda demais os outros.
Hmmm, acho que o iTunes resolveu isso permitindo que a gente escolha as músicas e veja a capa do disco ou CD. Mas não é a mesma coisa, claro. Eu adoro cheiro de LP novo! Muito melhor que cheiro de CD, né?
Muito bem!
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz"... se te faz bem, continue com sua obsessão meu anjo! Bjs!
Só não faz bem para meus pobres gatos, que têm de ouvir centenas de vezes a mesma música!
E olha q pra vc é de graça!
Rsrsr
Tô frita, né, doutora?
Quando pensa em promover uma nova copa de buraco?
Gostaria de saber de novidades à respeito!
Parabéns, o blog e a coluna são ótimas!
Att,
Daniel
Obrigada, Daniel! Ainda não sei quando será a próxima Copa Guindaste de Buraco, mas acho que deve rolar uma ainda neste ano. Podexá que eu aviso aqui!
Ei, o Guindaste é viciante? Devo colocar uma tarja perta no logo e restrições médicas? Wow.
Bjos.
Eu também acabo enjoando, João, mas só depois de tê-la ouvido uma centena de vezes...
Segundo o Last.fm, o melhor que consegui fazer até agora foi 75 repetições de uma música (em alguns meses, veja bem). Parabéns: tenho que admitir que você é mais doente do que eu. =*
"Um Ney MT vá lá, mas e o pagode, o sertanejo, o heavy metal? Aliás os metaleiros são os + engraçados, porque, além do som, estão sempre "a caráter", cabelo, tatus, piercingssss, etc."
Ei!
(Nem ligo se me acham engraçado, o que doeu foi ser jogado no balaio com sertanejo e pagode.)
Se não fossem os metalheads, o mundo não teria... hmm... deixa ver o que fizemos de bom para o mundo... ahá: guitarra invisível!
E cabelos compridos! E camisetas pretas! Baita contribuição à humanidade, vá.
É isso aí, Nine! Vamos defender o rock!
Não dá pra botar no mesmo balaio porque vira briga de foice.
Nada contra os metaleiros, 1º Rock in Rio fui paramentada e curti muito.
Agora, 2ª, dia internacional da inhaca, vc. no busão, metaleiro de um lado, pagode do outro, não dá pra aguentar.
Ah, uma foice...
Gde abs.
Hahahahahahaha, uma foice deve ser algo bem discreto para se levar num ônibus, né, Ana! Hahahahaa...
Ufa, que bom!








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